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Qua 14 Jun 2017

Hotéis estão encolhendo apartamentos e apostando nos lobbys e áreas comuns; entenda

Se você precisar de algo que não esteja a disposição no quarto do hotel  - uma revista ou qualquer outro item que não esteja incluso na oferta do room service do empreendimento - você terá que vestir calças para sair, certo? Calças apropriadas o suficiente para uma caminhada até o lobby, onde outros hóspedes estão tomando cappuccinos em espreguiçadeiras ou digitando em seus notebooks. Calças apropriadas para o bar, calças apropriadas para circular na área comum, hoje elevada a um nível que mais se assemelha a um "happening", tendência crescente em todo o mundo.

Durante décadas, as áreas comuns dos hotéis não eram concebidas para reunir pessoas. No entanto, de uns tempos para cá, gigantes da hospitalidade como a Marriott International e o Hilton, juntamente com os seus concorrentes independentes, estão investindo no espaço como um complemento mais que especial para a experiência do hóspede. Dessa forma, as áreas ganharam vistas mais deslumbrantes, ambientes mais luminosos e arejados e locais para descanso, leitura e trabalho, tudo com o objetivo de agregar valor para o viajante moderno.

Por Leslie Josephs para o Quartz Media

Um bom exemplo dessa transformação é o Public Hotel, de 370 apartamentos, aberto na última semana na região do Lower East Side, em Manhattan, nos Estados Unidos. A inauguração contou com a performance da cantora e compositora Patti Smith. O empreendimento tem muitos espaços onde os hóspedes podem circular livremente, incluindo o terraço, com vistas para a cidade e diversos sofás brancos. Há três bares, um hall de entrada, um "ponto de encontro" e uma boate com vistas de 360 graus da cidade. Ao invés do room service, os hóspedes podem escolher entre dois restaurantes: um grab and go, ou o restaurante principal, com área para fumantes e menu elaborado por Jean-Georges Vongerichten. Um dos bares da unidade terá programação de stand-up comedy, além de apresentações teatrais, concertos e exibições de filmes. Isso tudo não faria sentido sem o acesso Wi-Fi, que permeia os quartos e áreas comuns. O hotel trabalha com tarifas a partir de US$ 150 por noite.

O Public Hotel é um projeto de Ian Schrager, mais conhecido por ter sido o co-fundador do Studio 54, uma das boates mais famosas da década de 1970, frequentada por artistas do porte de Rod Stewart, Mick Jagger e Jack Nicholson. Schrager especializou-se nos anos seguintes em hotéis boutique, e atualmente é um dos hoteleiros que mais demonstram interesse no conforto dos millennials e nas novas tendências da hospitalidade para o viajante moderno.

Alexandra Jaritz, gerente de uma unidade da marca Tru by Hilton, diz que uma pesquisa da empresa descobriu que muitos clientes querem espaço sociais, mesmo que não os utilizem para interagir uns com os outros. Ela os chama de hóspedes "socially alone".

"Existe um conceito na sociologia de um terceiro espaço", diz Sherry Turkle, professora de Estudos Sociais no Massachusetts Institute of Technology, que recentemente desenvolveu uma pesquisa sobre interação social por meio da tecnologia. "O indivíduo não está em casa, mas também não está em lugar ao qual não pertence. Um hotel é um hotel", pontua.

Lobbies luxuosos e espaços de trabalho em comum também podem ter um viés estratégico: cada vez mais os hotéis encolhem os apartamentos e limitam as amenidades para apenas o essencial. O espaço privado limita o tráfego de pé, e o hóspede sente mais conforto em transitar e permanecer nas áreas comuns, próximo aos pontos de venda de alimentos e bebidas.

* Crédito da foto: Pixabay/19dulce91

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