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Qua 05 Jul 2017

Márcio Moraes: O controller amável!


Márcio Moraes (fotos: divulgação/arquivo pessoal)

Quando saímos de casa para verificar a nossa aparência utilizamos o espelho para ver o cabelo, a roupa, o sapato e juntamente com a meia combinando com as demais peças para expressar nossa identidade visual. E como consigo saber o reflexo do meu comportamento? Não há espelho com essa perfeição, que possa refletir a essência ou ainda a imagem que se quer projetar. Com muita sensibilidade, perceber nas reações das pessoas, as respostas sobre as decisões que tomamos, também o quanto nos sentimos confortáveis ou desconfortáveis com as atitudes e tipo de linguagem que os demais empregam. O que nos leva a segunda reflexão, aprendemos a nos comportar como as pessoas desejam ou conseguimos mostrar o nosso “eu”? Esse é o dilema da maioria dos profissionais, pelo menos entre àqueles que tive a oportunidade de analisar o perfil comportamental, e a grande surpresa acontece quando eles percebem que projetam uma “imagem” muito distante da sua essência. 

O Controller realiza a gestão do setor administrativo com a responsabilidade de repassar e fazer os demais gestores e a alta administração obterem o conhecimento dos rumos da empresa. É necessário prestar contas, suas e dos demais setores, que estão diretamente relacionados a palavra eficiência e perfeccionismo. São chamados para reuniões de comitês corporativos, com investidores, acionistas, condôminos. Os resultados apontados por eles são temidos ou é a tábua de salvação para gerentes gerais e corporativos quando os resultados da empresa são expostos numa assembleia.

Revelam segredos! E dependendo do que é apresentado, são amados ou odiados. Tem na sua condição de trabalho atender os objetivos da empresa, nem que para isso seja o mensageiro de péssimas notícias. Passam despercebidos quando a empresa vai muito bem e são chamados à responsabilidade quando a organização está em crise. Na folha de pagamento apresentada por ele, quando chega-se a necessidade de revisar os custos com pessoal, também tem seu nome entre os possíveis cortes. 

Esse cargo carrega o estigma do individualismo e da meticulosidade, tanto que numa pesquisa realizada por uma empresa que analisa comportamento há pelo menos 20 anos, quando menciona Controller, além das duas características mencionadas acima, diz que é um profissional exato, sabe solucionar problemas complexos, tem raciocínio abstrato, detalhista, age com segurança e tranquilidade, consegue ouvir o ponto de vista dos outros, expõem suas ideias com clareza, tem capacidade de trabalhar em equipe e alto poder de concentração, atua de forma bastante cautelosa, apresenta condições de lidar com as circunstâncias de forma distanciada (não se envolve emocionalmente) e não faz questão de ser o centro das atenções. Até aqui nenhuma surpresa, segundo o estereótipo do cargo. Mais à frente explicarei porque não mencionei o nome da empresa. 

Tive a oportunidade de analisar dois perfis que apresentam uma essência fora do padrão que o mercado de trabalho determina e tem todas as competências técnicas necessárias para área de controladoria, incluindo a graduação em contabilidade. O que nos leva a crer que essa inclinação para os números os perseguem desde seus 20 ou 25 anos, atualmente um está na posição de Controller e outro alcançou o posto de diretor Financeiro e Controladoria. Falarei somente de um perfil para não estender demais essa conversa e chegarmos finalmente as conclusões. 

Pois bem, confesso que não me surpreende mais encontrar pessoas vivendo num universo diferente de sua essência e que para sobreviver projetam continuamente a imagem que o mercado de trabalho ou a empresa deseja, porém não sabem porque o trabalho é tão estressante, mesmo adorando o que fazem, justamente porque o problema está no “como faz”.

Esse perfil enigmático para área de Controladoria que uso como referência, na sua essência não suporta desavenças, pois entende que o mundo em si já é muito ameaçador e que as pessoas devem se unir para cooperar, e não para competir. Apresenta sempre uma solução para acalmar os ânimos dos outros e melhorar as situações. Com grande capacidade de adaptação, consegue lidar bem com cada circunstância, analisando o momento e não o futuro. Para ele, a hora de trabalhar para pacificar é o agora, e o futuro pode ser resolvido depois. É orientado para a rotina (ainda bem!), é metódico (ufa!), meticuloso (bom!), organizado (graças!), diplomático (pois é!) e autodisciplinado (que bom!). E é também paciente, amável e sente prazer em ajudar as pessoas. 

Porém, quando se projeta no ambiente de trabalho mostra-se rápido e direto, trabalha de forma independente, dispensando o tempo que seria necessário aos detalhes e as opiniões de outras pessoas. Delega, mas por não dar atenção aos detalhes, não faz qualquer acompanhamento, cobrando apenas o resultado final. Se mostra impaciente e irritado quando os acontecimentos não se desenrolam com a rapidez desejada. Evita, ao máximo, cometer erros ou falhas que, por sinal, representam o seu medo básico. É ativo, inquieto, com um permanente senso de urgência em sua prática profissional e pessoal, preferindo a diversidade de tarefas, e sendo bastante flexível a mudanças. Mostra-se impetuoso, com muita energia e impaciência com estilos opostos ao seu. Se perguntado, por que desse comportamento, logo responde, “assim o cargo exige”.

Quando colocado lado a lado, a essência e a projeção, o profissional percebe que são duas pessoas totalmente diferentes. A pergunta que fiz foi simples, “te cansa?”, e a resposta “muito, chego em casa cansado, exausto”.  Questionei se sente prazer em trabalhar, disse que as vezes sim, gosta do que faz. Exatamente, mas não do “como faz”. E fez a pergunta mais interessante de todas: “preciso mudar de cargo para ser feliz no trabalho?”

Aqui revelo porque não mencionei o nome da empresa da pesquisa sobre comportamentos, simplesmente porque não acredito em padronização comportamental para cargos ou que exista somente um tipo de pessoa para, por exemplo, o cargo de Controller, quando podemos descobrir que a essência de alguns servirão de diferenciais. Cabe ao profissional, após a descoberta do autoconhecimento, aprender a ligar e desligar “botões” comportamentais. 

Se esse profissional precisar ser mais objetivo e perseguir resultados incansavelmente, ter que trabalhar sozinho, em posição de autoridade isolada, e os demais outros fatores mencionados acima ditos como padrões para a função de Controller, será importante perceber que não é por toda a vida e sim por um breve momento, uma hora, duas, oito, mas não é uma rotina, quando não precisar mais desses fatores retorne para sua essência. E não esqueça, não comandamos o “como” recebemos as demandas e sim “como” as responderemos.  A equipe da controladoria adorará trabalhar com um líder amável e há empresas que valoriza um perfil Conciliador,  esse é o principal talento desse profissional. Siga em frente, respeite seu “eu”.  E tenha mais dias felizes! 

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Márcio Moraes é gerente de Carreira na QI Profissional, especializada no mercado de hospitalidade. Professor Universitário. Formado em Hotelaria,  especialista em Qualidade e Produtividade, Planejamento e Marketing, formação avançada em DISC (ferramenta de análise de competências comportamentais).

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