Como jovem brasileira estudando Hotelaria na Espanha, a atratividade do setor é uma questão que analiso constantemente. Não só me encanta a parte operacional do negócio, focada em propor experiências únicas aos hóspedes por meio do atendimento único e personalizado, mas também a parte estratégica e mais administrativa.
Apesar de todos os encantos que esse setor oferece, é indiscutível que há fatores que, em vez de atrair, acabam afastando jovens talentos. Dois dos principais desafios da indústria nesse sentido são a alta carga horária e a remuneração relativamente baixa.
De fato, o setor hoteleiro é historicamente conhecido por jornadas de trabalho intensas, muitas vezes exigindo disponibilidade em horários não convencionais, finais de semana, feriados e horas extras. No entanto, essa realidade vem sendo aos poucos questionada e repensada. Existe, hoje, uma pressão crescente (não apenas na hotelaria, mas em diversos setores) por jornadas mais equilibradas e com modelos mais flexíveis.
Em relação ao home office, de fato, a hotelaria é um setor que poucos cargos conseguem ser flexibilizados com essa modalidade a distância, por ser uma indústria que requer um trabalho operacional intenso. Contúdo, a saúde física e mental vem sendo priorizada cada vez mais, principalmente pelos jovens.
Ainda que essa transformação seja mais lenta no setor, acredito que esse movimento é uma tendência global que vai impactar esse mercado. Não é uma mudança simples, mas também não é um desafio encarado como irreversível. É importante ter em mente que os futuros líderes estão sendo criados em uma realidade que questiona e valoriza o bem-estar dos profissionais.
No quesito remuneração, é verdade que o setor de hotelaria, especialmente em cargos iniciais, oferece salários que muitas vezes não condizem com a intensidade das funções exercidas. Especialmente quando se trata de uma jornada de trabalho não flexível como abordado anteriormente. Por outro lado, a escassez de mão de obra qualificada pode ser vista como uma oportunidade neste sentido.
Não somente no Brasil, mas de uma forma geral, o setor sofre de escassez de mão de obra, o que abre espaço para oportunidades de crescimento mais rápidas dentro das empresas. Ter uma formação especializada, como uma graduação ou cursos técnicos voltados à hotelaria, torna-se um diferencial competitivo significativo. Nesse contexto, jovens que se dedicam a adquirir conhecimento e experiência podem se destacar e alcançar cargos de liderança em menos tempo do que se imaginava há alguns anos e, consequentemente, conquistar salários mais atrativos.
Além disso, outro destaque do setor é a vivência multicultural. Trabalhar com hotelaria é sobre lidar com pessoas do mundo todo, desenvolver empatia, habilidades de comunicação e, muitas vezes, ter oportunidades ao longo da carreira que nenhum outro mercado oferece. O segmento te da a chance de viver em diferentes partes do mundo, conhecer realidades completamente distintas, vivenciar culturas diversas através do seu trabalho e, particularmente, entendo isso como um dos maiores fatores atrativos da profissão.
Por isso, apesar dos desafios, vejo com otimismo o potencial da hotelaria como um setor atrativo para jovens profissionais. O caminho pode não ser fácil, mas é repleto de oportunidades e, de certa forma, soluções para os desafios mencionados anteriormente. E, como alguém que escolheu estudar fora do Brasil, posso afirmar: o mundo está cheio de portas esperando para serem abertas por quem está disposto a aprender, inovar e se dedicar.
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Isabela Mello tem 25 anos e atualmente cursa sua segunda graduação em Bachelor in Global Hospitality Management (BBA) na Les Roches em Marbella, Espanha. Desde que iniciou sua formação, realizou dois estágios no setor: um operacional em Portugal como recepcionista do SPA, e outro administrativo no Qatar como estagiária de Revenue Management.
Nasceu e cresceu no Rio de Janeiro até seus 22 anos, quando terminou o curso de Administração na PUC RIO. Mudou-se para a Espanha para cursar Hotelaria e atualmente está no último ano de faculdade e pretende buscar um programa de MIT (Management in Training) no departamento de Rooms Division quando terminar a formação.
(*) Crédito da foto: arquivo pessoal/Isabela Mello













