Fraudes, negociações ganha-perde, estelionato, escândalos de corrupção, conflito de interesse, abuso de poder, desrespeito à cadeia de fornecimento, manipulação da informação, falta de transparências na gestão financeira, descumprimento de normas e regulamentações. Sim, esse é o repertório quando trazemos os desvios éticos relacionados a má governança corporativa ou a falta dela!
Começar abordando o tema falando dos riscos é proposital! Infelizmente, muitas empresas aprendem pela “dor e não pelo amor”. Isso mesmo, quando ocorrem os desvios éticos e a reputação da empresa fica abalada, há uma corrida para “limpar” o que houve e mostrar que tudo vai ser resolvido de modo corretivo e punitivo. Como efeito colateral, surgem políticas e práticas que têm o papel de “vigiar e punir” para que não aconteça novamente.
No entanto, é preciso ir além. Neste sentido, a governança corporativa pode ser muito mais que um conjunto de normas e leis que orientam o negócio. A boa governança corporativa zela pela responsabilidade, transparência, equidade e accountability (prestação de contas) e, sob a perspectiva ESG, ganha ainda maior relevância. Torna-se mais estratégica para posicionar o negócio de modo diferenciado e próximo de consumidores e negócios que querem se aliar a marcas e experiências justas e sustentáveis.
Na hotelaria não diferente! Seja uma pousada, um pequeno hotel ou um resort, todos podem praticar a boa governança corporativa e irem além da obrigação. Para começar, por óbvio, é preciso estar em conformidade com as normas e leis que orientam os negócios no Brasil. No caso de redes multinacionais, devem estar alinhadas com normas e princípios globais, considerando a diversidade cultural econômica e jurídica dos países em que operam.
Uma abordagem da governança corporativa na hotelaria não se limita à prática de gestão, ela pode gerar uma gestão mais eficiente e sustentável, fortalecer a inovação e a melhor qualidade dos serviços. Isso tudo favorece a boa experiência, tanto do público interno, como externo. De modo resumido, podemos definir alguns passos para que a governança corporativa ganhe ainda mais adeptos na gestão hoteleira:
- Trazer a “filosofia corporativa” como aliada e a ética para orientar a definição missão, a visão e os valores que irão nortear os negócios.
- Elaborar um código de conduta ética capaz de educar o público interno e externo a respeito do que “pode ou não” ser praticado. Quanto mais claro e didático for o código de ética, mais ajudará a construir uma cultura de segurança e conformidade com as normas e leis. Além disso, garantirá a boa convivência entre todos. Vale deixar o código de ética acessível em no website da empresa e realizar treinamentos periódicos cm lideranças e equipes. Outro ponto importante é encaminhá-lo para a cadeia de fornecimento para que os mesmos sigam as orientações do código de conduta e possam compartilhar valor por meio dele.
- Instituir uma ouvidoria, ou canal de denúncia, que pode ser operado dentro da própria empresa, ou fora dela por uma empresa contratada. O canal deve zelar pela neutralidade de posicionamento e direcionar a informação de modo isento e responsável. Com isso, evitando retaliações, perseguições e até demissões indevidas.
- Compor um comitê de ética, neutro e com capacidade para julgar as denuncias de desvios éticos que chegam pelo canal de denúncia da empresa. O comitê deve ter representatividade de profissionais e líderes de diferentes setores e tem o papel de definir as medidas disciplinares que serão deferidas nos casos apresentados ao comitê.
- Comunicar constantemente as condutas que são recomendadas e aquelas que devem ser coibidas na empresa. É preciso distribuir a informação usando diferentes canais e formatos para que todos, internamente ou o público externo possam conhecer e aplicar. Desse modo, cria-se a cultura ética e faz com que todos sejam guardiões e disseminadores da mesma. Impressos ou em formato digitais, texto ou vídeos, todos os instrumentos para disseminar o código contribuem para essa cultura e, ainda é preciso construir instrumentos que possam ser acessíveis as pessoas com deficiência.
- Treinar sempre! As boas práticas devem fazer parte do ciclo de desenvolvimento dos profissionais e lideres da empresa. Isso favorecerá a aplicação das condutas desejadas, fará com que o código de ética seja um instrumento de consulta em casos de dúvidas para tomadas de decisões. Um equipe treinada é capaz de reconhecer sinais de fraudes e desvios éticos e conduzir com mais assertividades situações dessa natureza.
- Criar uma área de compliance, ou conformidade, que concentre e zele pela aplicação das normas e leis que orientam os negócios. Uma compliance ativa tem como objetivo fazer com que essas leis sejam compridas, bem como promover o engajamento da cadeia de fornecimento às mesmas. Assim, riscos como trabalho escravo, trabalho infantil, negligência na gestão de resíduos tóxicos, poluição e outras condutas que ferem as políticas de ESG da empresa possam ser coibidos. Gerenciar a rastreabilidade da cadeia de fornecimento e traze-la para os mesmo preceitos éticos é o melhor caminho para não deixar a empresa vulnerável e sujeita a riscos éticos, ambientais sociais e financeiros.
- Estabelecer parceria e ter o apoio com a área jurídica e de gestão humana da empresa, para que as tomadas de decisões, atualizações e comunicações estejam alinhadas e possam trazer convergência com o que é estratégico para a empresa e justo com as pessoas.
- Constituir um conselho, seja consultivo ou administrativo (dependendo do porte da empresa) é necessário para zelar pelas tomadas de decisões mais transparentes e responsáveis. Um conselho que acolha a diversidade em suas diferentes dimensões torna a gestão mais ética, imparcial, gerando maios credibilidade, confiança e sustentabilidade para o negócio.
- Realize auditorias internas e, se possível externas, que ocorram de modo periódico, para que se possa identificar possíveis irregularidades, monitorar as ações e aprimora-las conforme as estratégicas e objetivos da empresa. Realize devidas diligências e avalições de riscos.
- Crie políticas robustas para segurança cibernética.
- Utilize a tecnologia e à análise de dados como aliadas da governança,
Os negócios orientados pela boa governança corporativa, criam um círculo virtuoso para os que dela fazem parte. Além de contribuir para o sucesso dos resultados, traz para o setor maior profissionalização e credibilidade. Sustentabilidade, crescimento e prosperidade têm a boa governança corporativa como aliada.
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Premiada Global e Nacional 2023 SDG Pioneer Global Compact UN/EUA. Pós-doutora e Doutora em Educação, PUC/SP. Mestre em Educação, UFRJ. Certificada MIT PE/EUA: Challenges of Leadership in Teams; Leading Innovative Teams. Docente MBAs FGV/IDE. Learning Facilitadora Programa de Liderança na Inovação e Mulheres na Liderança.Criadora Programa de Formação de Talentos em ESG para Hotelaria/Resorts Brasil. Sócia Arbache Consulting. Fundadora do Hub Mulher. Fundadora e Conselheira do Hub ESG Alagev. Presidente do conselho do Knowledge Hub. Cocriadora do Hotel Trends ESG. Aliada WEPS ONU Mulheres Brasil e Elas Lideram do Pacto Global. Publicações: sustentabilidade, ESG, RH, Diversidade, Inclusão e Responsabilidade Social. Mentora e Palestrante nacional e internacional.














