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Accor mira expansão no Brasil com novas marcas

Com forte presença no mercado brasileiro, a Accor aposta em uma nova fase de expansão no país, com o lançamento de marcas e ampliação da presença em regiões estratégicas. A empresa francesa, que já conta com 330 hotéis no Brasil, pretende abrir mais 95 empreendimentos nas Américas até 2026 — 60% deles por aqui. O crescimento será liderado pelas marcas econômicas e midscale, como ibis, Novotel e Mercure, mas também prevê avanços no portfólio premium, com destaque para Pullman, Swissôtel e Mövenpick.

Em entrevista ao jornal O Globo, Thomas Dubaere, CEO da divisão Premium, Midscale & Economy da Accor para as Américas, aponta que o cenário econômico nacional é um desafio à expansão. Segundo ele, os altos juros e a inflação dificultam a construção de hotéis de alto padrão, levando a rede a apostar em conversões como alternativa para crescer neste segmento. “Para empreendimentos premium, construir do zero com essa taxa de juros é complicado”, pontua.

Outro ponto destacado pelo executivo é o potencial inexplorado do turismo internacional. Atualmente, apenas 15% dos hóspedes da Accor no Brasil vêm de fora do país. A meta, segundo Dubaere, é mudar esse cenário com ações conjuntas com o governo e mais investimentos em infraestrutura e conectividade. “Se o turista precisa chegar por São Paulo, pegar outro voo e ainda alugar um carro, perde-se competitividade. É necessário ampliar a malha aérea e reduzir custos de transporte”, defende.

Dubaere também comenta sobre o impacto das plataformas de short-term rental, como o Airbnb. Para ele, o modelo oferece uma experiência diferente da hotelaria tradicional e precisa de regulação para garantir a segurança do consumidor. “O apartamento de um Airbnb não tem nada a ver com nossos hotéis. Não há serviço, não há segurança garantida”, argumenta. Ele vê com bons olhos as discussões sobre o tema em cidades como o Rio de Janeiro.

Retomada

A recuperação da hotelaria após a pandemia foi puxada, segundo Dubaere, pelo turismo de lazer, seguido do corporativo e eventos. A tendência atual é a consolidação do bleisure, junção entre negócios e lazer. “As pessoas viajam para eventos, mas estendem a estadia com a família. A estada média aumenta e a experiência se torna mais completa”, afirma.

Com foco em diversificar destinos e evitar os efeitos do turismo excessivo, o CEO reforça a importância de promover regiões além dos tradicionais eixos de Rio e São Paulo. “O Brasil tem uma diversidade enorme, com lugares como Pantanal e Bonito. Falta estrutura, mas é um trabalho possível se feito em conjunto com o governo”, avalia.

A estratégia da Accor nas Américas inclui ainda acelerar projetos em países como México, Chile, Peru, Argentina e Colômbia, além da entrada de bandeiras em cidades dos Estados Unidos. No Brasil, o plano de crescimento foca em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina.

Por fim, Dubaere defende equilíbrio entre aumento da diária média e manutenção de ocupação como chave para o crescimento sustentável do setor. “Não dá para depender apenas de altas tarifas. Precisamos alternativas econômicas para manter o ritmo. Tecnologia e controle de custos são parte dessa equação”, finaliza.

(*) Crédito da foto: Arquivo HN

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