Dia-a-dia do Amazon Ecopark por colaboradores

Conversamos com oito pessoas que trabalham no Amazon Ecopark: a coordenadora do setor de operações, dois guias, o copeiro, o barman que também é garçom, o gerente geral, o cozinheiro e a governanta. Como é o dia-a-dia deles? O que fazem? Confira a seguir.

Por Karina Miotto

Mara Fonseca, coordenadora do setor de operações


Entre um telefonema e outro, ela falou
com o
Hôtelier News
(fotos: Karina Miotto)

Hôtelier News: Qual é o maior desafio de sua profissão?
É saber que o trabalho não depende só de mim, mas do barqueiro, do guia, do recepcionista. Se um falha, falha tudo. Estamos todos ligados e precisamos trabalhar em sintonia.

HN: É preciso ser...
Ágil e ter o pensamento rápido. As condições climáticas aqui influenciam muito o nosso dia-a-dia. Em épocas de chuva, por exemplo, de repente temos sol forte e, no instante seguinte, uma tempestade. Você pode dormir com um roteiro, mas não com uma programação.

HN: E você fica o tempo todo 'ligada'?
Trabalho 24 horas por dia, meu celular não pára. Não tenho sábado, domingo, feriado...

HN: É difícil 'vender' hotel de selva?
O maior desafio é sempre mostrar os diferenciais. No nosso caso, uma das vantagens é que estamos super perto de Manaus, o que possibilita o check-in e o check-out 24h.

 

Anselmo Santos de Oliveira, guia


O Anselmo sabe tudo...

HN: Por que você decidiu ser guia de turismo?
Sempre gostei de biologia e de viajar, além de ter facilidade em línguas, então um amigo me convidou para participar de um trabalho quando eu tinha 18 anos. Nunca mais parei. Isso aconteceu há quase 15 anos.

HN: Quantos idiomas você fala?
Quatro: inglês, francês, espanhol e português.

HN: Já passou por situações de perigo na mata?
Sim. Quando você está no meio da floresta e começa aquele vento com chuva forte, não tem pra onde correr. Os galhos começam a cair, fica aquela coisa assustadora. No dia em que aconteceu isso me safei porque fui para uma mata mais baixa. Um guia deve estar atento a essas coisas e orientar o grupo antes de cada caminhada.


...e faz questão de explicar

HN: Você trabalha quantas vezes por semana? Atende quantas pessoas por mês?
Em média trabalho cinco vezes por semana e atendo de 25 a 30 pessoas mensalmente.

HN: Quais são as nacionalidades dos hóspedes mais bem informados sobre a Amazônia?
Os europeus são os mais bem informados. Eles sabem, por exemplo, que aqui não vão encontrar um animal em cada esquina. As pessoas têm uma idéia muito estereotipada da floresta. O guia deve ajudar os turistas a entender o que é isso aqui.

HN: Quais atividades você mais gosta de fazer com eles?
Canoagem a remo, principalmente à noite, em partes onde o rio fica mais estreito. É mais misterioso e importante que as pessoas sintam a aura da floresta.

HN: Você se imagina em outra profissão?
No momento não.

HN: O melhor de ser guia é...
Poder conhecer todo o seu estado e pessoas de várias partes do mundo. Eu gosto da liberdade, não me daria bem dentro de um escritório.

 

Wildson de Souza e Souza, copeiro


Ele lava muita louça por dia

HN: Como é seu dia-a-dia?
Faço tapioca e omelete de manhã, depois vou ao bar do restaurante. Começo a trabalhar à 7h. No meio do dia paro para descansar e recomeço à noite.

HN: Qual é sua principal atividade?
Eu lavo cerca de 300 peças de louça por dia e gosto do que faço.

HN: Você fala inglês?
Não.

HN: Como você faz para se comunicar com os turistas estrangeiros?
O que eles falam no dia-a-dia eu entendo. Mímicas e gestos também facilitam. Às vezes eles pedem no nosso idioma e aí fica mais fácil. (Há uma placa sobre o balcão traduzindo, do inglês para o português, frases do tipo: "uma água, por favor").



José Orivaldo, guia também conhecido como Iury

 
Iury gosta de adentrar a mata com apetrechos
indígenas de forte significado para ele...

HN: O que você mais gosta de fazer com os turistas?
Gosto bastante de caminhar pela mata. Além disso, eles se divertem no arco-e-flecha. Pratico o esporte desde meus cinco anos de idade.


...e tem paciência e gentileza ao ensinar arco-e-flecha

HN: Você faz algum trabalho diferenciado com os turistas?
Sim, também dou aulas particulares de sobrevivência na selva para quem se interessar. Ensino como caçar e fazer fogo.

HN: O que esse colar significa pra você? (Ele está vestido a caráter, gosta de entrar na floresta desse jeito e usa um colar grande e bem bonito no pescoço)
Foi o meu primeiro presente, ganhei do meu avô. Ele significa força e poder na hora de caçar. (Iury é descendente de indígenas do Pará).

HN: Você também poderia contar o por quê da sacolinha e da pena no cabelo?
Na sacola vão os dardos que uso para colocar na zarabatana e depois assoprar. E a pena é de gavião. (Uma ave de rapina que também inspira força).

 

Nires Torres de Lima, cozinheiro


Lima é tímido, mas gargalha ao se lembrar de um 
sonho em que estava na cozinha

HN: Quais são os pratos preferidos dos hóspedes?
Lagarto recheado
, Peito de frango grelhado, Peixe à milanesa, Salada, Pudim Mousse de cupuaçu e de maracujá.

HN: Já se assustou com algum pedido extravagante?
Se estiver ao meu alcance, vou atrás. Gosto de desafios. Uma vez pediram piranha, não tínhamos, fomos comprar em Manaus e, quando percebemos, estava tudo pronto às 10h30 da manhã.

HN: Você cozinha quantas horas por dia?
Em frente ao fogão, fico umas quatro horas e meia.

HN: Já sonhou que estava cozinhando?
Muitas vezes. No último sonho que tive, eu estava na cozinha fritando um bife. Saí correndo para atender o telefone e quando voltei, correndo também, o bife estava queimado, com a frigideira completamente preta.

 

Maria de Fátima Mendes da Silva, governanta


Governantas são verdadeiras guerreiras

HN: Quanto tempo você demora para limpar cada quarto?
Mais ou menos 20 minutos, dependendo do hóspede. Posso ficar no máximo 25 minutos em cada habitação. Ao todo são 16 apartamentos por dia.

HN: Faz algum alongamento antes e depois do trabalho?
Não faço e sinto muitas dores nas costas depois do serviço completo.

HN: O que é mais difícil arrumar? E o que é mais fácil?
Ah, desentupir o vaso sanitário e arrumar a cama, nessa ordem.

 

José Ferreira, garçom e barman


Enquanto trabalha, uma arara fica de olho nele
(acima, à esquerda)

HN: O que você mais gosta de fazer aqui?
De conhecer as pessoas, atender bem e receber meu dinheirinho.

HN: Qual é a sua especialidade no bar?
Os hóspedes gostam bastante de Tekila, além da caipirinha que preparo.

HN: Como é trabalhar em clima de praia?
É legal. Você fica bem à vontade, livre, perto do público, da natureza.


José entre os hóspedes Kathy e Bob

HN: E a arara está sempre de olho em você?
A companheira dela faleceu. Então quando tem gente no bar ela aparece.

HN: O que você gosta de fazer quando tem folga?
Curtir a família, cuidar do meu quintal e ouvir música.

 

Lucio Rodrigues, gerente geral


Correria, sim. Mas relax também

HN: Qual é a vantagem de trabalhar em um visual desses?
Depois de um dia cheio de preocupação é bom poder entrar neste barco e voltar para casa sentindo um ventinho no rosto.

HN: Você prefere hotel de selva ou escritório?
Estou mais habituado a um escritório. Essa é a primeira vez que fico direto dentro de um hotel de selva. Tem sido uma experiência interessante. Essa viagem todo dia é um relax mental.

HN: O que você fazia antes de vir trabalhar aqui?
Era supervisor de Operações do próprio Amazon Ecopark.

HN: Se você pudesse definir em palavras como é passar três dias aqui, quais você escolheria?
Conforto: os quartos têm ar-condicionado e chuveiro quente, sem considerar outras coisas gostosas como a comida, por exemplo.

Aventura: aqui vemos gaviões pescando, cobra. Embora você esteja perto de Manaus, também está na floresta.

Tranqüilidade: convivemos com o silêncio absoluto.

Amizade: como não temos TV e estamos isolados, fica bem mais fácil fazer amizade.

Passado: no meio da selva voltamos a um estado primitivo, nadamos nessas águas que aqui estão há milhares de anos, vemos árvores centenárias.

Reflexão: isso tudo o que eu falei nos induz, naturalmente, a um estado de reflexão.

Serviço
www.amazonecopark.com.br

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