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Seg 10 Dez 2012

O turismo comunitário como produto

Pousada Ecológica Seringal Cachoeira une

comunidade local com atividade turística

(foto: Seringal Cachoeira / divulgação Facebook)

O Brasil reúne todas as condições naturais para viver uma realidade turística que se assemelhe à de países referência no quesito. A saber, eliminando o clichê praia, vale citar nossa famigerada Mata Atlântica - que delineia toda a linha do litoral brasileiro e, apesar de reduzida a poucos fragmentos nas últimas décadas, ainda conserva uma biodiversidade entendida como uma das maiores do planeta.

Daí já há um "produto", tomando os devidos cuidados com o termo marqueteiro, a ser difundido e que pode não só robustecer a imagem turística tupiniquim frente aos estrangeiros, mas também melhorar a economia das comunidades presentes em dadas regiões.

As pelejas, é claro, estão incrustadas aí. Num lado, seria preciso um ambiente propício para este tipo de atividade, com participação efetiva do governo federal no que tange à produção de políticas regulatórias para esta vertente. Para citar baixo, isto só seria possível com um contato a longo prazo com comunidades indígenas locais, por exemplo, notadamente de forma benéfica e respeitando as tradições destes povos - que, por ironia, tampouco os brasileiros conhecem.

O passo primeiro e ponto sensível, há de se dizer, vem com a criação de uma estrutura jurídica que reconheça, regulamente e garanta a atuação de forma sustentável de "empresas" turísticas que possam alinhavar este processo, a exemplo do que já acontece - ainda de forma prematura - na pousada Seringal Cachoeira, a pouco mais de 180 km da capital acriana.

Nesta região do Norte brasileiro, seringueiros seguem seus rituais para a extração de látex e atendem, em meio à atividade cotidiana, turistas de algumas partes do mundo que começaram a se interessar por este tipo de contato com culturas díspares.

As cerca de 90 famílias da região vivem dos lucros obtidos na pousada, na extração de borracha e com os visitantes que passam pela floresta amazônica no chamado Circuito de Aventura Chico Mendes, inaugurado no início deste ano.

São atividades de arvorismos acrobático e contemplativo, rapel, tirolesa, cicloturismo e caminhada onde décadas passadas Chico Mendes lutou e cortou seringa - fato histórico que, por si só, também funciona como atrativo.

Ou seja, há meios para fazer, é fidedigna a afirmação de que isto pode trazer um novo leque à atividade turística brasileira e não se trata apenas de levar turistas para passear em favelas do Rio de Janeiro. O ponto é priorizar.

Se desenvolvido, em regiões como a da Seringal Cachoeira, este ciclo turístico tende a minguar a pobreza de muitas populações e se configurar como um produto mais do que valioso para que o índice de estrangeiros que visitam o País se eleve. Em contrapartida, se não forem atendidos os preceitos jurídicos e sustentáveis citados, estes patrimônios naturais e culturais tendem a se extinguir como muitas outras coisas que o lucro já fez virar lenda no Brasil.

É claro que são questões que não dizem respeito só ao Estado, mas também ao empresariado do setor. Todavia, a falta de articulação e ação para tais intentos não isenta a responsabilidade de nenhum dos lados em âmbito coletivo.

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