Nacional, Allia Hotels atravessa fronteiras em projeto de R$ 1,2 bi

Allia Hotels (foto: Filip Calixto)
Empresa foi criada em 2010 como união de três companhias (fotos: Filip Calixto)

No auge do otimismo brasileiro acerca da expansão da rede hoteleira no País, em meados de 2010 - quando já era sabido que por aqui seriam realizados eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas -, as lideranças de três redes nacionais anunciaram a criação de uma quarta companhia, unindo os estabelecimentos de todas elas. Naquele primeiro encontro, era apresentada a Allia Hotels, empresa resultante da junção de Bristol Hotels, Plaza Inn e Grupo Solare. Promissora, a parceria de três alicerces - que na verdade era uma nova companhia de capital fechado - acabou perdendo uma de suas contribuições com a aquisição do Grupo Solare pelo BHG (Brazil Hospitality Group). Mesmo com o desfalque, a aliança não esmoreceu, e segue atuante operando com ambiciosos planos de expansão e vigor para explorar Estados ainda não presentes no portfólio.

Atual administradora de 30 empreendimentos no Brasil, a Allia Hotels ocupa a décima colocação no ranking anual de rede hoteleiras presentes no País, conforme informou o último relatório da Jones Lang La Salle - que mensurou o cenário nacional no encerramento de 2013. Mesmo figurando entre as dez primeiras companhias, o planejamento da organização deve melhorar sua colocação já em 2014, ano que marca o início de uma série de aberturas previstas num cronograma agressivo de ampliação.

Em andamento, o projeto de crescimento da rede prevê 9,8 mil novos apartamentos distribuídos em 60 empreendimentos com contratos já formalizados. Para tirar do papel as seis dezenas de unidades, o investimento deve chegar a casa dos R$ 1,2 bilhão e alcançar 56 destinos espalhados por quatro regiões brasileiras em três anos. Completa , a iniciativa de expansão pode ainda ganhar mais capítulos com a adição de três meios de hospedagem que momentaneamente estão em processo de negociação.

A despeito dos contratos ainda não firmados, o plano de ampliação começa dando certo. A comprovação vem já este ano com a abertura de dez novos hotéis. Contundente, o roteiro de inaugurações é liderado, sobretudo, pela marca Bristol - que ganhará duas bandeiras. Mas também conta com a participação das outras marcas da rede, Plaza Inn e All Inn. Para conhecer de perto o mais novo passo da rede, a reportagem conversou com a representação da empresa e pode entender com mais detalhes quais os planos e pretensões da aliança Allia.

Por Filip Calixto*

Bristol Hotels (foto: Filip Calixto)
Uma das unidades Allia em Vitória, cidade que mais abriga hotéis da rede

"Até 2017, teremos oferta de 12 mil unidades habitacionais e estaremos presentes nos seguintes Estados: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins", enumera Luiz Fantin, diretor de Marketing da companhia, obedecendo a ordem alfabética e rabiscando letras indecifráveis em um papel sobre a mesa num dos hotéis da rede em Vitória (ES), onde ocorreu a entrevista.

Executivo de carreira consolidada, Fantin chegou à Bristol, que posteriormente passou a ser Allia, em janeiro de 2004. À época, o principal nicho de atuação da empresa era o mercado mineiro, Estado onde a companhia nasceu. Desde então, sua vida particular entrelaça-se com a curva de expansão da corporação, que a essa altura adotou o Espírito Santo como foco de ampliação. Hoje, o executivo reside e coordena as ações da corporação do território capixaba, região onde está o maior número de hotéis da companhia. São dez unidades espirito-santenses contra sete paulistas, sete mineiras, cinco goianas e uma brasiliense.

"No Espírito Santo está e continuará nosso maior market share. Apesar disso, também ganharemos força em Minas Gerais e no Rio de Janeiro", prevê o executivo, fazendo uma ressalva sugestiva e lembrando uma recente pesquisa do Ministério do Trabalho que aponta Vila Velha (ES) como município com maior média salarial do País. A confirmação da supremacia capixaba nos anseios da Allia Hotels vem com a tabela de novas unidades: Aracruz (1), Cachoeiro de Itapemirim (2), Cariacica (1), Colatina (1), Domingos Martins (1), Linhares (2), São Mateus (2), Serra (3), Vila Velha (1) e Vitória (3) - somando 17 novas representações.

Luiz Fantin (foto: Filip Calixto)
Há 40 anos na hotelaria, Luiz Fantin revela planejamento da empresa para os próximos três anos

Segundo Estado na ordem de antigos e novos hotéis, Minas Gerais ganhará 15 meios de hospedagem. Dois na capital Belo Horizonte e o restante está distribuído por municípios como Betim, Caratinga, Governador Valadares, Ipatinga, Itabira, Itabirito, João Monlevade, Lagoa Santa, Montes Claros, Pouso Alegre, São Gonçalo do Rio Abaixo, Viçosa e Ubá; cada cidade com um empreendimento.

No Rio de Janeiro, o número de inaugurações chega a 12, ao passo que na Bahia são seis, em São Paulo cinco e no Maranhão dois. Completam a lista Amazonas, Goiás, Pará e Tocantins, cada Estado com um hotel.

Evidente, a discrepância entre os destinos alcançados também entrou na conta e nas declarações relativas ao movimento. Segundo a diretoria de Marketing, seja qual for a região ou o empreendimento aberto, o público alvo permanece um: o segmento corporativo, de executivos em viagens a trabalho, que é filão predileto dos empresários e investidores do ramo.

Ciente de que para receber clientes com as mesmas características é necessário oferecer uniformidade no atendimento, Fantin salienta outro aspecto, de igual importância, que também entra na política de implantação hoteleira. Para ele, há que se respeitar também o DNA, a origem de cada empreendimento, aspecto que está intimamente ligado a itens geográficos e de localização.

Luiz Fantin (foto: Filip Calixto)
Enfático, o diretor de Marketing da empresa também raciocina com rabiscos no papel

Diversificando investimentos
Para passar de 30 a 90 unidades não existe mágica. Tampouco para viabilizar um programa que triplica a quantidade de propriedades. Nesse caso, diga-se, a diversificação de investimentos e investidores é o mecanismo mais comum. A regra vale com exatidão na saga de acréscimo da Allia Hotels.

A incorporação desses hotéis, que exige mais de R$ 1 bilhão em aportes, se dará com diferentes modalidades de investimentos, conforme conta o diretor de Marketing. Entre as estratégias adotadas para fincar a bandeira da empresa, a única exceção ocorre com a manobra conversão - assumir a operação de um hotel que já está funcionando. No mais, todas as ferramentas de viabilização devem ter espaço.

"Todos os novos hotéis serão construções e a maioria deles financiadas por investidores pulverizados [quando cada quarto ou cada pavimento de um empreendimento é de propriedade de um investidor diferente]", revela o executivo complementando que nesse montante há também hotéis com aplicação financeira da própria rede e edifícios de apenas um investidor.

Sobre o retorno das verbas empregadas nas unidades, o representante Allia Hotels tem previsões otimistas. "Acredito que o prazo de seis meses é o espaço de tempo médio para que o investidor comece a ter retorno de capital", pondera.

Tal consideração é embasada, segundo ele, em pesquisas e estudos preliminares, realizados ainda antes do lançamento oficial do projeto hoteleiro. Nesses levantamentos, são examinadas questões como quais características têm a região, o que há e o que haverá de atrativos no destino, qual a frequência de visitas de executivos, e assim por diante. Certo é que, conforme reitera a rede, a instalação hoteleira só chega onde há demanda.

Luiz Fantin (foto: Filip Calixto)
Fantin representa a empresa desde 2004

Movimento liderado por marcas
Maior empresa de capital exclusivamente nacional a atuar somente dentro do Brasil, de acordo com a própria diretoria, a Allia Hotels deposita na marca Bristol seu principal esforço de crescimento. É atrelando duas novas bandeiras à marca mineira que a companhia pretende mergulhar no que considera a seara mais profícua no setor, os hotéis de classe econômica.

"A procura por hotéis econômicos é um comportamento de mercado que se repete no Brasil inteiro. E é uma tendência de demanda responsável por preparar nosso crescimento", argumenta Fantin com a expertise de quem completou recentemente 40 anos de trabalho hoteleiro e fez parte da primeira turma de Turismo formada pela Universidade Anhembi Morumbi, em 1971.

Para fortalecer a marca e ingressar com nova cara no nicho de hotéis econômicos, a cartada é a bandeira Easy, que está presente em 25 unidades das futuras inaugurações. Os Easy são meios de hospedagem parecidos. Os quartos tem 15,5 m² cada e as diretrizes básicas para o funcionamento da unidade são conforto de alto padrão com serviço básico. Nesses estabelecimentos, todos os hóspedes terão disponíveis facilidades como café da manhã, internet, frigobar, apartamento com ar-condicionado e estacionamento.

Na mesma linha, de criação de bandeira, a empresa implanta também a marca Express, que tem características de hotel econômico médio e também será adicionada ao nome já existente Bristol.

Unidas, como planejado quando do acerto da parceria, Bristol e Plaza Inn iniciaram a jornada até 2017 e começaram a fazer os lançamentos de suas primeiras unidades. Além dos dez que abrem as portas este ano, para a próxima temporada espera-se a abertura do supereconômico Bristol Easy Itaparica, em Vila Velha. No ano seguinte o destaque é a chegada ao Pará, com o Bristol Parauapeba Hotel, e para 2017 é possível citar o Bristol Easy Hotel Itaguaí, no Rio de Janeiro.

Em sintonia com o momento de efervescência vivido por muitos representantes da hotelaria nacional, a ofensiva da Allia Hotels confirma índices setoriais que revelam sensível crescimento no parque hoteleiro brasileiro. À sua maneira, a ação da organização contribui para o desenvolvimento de um segmento no qual as redes ainda são minoria - 72% dos hotéis brasileiros são independentes, segundo dados do Fohb (Fórum dos de Operadores Hoteleiros do Brasil). Para Fantin, os números relacionados ao projeto de ampliação reforçam o poder não só da companhia, mas das empresas nacionais de hotelaria.

Serviço
www.alliahotels.com.br

* A reportagem do Hôtelier News viajou ao Espírito Santo a convite da Allia Hotels  

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