Dináurea Cheffins: Como funciona o RH engajado e estratégico da Atlantica Hotels

Dináurea Cheffins, vice-presidente de Recursos Humanos da Atlantica Hotels (foto: divulgação/Voice Comunicação)
Dináurea Cheffins, vice-presidente de Recursos Humanos da Atlantica Hotels
(foto: divulgação/Voice Comunicação)

A área de Recursos Humanos dentro de uma empresa é quem desenvolve os planos de carreira dos colaboradores, trabalha as expectativas tanto dos profissionais quanto da própria companhia, cria uma estratégia de gestão de pessoas e organiza os processos de seleção, contratação e qualificação dos funcionários. Dentro dos hotéis, é um setor que normalmente não atua sob os holofotes, mas acaba impactando em toda a operação do empreendimento. 

Por outro lado, o departamento está diretamente ligado com pontos essenciais discutidos atualmente no setor: a capacitação dos colaboradores e os altos índices de turnover dentro dos hotéis. 

Um dos exemplos de RH fortemente atuante - e que, inclusive, chega a figurar como personagem principal de algumas ações importantes da rede - é o da Atlantica Hotels. Representado pela figura de sua vice-presidente, Dináurea Cheffins, o departamento destaca-se por sua atuação em dois "flancos" principais: o desenvolvimento de profissionais, especialmente com a adoção do recurso da Cidade Virtual, e o engajamento contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Com 15 anos de Atlantica, a executiva, formada em Psicologia, desenvolveu toda sua vida profissional em torno da área de Recursos Humanos. Após passar pela área de psicologia clínica, foi trabalhar como estagiária no Maksoud Plaza, em São Paulo. Atuou ainda no antigo Hotel Quatro Rodas de Recife, no Sheraton da capital pernambucana e pelo Sheraton Rio, onde ficou por nove anos. 

Em entrevista ao Hôtelier News, ela fala sobre a função estratégica da área, sobre a implantação de determinadas políticas e na organização e objetividade dos procedimentos internos para obter o melhor resultado possível. E repete o slogan de seu departamento: "A Atlantica tem que hospedar primeiro profissionais felizes".

(foto: arquivo HN/Juliana Bellegard)
(foto: arquivo HN/Juliana Bellegard)

Hôtelier News: Dentro da Atlantica, como é a atuação do departamento de RH?
Dináurea: O que tentamos é ser uma área estratégica, para não ficar distante dos outros departamentos. Então, criamos ações que ajudem os outros setores a obterem empresa resultados melhores, pessoas mais qualificadas. Um de nossos braços de atuação é um programa de adequação das carreiras. Quando um colaborador entra para a nossa empresa, fazemos o mapeamento de suas qualificações, habilidades, competências. Assim, é possível direcionar a pessoa para uma determinada posição e os treinamentos subsequentes para seguir seu potencial. 

Temos uma política de realizar internamente pelo menos 80% das promoções. Obviamente, quando não houver nenhum profissional preparado em nosso staff, buscamos no mercado. Para preparar os colaboradores, fazemos uma grade curricular para cada função. Ela determina quais os treinamentos necessários para até os próximos 18 meses da pessoa naquela função, para que, posteriormente, ela possa ser promovida. A Universidade Corporativa - meu xodó - é que possibilita este trabalho.

Isso faz com que todo mundo abra os olhos para o que é preciso fazer para crescer. Por isso, as pessoas gostam e querem trabalhar na Atlantica, porque elas sabem que quando elas entram vão aprender, vão se desenvolver. 

(foto: arquivo HN/Filip Calixto)
(foto: arquivo HN/Filip Calixto)

HN: Como se dá o processo de seleção dos profissionais para a rede?
Dináurea: Este é um ponto pelo qual primamos muito. Temos um modelo de entrevista para cada posição, que avalia o profissional dentro do que nós queremos, buscando as características inerentes aquele cargo. Há um perfil para aquela função, e aplicamos um questionário para os candidatos. Por meio de um sistema de computador, cruzamos estas informações.

Depois disso, a integração, para mim, é o que determina todo o processo de fixação do funcionário. Eu tenho que escolhê-lo e ele tem que nos escolher - tem que ser uma mão dupla. É preciso que haja essa integração: deixar claro o que a empresa espera dele, e o que ele espera da empresa. 

Fazemos, semestralmente, uma pesquisa para elaborar o índice de satisfação do colaborador com a Atlantica. A partir deste resultado, trabalhamos junto com os chefes de departamento e gerentes gerais para buscar maneiras de engajar mais este funcionário. Se ele dá uma nota menor que cinco, é porque ele não está engajado. Então a gente vai procurar saber o porquê disso. 

HN: O que é a Cidade Atlantica? Como ela integra as atividades do RH?
Dináurea: É uma ferramenta virtual aberta para o acesso de todos os colaboradores, e que conta com 12 "prédios" com temas diferentes. Por exemplo, há a Biblioteca, onde estão todos os procedimentos e padrões de todos os departamentos da empresa. A Universidade é o espaço que amplia o acesso às capacitações.

Temos, hoje, em torno de 110 programas de treinamento à disposição dos funcionários, para que ele possa se desenvolver e cumprir a grade curricular para a sua função. O corpo de professores e treinadores de cada uma das áreas é muito bem qualificado; há um chat para tirar as dúvidas dos profissionais que realizaram determinado treinamento. Isso completa os programas presenciais da Universidade Atlantica. 

Layout da Cidade Atlantica (imagem: divulgação/Voice Comunicação)
Layout da Cidade Atlantica
(imagem: divulgação/Voice Comunicação)

HN: O que você considera ser o maior desafio para o RH hoje?
Dináurea: Vamos enfrentar um grande desafio agora com a implantação deste programa do governo federal chamado de eSocial. A proposta é integrar as informações do RH da empresa com os órgãos públicos, Receita Federal, INSS [unificando o envio das informações do empregador para o governo]. O primeiro prazo estabelecido para a implantação deste envio era outubro, mas nós iniciamos o processo no mês de junho.

Por que isso? É para não corrermos o risco de errar com o colaborador, respeitá-lo. Antes, cumpríamos com esta prestação de contas, mas os dados eram entregues um mês depois. Agora, vai ser tudo online. É preciso que tudo chegue corretamente para a Receita Federal. Por exemplo: se o colaborador não marcar o cartão de ponto dele correto, a notificação para a empresa vem online e na hora, porque o sistema é conectado com o governo. 

Será necessária uma reeducação dos chefes de departamento, dos colaboradores. Mas Vai permitir que o RH seja visto como um ponto estratégico importante da empresa, e não como um executor. E este novo sistema, na minha opinião, vai diminuir bastante o turnover do hotel. Porque vai mostrar o que a empresa está fazendo de errado, mas também acusa se o colaborador não cumprir com sua parte nas obrigações. Em princípio, foi assustador, mas vai ser um grande benefício.

HN: Outro ponto de destaque da atuação do RH da Atlantica é o engajamento com a causa da erradicação da exploração sexual de crianças e adolescentes. Como isso é trabalhado?
Dináurea: Acho que foi uma atitude muito corajosa da Atlantica tmar parte nesta causa - muitas vezes limita-se a dizer "não, isso não acontece nos nossos hotéis". Desde 2005, a rede é parceira da Childhood Brasil, uma ong fundada pela rainha Silvia da Suécia. Optou-se por entender a causa, o que acontece nestas situações de exploração. Temos um grupo de trabalho que atua diretamente com os chamados pontos focais - o colaborador que, dentro de cada unidade hoteleira, é responsável por disseminar as ações, por meio dos treinamentos, da legislação, das campanhas.

Hoje, os contratos de trabalho dos colaboradores têm uma cláusula apontando que todos nós somos responsáveis por não deixar entrar crianças e adolescentes no hotel sem pai, mãe, documentação necessária ou autorização legal. Essa é uma etapa difícil, porque ainda hoje chegam hóspedes sem documentos, principalmente brasileiros. Nosso pessoal de reservas é treinado para detalhar na reserva se há um menor de idade no apartamento e fornecer as informações necessárias para a hospedagem.

Temos ações ao longo do ano: a mais recente, em 18 de maio, com o lançamento do selo Criança aqui é legal [imagem acima]; além do Dia das Crianças, Natal. Divulgamos do Disque 100 do governo, onde pode-se fazer denúncias. Também temos uma cartilha impressa para ser distribuída nos hotéis, com toda esta orientação e informações sobre a Childhood, se ele quiser contribuir. O meu sonho é que todas as redes hoteleiras utilizem isso. Que o turismo do Brasil não deixe que crianças e adolescentes sejam exploradas.  

Serviço
www.atlanticahotels.com.br

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