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Ter 03 Out 2017

Inbal Blanc: O massacre de Las Vegas na visão hoteleira

Inbal Blanc

Na noite de domingo (1) às 22:08, no horário de Las Vegas, o norte-americano Stephen Paddock, aposentado de 64 anos, realizou o maior massacre já registrado em solo americano. O atirador que se hospedou no 32º andar do Mandalay Bay Resort na última quinta-feira (29), já estava se preparando para o massacre.

O apartamento onde ficou hospedado foi escolhido a dedo, pois tinha uma vista privilegiada para o Site Route 91 Harvest, espaço onde iria ser realizado o show de musica country com mais de 22 mil pessoas.

O atirador entrou com dez armas com calibres 5.56 e 7.62, usadas em fuzis militares e preparou a estrutura para atingir um grande número de vítimas.

A distância para a área do show foi de entre 350 e 400 metros, uma distância grande para tiros com fuzis comuns, o que indica que o alvo foi o grande público concentrado no show.

Analisando os videos do ataque, podemos perceber que o som do tiros são de armas automáticas que não fornecem tiros precisos. O que indica que o objetivo do atirador era de atingir um alvo espalhado e não um específico.

Outros fatores importantes que causaram um número maior de vítimas foram:

  • iluminação na área do show, que facilitou a mira do atirador;
  • Como as pessoas não sabiam da onde vinham os tiros, elas correram para a saida que estava bem no sentido da janela do atirador.  

O ataque durou entre 10 e 15 minutos e o atirador disparou com armas automáticas com duração entre 5 e 7 segundos, o que demandou alto volume de munição, ferindo e assassinando um grande número de pessoas.

Detalhes importantes que sabemos:

  • O atirador costumava jogar nos casinos, e jogou dezenas de milhares de dólares nas semanas anteriores ao show;
  • O pai do atirador foi assaltante de bancos procurado pelo FBI;
  • O atirador provavelmente agiu sozinho.

Detalhes importantes que ainda não sabemos:

  • O real motivo do ataque;
  • A escolha do alvo e do local;
  • Como o atirador conseguiu entrar no hotel com 17 fuzis, uma estrutura para atirar a distância e munição e ficar quatro dias no apartamento sem ser percebido;
  • Se o atirador já havia se hospedado anteriormente no hotel para escolher o apartamento e analisar o alvo;
  • Quanto tempo a equipe do hotel demorou para notar que o atirador estava em ação e chamar a policia;
  • Se alguém no hotel notou algo diferente na postura do atirador ou dentro do seu apartamento.

O resultado do ataque foi devastador e com tendência de piorar, pois ainda há um alto numero de feridos.
E é nesse momento que temos a obrigação de analisar os nosssos hotéis e entender se estamos preparados para algo semelhante.

É importante mencionar que tanto o atual massacre quanto o do hotel em Manila nas Filipinas este ano, onde foram assasinados 37 pessoas, não foram realizados por terroristas e sim por pessoas com dívidas ou com problemas psicológicos.

Temos que levar em consideração também que as mesmas armas que foram usadas para o massacre no show neste domingo, poderiam ser usadas para realizar um massacre dentro do próprio hotel, pelos mesmos motivos.

Basta imaginar que o show seria cancelado por algum motivo, o mesmo atirador poderia escolher o hotel como o seu alvo.

E a principal questão que sempre temos que analisar: será que tivemos sinais que poderiam indicar que algo errado estava para acontecer?

Como uma pessoa entra para um hotel com 17 fuzis, munição para 15 minutos de tiro automatico e com estrutura adicional sem ser notada? Como ele fica com todo o material 4 dias em apartamento onde entram colaboradores e ninguem desconfia?

As repostas para essas dúvidas, certamente serão respondidas nas próximas semanas, porém como na maioria dos casos semelhantes, provavelmente houveram indicadores que poderiam pelo menos alertado que a existência de algo de errado acontecendo dentro do hotel.

Para Otavio Novo, especialista de Gestão de Riscos e Crises, o caso de Las Vegas mostra a importância de uma preparação mínima para todos os estabelecimentos e atores do setor de turismo e hotelaria, independentemente da localidade ou do tamanho e tipo de operação, e acrescenta: “ Além das questões corriqueiras e danosas, as situações extremas como a ocorrida em Las Vegas estão deixando de ser exceções para se tornarem cada vez mais comuns, e portanto, é cada vez mais essencial que empresas, como os hotéis, criem a capacidade de reação adequada para situações de alto impacto. Isso é possível desde que haja uma preocupação desde, entre outros:

  • Contratação dos profissionais e a definição de cada responsabilidade;
  • Criação de uma relação plena com o poder público local para integração e definição de estratégia de prevenção e reação;
  • Preparação de todos os colaboradores para agirem na gestão de riscos e crises , de acordo com as suas capacidades e responsabilidades;
  • E mais especificamente para casos de situações de pânico, que podem ser de tipos diversos, ter um plano efetivo de evacuação e de preservação das pessoas em caso de perigo. 

Esses pontos serão fundamentais para a prevenção e reação em casos práticos e também para o posicionamento adequado dos estabelecimentos ao serem questionados pelo mercado e autoridades.”

Sobre o impacto nas localidades turísticas em casos como o do Hotel Mandalay Bay, Otavio Novo completa: “Não só o hotel, mas a localidade e toda a estrututura local, sofrerão os impactos desse acontecimento. Caberá aos profissionais do setor e ao poder público se unirem para a tomada das providências de evolução nos níveis de segurança e a volta da tranquilidade para o grande público desse importante polo turístico.”

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* Inbal Blanc* é sócio fundador da SEGURHOTEL, consultoria especializada em controle de perdas e segurança para hotéis. Possui 15 anos de experiência na área de segurança, tendo feito parte das tropas de elite do exército de Israel.

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* Crédito das imagens: divulgação do autor/arquivo pessoal

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