Seriedade e MTur, questões para contraste

Montagem do Salão do Turismo de 2010
(fonte: turismo.gov.br)
 
O maior e mais debilitado buraco do MTur (Ministério do Turismo) tem sido o déficit de seriedade e engajamento. Não raro, declarações de Pedro Novais, responsável pela pasta, deixam tangível o ar lúdico com que o octogenário administra o Ministério - valem citações dizendo que ele não vai apitar nada nas decisões centrais sobre a Copa e as Olimpíadas, e que sua única incumbência é capacitar 306 mil prestadores de serviço e nada mais. Ou seja: o ministro tem função alegórica em sua casa e pouco se posiciona num setor que vive talvez o momento mais prolífero de sua recente história no Brasil.
 
Por agora, meados desta semana que se inaugura, o MTur tem pela frente o que chamam de maior evento do setor: o Salão do Turismo - Roteiros do Brasil, definido pelo jargão do trade - este, diga-se de passagem, outro jargão inventado - como a maior vitrine para a atividade. É lá que se espera uma visibilidade maior dos muitos atrativos que o País oferece. Para tanto, é hora de Pedro Novais, quem sabe, trazer para o currículo ações que sigam na contramão das que têm figurado em seu nome.
 
A exemplo concreto, ele somente fez uso de sua função para assinar dois convênios com o governo do Maranhão, sua terra natal, com aporte de mais de R$ 20 milhões para obras de infraestrutura turística, como já citado por aqui.
 
No limite, assinou apenas um ato oficial nos mais de seis meses à frente do MTur: a portaria de regulamentação da Classificação Hoteleira, SBClass (Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem), projeto que engatinhava desde a gestão do antecessor de Novais, Luiz Barretto - que inclusive leva resultados pungentes sob seu nome.
 
Agora surgem novos paradoxos: recorrendo ao discurso de posse do partidário de José Sarney, a prioridade listada à época pelo mandatário do turismo era a "identificação e eliminação de áreas críticas pelas quais se escoam recursos públicos, como o financiamento de festas". Negando sua própria máxima, mais de 60 acordos foram firmados com um montante de R$ 9 milhões para prefeituras realizarem festejos juninos.
 
Mais do que fomentar o circo, à revelia do que o próprio Novais dizia ser necessário frear, a somatória representava, até o final do último mês, pouco mais de 2% dos recursos disponíveis no MTur, o menor índice de toda a Esplanada dos Ministérios. O que se vê nesta via é um Ministério que nem mesmo ganhou fôlego para gastar o próprio dinheiro que lhe foi destinado - sendo necessário colocar na ponta do lápis os mais de R$ 3,1 bilhões que foram vetados por parte da equipe econômica do governo Dilma Rousseff.
 
Neste ínterim nefasto e às vias de fato da 6ª edição do Salão do Turismo, Novais tem a possibilidade de se redimir frente ao mercado e mostrar que finalmente o freio-de-mão do turismo foi desativado com o sucesso do evento. Resta saber se vai haver competência e empenho para tal contribuição. Caso contrário, o MTur pode estar prestes a vivenciar algo próximo ao que aconteceu às pastas do Transporte e da Casa Civil - no entanto, por debilidade administrativa de seu mandatário, e não por ser um sorrateiro como muitos de seus amigos da Esplanada.

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