Julio Gavinho: Assassinato ou crime de guerra?


Julio Gavinho

 

A maioria de nós nunca havia ouvido falar na Marielle até a sua morte. Ok, verdade, mas isto em nada diminui a violência deste crime contra o Estado, o que é um crime de guerra em qualquer lugar do mundo.

Veja que o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, por exemplo, levou à primeira guerra mundial pois foi um crime de estado. Ele foi morto por ser quem era e representar o Estado. Lembre-se do assassinato de juiz Giovani Falcone na Itália e a consequente perseguição implacável do Estado aos mafiosos pelo mundo a fora. Deixe as pessoas de lado e pense no papel de cada um no Estado. 

Ambas foram ações diretas e individuais que acabaram por mudar o curso da história. A morte desta jovem deve, eu insisto, deve mudar a história do Brasil.

A concordância ou não com a fé política da Marielle não significa nada em face do seu assassinato. Note bem, assassinato: a Marielle foi assassinada com 4 projéteis de 9mm na cabeça. Um vereador, membro do poder legislativo, foi assassinada, executada por sua posição política ou pior, por seu conhecimento dos intestinos criminosos do Rio.

Não há ideologia neste crime contra o Estado. Não há DEM, PSOL, MDB ou MDL. Há sim um crime de guerra. Embora eu jamais tenha concordado com suas posições políticas e o programa do seu partido, eu insisto: um membro do Parlamento foi assassinada e isto é um crime de guerra.

Assassinato da vereadora

A morte da vereadora é diferente da morte das centenas de pessoas assassinadas diariamente no Brasil pelo que ela, a Marielle, representa: uma representante do povo no seio do legislativo. Sua vida não vale mais do que nenhuma outra, mas o que ela representa sim - e muito.

Uma ação ampla, legal e exemplar, medida na razão que o crime merece, deve ser tomada agora. As autoridades de segurança na intervenção do Rio são obrigadas a executar um plano de cerco e sufoco, impedindo que o crime tome o poder sobre a sociedade do Rio. Falta apenas este movimento para que organizações como ADA ou CV ocupem o lugar dos partidos políticos, da polícia, e dos interventores. Estes últimos inclusive, já parecem ter sido interditados pela própria inércia.

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Julio Gavinho é executivo da área de hotelaria com 30 anos de experiência, fundador da doispontozero Hotéis, criador da marca ZiiHotel, sócio e diretor da MTD Hospitality.

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juliogavinho@me.com

* Crédito das fotos: divulgação/Vervi Comunicação

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