Otavio Novo: Dia Mundial do Turismo 2019 – reflexão e exemplos de riscos e oportunidades no setor

Otavio Novo - artigo Dia Mundial do Turismo

O dia 27 de setembro, data escolhida como o Dia Mundial do Turismo, além de reforçar a importância e o potencial do setor para a sociedade, pode e deve servir como uma oportunidade de reflexão necessária para alcançarmos o que essa atividade realmente pode oferecer, tanto para os viajantes, quanto para os profissionais e as comunidades envolvidas.
 
A data é uma iniciativa da OMT (Organização Mundial de Turismo), instituição global com a finalidade a promoção da atividade turística de forma responsável, sustentável e acessível em todas as localidades do planeta, por intermédio de ações, políticas e planos de ação em parcerias entre atores públicos e privados.
 
E no ano de 2019, tendo em vista as atualizações importantes quanto às condições e o contexto em que as operações turísticas vem ocorrendo, é fundamental analisarmos o setor sob diversos aspectos, e a questão da gestão de riscos e o tratamento de situações sensíveis é sempre fundamental.
 
Entender as ameaças e oportunidades, e saber como mitigar os impactos negativos e se fortalecer cada vez mais, é papel e reponsabilidade de todo e qualquer profissional e organização que atuam nessa área. Afinal, o bem-estar e a segurança de todo viajante, profissional ou cidadão local devem ser vistos como prioridades básicas na prestação dos inúmeros serviços atrelados à indústria de turismo no mundo.
 
Dessa forma, no sentido de reforçar e ilustrar a importância de todos buscarem os métodos e processos existentes e viáveis de gestão de riscos e crises de acordo com cada estrutura da cadeia produtiva do turismo, seguem a seguir exemplos relevantes no contexto da gestão de riscos no turismo mundial nesse momento.

Cuidado com o tratamento de dados:

Trata-se de uma questão mundial. Como garantir segurança no fluxo enorme de dados gerados nas relações entre pessoas, empresas e instituições? Leis surgem para garantir a segurança e punir os erros cometidos nesse sentido.  Todos os negócios devem iniciar um estudo para entender de onde vêm, como são coletados e como são tratados os dados de terceiros gerados nas suas atividades. Descumprimentos trarão impactos legais em cascata, já que contratantes do serviço (como p.ex agências contratando hotéis)  também podem ser responsabilizados por erros, além dos impactos de imagem e desvalorização das marcas.

Crise localizada, impactos generalizados

O exemplo do pedido de falência da gigante Thomas Cook e seus impactos para clientes, negócios e destinos, mostra-nos que a combinação de erros de gestão com a instabilidade política, ambiental e social crescente podem afetar gravemente mesmo as grandes corporações, e que esses impactos podem ser acentuados também para negócios e comunidades locais. A análise dos próprios processos e vulnerabilidades por uma empresa deve ser associado a um estudo que englobe as condições das operações de parceiros importantes, afinal o que se vê é que nem sempre os cuidados tomados de forma isolados por uma organização serão suficientes para garantir o contexto seguro e adequado para os seus negócios.

Divulgação correta de boas práticas 

É fato que as informações e notícias negativas acabam se alastrando rapidamente e trazendo mais impactos que as notícias positivas, mas nessa batalha de informações, e sob o ponto de vista da gestão de crises, as ações de divulgação de práticas responsáveis e interessantes para os anseios do mercado, devem ser encaradas como um trabalho de reconstrução paciente e contínuo. Assim como uma criança na praia que continua persistentemente reconstruindo seu castelo de areia, sem se deixar abalar pelas ondas que  vez ou outra derrubam uma torre ou uma ponte da sua bela construção.
 
Nesse sentido, a divulgação de ações como a retirada de lixo do mar realizada pela equipe do Complexo Beach Park no Ceará, em parceria com instituições reconhecidas; a busca de uma capital como Florianópolis, importante destino turístico, em aprovar lei que veda o uso local de agrotóxicos; ou ainda a comunicação estratégica para parceiros e clientes-chaves, como ações e procedimentos de segurança e mapeamento mitigação dos riscos nas operações, são ótimos exemplos.
 
Assim, o que podemos destacar das reflexões nesse Dia Mundial do Turismo é que a sensibilidade das situações e possibilidades de impacto vêm aumentando por diversos fatores. Por outro lado, é cada vez mais possível e bem-vindo que as práticas efetivas e a comunicação correta e persistente sejam realizadas como praxe, mostrando o foco na construção de produtos e ambientes melhores para visitantes, negócios e comunidades locais. Tudo isso, apesar das turbulências e problemas atuais, trará, inevitavelmente, a valorização das marcas nesse acirrado contexto de competição e de demandas específicas dos clientes, seja em 2019 ou nos próximos anos. 

Feliz dia mundial do turismo!

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Otavio Novo é profissional de Gestão de Riscos e Crises, com 17 anos de atuação em empresas líderes nos setores de serviços, educação e hospitalidade. Consultor e idealizador do projeto Novo8, mencionado pela ONU no IY TOURISM 2017.  Advogado e membro da comissão de Direito aplicado à hotelaria e turismo da OAB/SP. Durante 6 anos foi responsável pelo Departamento de Segurança e Riscos da Accor Hotels para cerca de 300 propriedades e 15 mil colaboradores em nove países da América Latina.

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