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Ter 28 Jul 2015

Guilherme Eichenberg, o mercado brasileiro e a dinâmica da gestão em unidades econômicas

Guilherme Rodigheri Eichenberg atualmente administra a unidade ibis em Foz do Iguaçu
(fotos: arquivo HN / Filip Calixto)

Em meados de abril deste ano, ao receber o Prêmio VIHP - Very Important Hotel Professional 2015 na categoria Gerência Geral - RevelaçãoGuilherme Rodigheri Eichenberg, à época responsável pela administração do ibis Macapá, no Amapá, ressaltou a importância do trabalho em equipe no nicho hoteleiro. Em seu discurso, o executivo ponderou que, mesmo em destinos longínquos é possível desenvolver bons trabalhos desde que haja união na equipe.

Recém-chegado à faixa etária dos 30, ele recebia a premiação correspondente à melhor performance de jovens gerentes. Pouco depois, deixou o Norte brasileiro rumo ao Paraná, onde, desde maio, coordena o cotidiano no ibis Foz do Iguaçu. Em seu novo ambiente de trabalho falou ao Hôtelier News sobre suas experiências, impressões e opiniões num mercado onde, segundo ele, a multiplicação de atividades e diversidade de tarefas é fundamental para o êxito.

Solteiro, apreciador de motocicletas, bacharel em Hotelaria, cursando MBA em Gestão Empresarial, iniciou sua carreira no métier como atendente de hospedagem. De lá para cá, passou por empresas com administração familiar, grupos de investidores, redes nacionais e internacionais e esteve em empreendimentos de médio e grande porte. 

Entre compromissos de trabalho e da vida acadêmca, o executivo tenta, como pode, exercer o papel de turista. Em sua passagem pelo Amapá, tentou desbravar alguns destinos turísticos como o Oiapoque - ponto mais alto do mapa brasileiro -, mas não teve sucesso pela dificuldade de transporte. Morando agora numa das cidades que mais recebe viajantes dentro do País, Eichenberg avalia que está em Foz do Iguaçu num momento que o público da cidade muda de perfil. "Hoje, pelo que ouço, o município tem novos frequentadores. Vejo muitos clientes internacionais que estão conosco e vem para aproveitar as belezas do lugar. Anteriormente muito do turismo aqui era para fazer compras no Paraguai e não pra ficar na cidade", diz.

Gaúcho de nascimento e com a experiência de morar em quatro regiões brasileiras, o gerente admira e ainda pretende trabalhar exatamente na região onde não residiu, o Nordeste. "A cultura do povo sulista é pensar muito no futuro e uma das coisas que descobri trabalhando pelo Brasil é como o nordestino vive alegre e com menos preocupação. Gosto dessa alegria", aponta. 

Como parte da série de reportagens sobre profissionais da hotelaria que levaram para suas casas o troféu do Prêmio Vihp - Very Important Hotel ProfessionalGuilherme Rodigheri Eichenberg pormenorizou, entre outros detalhes, seus métodos de trabalho e como acredita no aprendizado para gerar bons trabalhadores.

Por Filip Calixto


O executivo gaúcho recebe o prêmio das mãos de Juliana Di Stefani,
do Terraço Itália, em cerimônia realizada em São Paulo

Hôtelier News: Em formação acadêmica, você escolheu o curso de bacharelado em Hotelaria, numa época em que os cursos de tecnologia avançavam no Brasil. Analisando hoje, quais foram os pontos fortes do curso que fizeram dessa uma escolha certa?
Guilherme Eichenberg: Eu tenho o sentimento de que estava no lugar certo, na hora certa. Como o Bacharelado em Hotelaria ainda era diferencial, muitas empresas estavam de olho nos futuros profissionais que estavam estudando e muitas vezes eram contratados dentro da própria faculdade. Tive a oportunidade de cursar uma faculdade muito bem estruturada, onde recebemos a capacitação técnica necessária para iniciar no mercado de trabalho. Outro ponto forte foi o contato com profissionais que realmente trabalhavam com o mercado hoteleiro, passando qual era a realidade que iriamos encontrar.

HN: Na sua trajetória profissional, passou por duas empresas hoteleiras de alcances diferentes. Na que está ha mais tempo, fixou-se numa marca de empreendimentos econômicos, onde está hoje, mas teve conhecimento de outras bandeiras. Existe diferença no trabalho de liderança numa marca econômica para marcas de maior padrão? 
Eichenberg: Eu acho que no segmento econômico a proximidade é muito maior e a vivência é mais intensa, o que facilita o direcionamento do grande grupo. Em empresas de maior padrão onde o organograma é muito extenso, temos que ter multiplicadores para ajudar a repassar a nossa ideia.

HN: São dois idiomas, inglês e espanhol, além do português, os que você apresenta facilidades na comunicação. Quais foram os caminhos para adquirir tal habilidade?
Eichenberg: O espanhol era mais familiar, devido a proximidade da minha cidade natal da fronteira com a Argentina. O inglês, além do curso realizado, temos a grande oportunidade de poder exercitar nossa fala diariamente na Operação.

HN: Em seu currículo cosnta que atuou em empresas com administração familiar, grupos de investidores, redes nacionais e internacionais e em empreendimentos de médio e grande porte. Desde 2012 trabalha como gerente geral de unidades ibis. Quais foram os principais desafios nessa mudança de segmento?
Eichenberg: Eu acredito que cada segmento consegue contribuir para o crescimento profissional, mas no cenário atual, todos estão cada vez mais sendo econômicos, independente da bandeira. Sabemos que para sobreviver no mercado competitivo de hoje, além da qualidade exigida por nossos clientes, temos que gerenciar muito bem nossos custos para rentabilizar o negócio. 

HN: Uma das principais dificuldades relatadas por profissionais de gerência nestes momentos é a escassez de mão de obra qualificada e na quantidade necessária num curto prazo. Concorda com observações como esta e como acha que pode ser encontrada uma solução para esse problema?
Eichenberg: Todos os segmentos relatam essa falta de profissionais qualificados no mercado e outro ponto a ser destacado é que muitas vezes não conseguimos reter o bom profissional, pois as oportunidades acabam surgindo, juntamente com um melhor salário e como não podemos pagar aquilo que gostaríamos acabamos perdendo o profissional. Creio que a única forma de solucionarmos esse problema é estar realmente preparados para esta rotatividade, com treinamentos que sejam mais objetivos para conseguir atingir o padrão que esperamos.

HN: Assim como em qualquer outra equipe, num time de colaboradores de hotel é preciso manter a união para alcançar bons resultados. Qual metodologia utiliza para manter o grupo coeso, os clientes satisfeitos e os investidores atendidos em suas expectativas?
Eichenberg: Primeiramente temos que dividir as responsabilidades com a equipe, demonstrando que todos os presentes tem o mesmo objetivo, que é fazer com que o cliente saia satisfeito e que o negocio seja rentável. Eu acredito nessa filosofia e aplico em minhas equipes, pois quanto mais o colaborador se sinta responsável pelo resultado final, maior será o seu empenho.  Todos fazem parte do grande grupo que da vida ao hotel, independente de função e cargo. 

HN: Uma outra característica na administração de hotéis econômicos é assumir diversos setores como único gestor, sem haver gerentes intermediários. Qual foi a estratégia adotada para assumir a posição de gerente com conhecimento generalista?
Eichenberg: Durante esses 11 anos de hotelaria, passei por todos os setores que constituem um hotel, em diferentes bandeiras e categorias. Sabemos que os profissionais de hotelaria conhecem um pouco de tudo, pois muitas vezes temos que agir mesmo sem conhecimento técnico especifico para solucionar problemas momentâneos. Se formos analisar, vivemos hotelaria, seja em nossas casas, no restaurante que frequentamos, no hotel que estamos passando as férias, é difícil desligar 100% . 

HN: Neste cenário de múltiplas funções, houve uma necessidade de aprendizado e de adaptação e, nesses casos, quais ferramentas você utiliza para suprir a demanda de atividades desses setores?
Eichenberg: Dentro da própria empresa, temos diversos treinamentos que ajudam a desenvolver o conhecimento técnico, porém o principal é ter disponibilidade de atuar dessa forma. Sabemos que muitas vezes a vontade de querer resolver já é 50 % da própria solução. 

HN: Na sua passagem pelo Amapá você conseguiu uma premiação pelo tipo de gestão realizada. Quais foram as experiências marcantes nesta passagem e de que forma essa experiência lhe incentivou na carreira?
Eichenberg: Quando você se propõe a trabalhar distante dos grandes centros, porém em um hotel de rede, sabe que o seu principal desafio será manter o padrão com recursos limitados e isso muitas vezes é complicado, mas com certeza é gratificante quando o cliente reconhece a qualidade dos serviços prestados. Outro ponto muito positivo foi a questão comercial, pois realizamos um trabalho muito importante com as principais empresas da região que até então não tinham esse tipo de atendimento por parte dos hotéis que já existiam na cidade. Por isso, o retorno foi muito significativo. 
 


"No segmento econômico a proximidade é muito maior e a vivência é mais intensa"

HN: Atualmente trabalha numa empresa de presença mundial e numa marca globalmente conhecida. Considera hoje que teve retorno dos investimentos realizados na carreira? 
Eichenberg: Com certeza os investimentos que realizei na minha carreira foram reconhecidos e percebo que as oportunidades aparecem quase que proporcionalmente aos investimentos. Cada degrau técnico que alcançamos, nos dá acesso a níveis até então fechados, o que gera uma motivação para continuarmos investindo.

HN: Com a carreira ainda em início e experiências em quatro regiões do Brasil, como lida com as mudanças de cidade?
Eichenberg: Sempre digo que sou muito novo para reclamar e faz parte dessa carreira a mudança de cidade que, em si, não causa muito problema pra mim. A parte que cansa é o pós-mudança. A construção de um novo círculo de amizades, de inserção na sociedade local, de adaptação à nova cultura.

HN: Quais serão os próximos investimentos na carreira?
Eichenberg: Farei uma vivência no exterior, seja ela em forma de curso ou até mesmo uma experiência profissional, para ampliar os horizontes e aprender novas metodologias de gestão. 

HN: Um dos investimentos na sua trajetória profissional é um curso de MBA em Gestão Empresarial. De que forma esse complemento contribui para sua carreira?
Eichenberg: O mercado evolui muito rápido e sem ajuda especializada fica difícil de acompanhar. O curso de gestão ajuda a melhorarmos o desempenho do nosso negócio, aplicando o que temos de mais moderno no mercado. 

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