FOHB: Tecnologia e competitividade na hotelaria

Alexandre Gehlen é o presidente do FOHB

É inquestionável o impacto exercido pelas mudanças tecnológicas em todos os setores da economia nas duas últimas décadas. A revolução produzida pela internet, no entanto, não causou apenas geração imensa de conteúdo, mas afetou de maneira irreversível relações afetivas, de poder e de consumo. As novas ferramentas, ao contrário do que se imaginava, não acabaram com setores, mas criaram possibilidades diversas para que o consumidor possa escolher o que exatamente satisfará suas necessidades.

Na hotelaria, o que de fato ocorreu foi uma transformação conceitual e estrutural sem precedentes. O surgimento de novas tecnologias trouxe um acirramento da concorrência e novas possibilidades de escolha para os viajantes. 

A rede hoteleira já esteve diante de alegadas "ameaças" ao seu bom andamento e que posteriormente, como podemos observar, transformaram o mercado sem prejudicá-lo.
Um bom exemplo disso foi o temor em relação a redução do número de viagens de executivos pela chegada das videoconferências. Contudo, na prática, o que ocorreu foi um crescimento no número de profissionais em deslocamento ao redor do mundo, justamente pelo crescimento da indústria tecnológica que agregou um grande número de trabalhadores ao mercado.

Trazendo para a atualidade, o surgimento dos aplicativos de hospedagem levantaram um amplo debate sobre o papel a ser exercido pelos hotéis diante da evolução da tecnologia. Costuma-se utilizar o argumento da questão tarifária para justificar a opção dos hóspedes por locações alternativas. Na realidade, sempre houve a opção de locação de casas e apartamentos diretamente dos proprietários. O que as inovações trouxeram foi facilidade e agilidade para a concretização desse tipo de negócio.

É imprescindível destacar que ambos os modelos de hospedagem possuem seu espaço no mercado. No entanto, é necessário ponderar a proposta amplamente diferente oferecida por cada um. Enquanto as residências alugadas via aplicativos garantem basicamente apenas a estrutura física da casa, na hotelaria surgem novas vivências, absolutamente diferentes do dia-a-dia do consumidor. São oportunidades para que o mesmo aproveite regalias que não estão no seu cotidiano. A possibilidade de viver experiências únicas é a especialidade da rede hoteleira. Em hotéis design, existe uma preocupação com novos conceitos que serão tradicionais daqui alguns anos. Nos resorts, há o destaque para as necessidades hedonistas dos clientes, que buscam momentos de fuga da realidade e que se dão o direito a pequenos prazeres frutos de todo seu esforço rotineiro. Já os hotéis corporativos, garantem padrões rigorosos de qualidade em produtos e serviços, permitindo que homens e mulheres de negócios tenham como única preocupação os assuntos profissionais que precisam tratar. 

De maneira alguma existe contrariedade em relação ao novo e ao empreendedorismo. O que buscamos é que as propostas absolutamente diferentes de cada lado sejam apresentadas de maneira clara e honesta aos turistas. A intenção é que estes possam escolher o projeto que seja mais de acordo com seus interesses, tendo ao seu dispor informação para que a tomada de decisão seja precisa, e não apenas apoiada simplesmente no quesito preço. 

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Alexandre Gehlen é presidente do FOHB (Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil) para o triênio 2018-2020. O executivo é Diretor geral e sócio da ICH Administração de Hotéis, que opera as marcas Intercity, Yoo2 e hi!

(*) Crédito da foto: divulgação/FOHB

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