Com mais benefícios, hotelaria deve ter mais responsabilidades


Gastão Vieira, ministro do Turismo, com a presidente
Dilma Rousseff na ocasião da sua posse como mandante da pasta
(foto: Johnys Julio/divulgação MTur)
 
Na última semana, o governo federal incluiu o turismo entre os setores beneficiados pelo Programa Brasil Maior - iniciativa que irá contemplar diferentes áreas da economia nacional com redução de alíquotas para impostos e desoneração em alguns casos. Vitória da indústria hoteleira, que já incluía o tema entre seus pleitos à Brasília há algum tempo. A decisão da presidente Dilma Rousseff é bem-vinda, uma vez que a questão tributária é entrave dos mais complicados para o Brasil como um todo, e para o Turismo em especial.
 
O excesso de impostos muitas vezes resulta em preços, já inflados normalmente pelo mercado hoteleiro, ainda mais exorbitantes. As campanhas em prol do turismo doméstico não dão conta de reter o viajante em território nacional quando a diferença entre preços aqui e no exterior fazem diferença no bolso do consumidor. Isso para ficarmos em apenas um exemplo, sem citarmos os benefícios trabalhistas e a competitividade resultante de tal medida.
 
A valorização do setor de Turismo pelo governo federal é algo que vem sendo debatido há tempos, principalmente após medidas recentes como o corte de orçamento e a consequente falta de verba para a realização do Salão do Turismo, tradicional evento promovido pelo Ministério do Turismo para o incentivo às viagens. Ao que parece, lentamente e a custo de muita movimentação da própria a indústria, alguns benefícios aqui e ali estão aparecendo, ainda que muitos apenas formalizados e por enquanto não concretizados.
 
Para Gastão Vieira, ministro do Turismo, a medida referente ao Programa Brasil Maior representa um avanço. Rubens Régis, conselheiro da Resorts Brasil, fez coro, prospectando resultados a longo e médio prazos. Ainda está-se a saber os detalhes de como esta ação irá tomar corpo. O momento é propício para o início imediato, tendo vista que os grandes eventos esportivos - justificativa preferida para todas as medidas tomadas dentro do setor - aproximam-se e demandarão toda o dinamismo e competitividade possíveis.
 
Por outro lado, também faz-se necessário que a própria indústria turística e hoteleira volte-se para si mesma, buscando aí algumas arestas ainda a serem aparadas. Alcançar o patamar de setor sustentável, de qualidade comparável a grandes referências mundiais, é resultado sim da participação governamental no processo de desenvolvimento da economia. E também da busca contínua por aprimoramento de toda a cadeia, em todos os níveis e áreas.
 
Entre as questões latentes e que, muitas vezes, parecem escapar pelos dedos dos profissionais da área estão a sempre presente falta de capacitação; a teimosia de manter as operações com processos arcaicos em vez de buscar por inovações; o excesso de entusiasmo no cálculo das tarifas a serem cobradas em determinadas ocasiões, enxergando somente o lucro e não a estratégia; o salário justo e a valorização da mão de obra. Os avanços vistos nos últimos anos em cada um destes pontos são positivos e um sinal de que é possível melhorar ainda mais.
 
A entrada da Hotelaria no programa Brasil Maior é uma prova de que o setor está sendo mais valorizado, que reconhece sua importância - ao menos na teoria. Para que esta iniciativa não morra nas belas praias brasileiras, a indústria deve-se provar pronta para o crescimento sustentável e merecedora dos benefícios oferecidos, cobrando o governo, se necessário, e trabalhando unida.

Comentários