Carlos França: diferenças entre São Paulo e Buenos Aires

Da Argentina
 

Carlos França, gerente geral do Marriott Plaza Buenos Aires
(fotos: Kim Mandel)

Carlos França nasceu em Portugal e trabalha no setor hoteleiro há 31 anos. Afirma que escolheu esta carreira principalmente pelo prazer de trabalhar com pessoas e prestação de serviços.

 

A atuação do executivo no trade teve início na recepção e, após dez anos, chegou à sua primeira gerência. Ocupou diferentes cargos, como chefe e subgerente de recepção, e logo estava à frente do departamento de hospedagem. Também trabalhou como gerente até chegar ao posto mais alto, o de gerente geral, função que desempenhou em várias redes hoteleiras.

 

Sua experiência a rede Hilton e a Marriott, na qual está há cinco anos e participou da conversão do São Paulo Marriott Airport e da implantação e abertura do Marriott Executive Apartments (Mea), também na capital paulista. Em breve completará dois anos na liderança do Marriott Plaza Buenos Aires, na Argentina.
 
Por Yanina Lo Giudice

 

Hôtelier News: Como foi sua adaptação em Buenos Aires?

Carlos França: Já estou completamente adaptado em Buenos Aires, que é uma cidade agradável, bela e com muitos atrativos, inclusive culturais, o que se alinha comigo. É um destino cosmopolita e as pessoas são hospitaleiras.
 
 

HN: Quais são as principais diferenças entre Buenos Aires e São Paulo?

França: Em São Paulo se dança o samba e aqui o tango. É preciso saber dançar conforme a música. São Paulo é uma cidade muito grande, é a capital financeira da América do Sul. Já Buenos Aires é um destino mais humano que o brasileiro, já que o último não pára de crescer, uma verdadeira selva de pedra, que é a terceira maior cidade do mundo. Isso te dá muitas alternativas, mas proíbe muitas coisas também.

 

HN: Como são os mercados das duas cidades?

França: O mercado de São Paulo é mais difícil que o de Buenos Aires. A super oferta de habitações é um de seus grandes problemas, já que a construção de flats e condomínios com serviços de hotelaria inundou o mercado e foi uma forma de investimento tanto para construtoras quanto para proprietários. Nos últimos dez anos houve profileração destes empreendimentos e o mercado ficou saturado.

Buenos Aires apresenta uma situação mais favorável. É uma cidade que está em moda na América Latina, o que é um grande benefício para os turistas e executivos de negócios e também pela taxa de câmbio do dólar em relação ao peso argentino.
 
A capital paulista é uma cidade de negócios e se destaca pela quantidade de eventos e convenções realizados. Buenos Aires conta com esses fatores, mas possui também um forte apelo turístico e cultural, com grande variedade de restaurantes, cafés e teatros, resultando em uma atração importante para os turistas, que viajam ao destino também para fazer compras.
 
  
 
HN: Em Buenos Aires há projetos que se enquadram ao conceito de flats. O que pensa que vai acontecer na Argentina em relação a isso? 

França: Não sei te responder. Isso vai depender do resultado financeiro dos empreendimentos. Se for positivo haverá demanda. Em São Paulo funcionou bem por um período, mas a construção exagerada superou a demanda.

 

HN: Como foi sua chegada em um hotel emblemático na cidade de Buenos Aires e que em 2009 celebrará seu centenário?

França: Estou muito orgulhoso em trabalhar no Marriott Plaza e estamos dando os primeiros passos para a festa do centenário. É um hotel ícone em Buenos Aires e faz parte de sua história e de sua cultura local.

 

HN: Está planejada alguma reforma para a comemoração dos 100 anos do empreendimento?

França:  Sempre estamos realizando reformas e manutenção preventiva e tratamos de manter o hotel o mais atualizado possível. Tivemos a iniciativa de implantar o Marriott Bedding, que foi uma ação mundial, e estamos remodelando os banheiros. Para 2009 instalaremos TVs de LCD em todas as habitações. Além disso sempre procuramos atender às necessidades dos executivos de negócios, nosso público principal.

 
 
 

HN: Quais são as expectativas para o futuro?

França: As perspectivas para este ano são muito boas. Temos uma política interna de cuidar de nossos clientes e proporcionar o melhor serviço, com cerca de 450 colaboradores que atendem entre 500 e 600 hóspedes quando o hotel registra ocupação plena.

 

HN: Você acredita que em alguns anos a América do Sul será o principal receptor do turismo mundial?
França:  Creio que sim. A Argentina tem muita beleza natural e há muito o que fazer e os profissionais do trade estão trabalhando pelo desenvolvimento do turismo diariamente. A região possui um potencial incrível. Agora os chineses estão viajando ao exterior. Quando começaram a desembarcar por aqui, será uma enxurrada. O mesmo acontecerá com os turistas provenientes da Índia. Temos muita confiança que isso irá acontecer.


HN:
Como se atenderá ao crescimento da demanda se a crise aérea continuar?

França: A hotelaria e o transporte aéreo precisam caminhar juntos. É preciso pensar em como solucionar o conflito quando a demanda aumentar. O viajante quer ter uma experiência sem problemas e a crise aérea atrasa todo o desenvolvimento do turismo.
 

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