A diáspora público / privado no turismo brasileiro


A posse do ministro Gastão Vieira contou com a presença de
ministros e autoridades, inclusive da presidente Dilma Rousseff(foto: Johnys Julio / divulgação MTur)
 
Quase nove meses depois de embates molestos com a imprensa; acusações de viabilizar verba de R$ 20 milhões para financiar promessas de campanha da aliada maranhense Roseana Sarney (PMDB); um pedido de ressarcimento à Câmara dos Deputados de nota fiscal no valor de R$ 2.156, gastos em festa num motel de São Luís; o pífio desempenho administrativo; uma operação da Polícia Federal que prendeu nomes do MTur (Ministério do Turismo) sob acusações de participação em esquema de corrupção com uma ONG dita fantasma; novos questionamentos sobre uso de dinheiro público para pagamento de funcionários particulares; e, por conseguinte, o abandono de seu próprio partido, o PMDB, o deputado Pedro Novais saiu derrotado nesta semana em sua tentativa de manter-se à frente da pasta do Turismo.
 
Em contrapartida, na esfera privada, os últimos dias foram marcados por fornecedores do setor entusiasmados pela possibilidade de vendas aos hotéis; por muitos hoteleiros independentes circulando pelas ruas do Anhembi em busca de materiais e serviços para modernizar seus empreendimentos; por dados do Observatório do Turismo mostrando que a ocupação nos hotéis em São Paulo permanece, mesmo que de forma minguada, em crescimento consecutivo; e pela a própria direção da Equipotel, feira do setor que nesta edição tem expectativa de fomentar R$ 3,8 bilhões em negócios futuros, atribuindo o bom momento à perspectiva gerada pelos jogos mundiais que se realização no País.
 
Daí se desenha a diáspora do turismo no Brasil: o vertiginoso momento profícuo contrapondo com a estaca zero à qual o MTur se encontra, com um trabalho a ser (re)iniciado pelo peemedebista Gastão Vieira, que assumiu a pasta após o pedido de afastamento de Pedro Novais.
 
Ainda é cedo para dizer se o novo mandatário do Turismo está de gaiatice nesta história, e se o setor locupletou com a nomeação. É possível que os vultosos desvios de verbas públicas, questionamento maior no momento Pedro Novais, se mínguem em decorrência até mesmo dos olhos antitransgressão que estão envoltos no Ministério.
 
Todavia, Gastão Vieira, também aliado da família Sarney e maranhense, assim como o antecessor, pode desenhar uma gestão mais aprazível. Mesmo não sendo um técnico do turismo, pode agregar meios de gestão com a experiência que acumula como secretário de Educação - tarefa primeira do Ministério, tendo em vista problemas da mão de obra debilitada no setor em nome, vale o jargão, do atendimento à demanda dos mundiais esportivos.
 
Nessa linha de raciocínio, é notório que toda a economia da atividade tende a se beneficiar, a longo prazo, se a capacitação ganhar a sintomática necessidade que está dada, agravada alarmantemente com o burburinho Copa do Mundo. E Gastão Vieira pode ser luz à possibilidade.
 
Está dado que, num setor tão aquecido e com possibilidades palpáveis de sobejo contínuo, à guisa dos números que se consolidam e da expectativa que eventos como a Equipotel elucidam, o resultado prolífero deveria ser rijo. A questão de infraestrutura para os mundiais tende a sofrer embargo por essência e, dessa maneira, é na mão de obra que está a mobilização possível. É a providência saneadora que se dispõe e, com confiança no porvir, a que o novo ministro pode tornar viável a toque de caixa.
 
O setor continua esperando por um mandatário técnico que possa galgar a vocação deste magnífico País. Uma alternativa seria copiar os hermanos argentinos, que já consentiram que o turismo é uma das maiores fontes de receita atuais. Quem sabe, um dia, a quimera se torna realidade em terras tupiniquins?

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