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Brasil tem um dos mais inseguros ambientes digitais do G20

O Brasil tem certa “má fama” devido à violência, mas essa notoriedade não se limita às ruas, informa o Pipeline Valor Econômico. Entre os países do G20, os brasileiros só não são mais ameaçados por ataques de hackers que empresas e usuários da Turquia e da Indonésia, segundo levantamento do CDI (The Cyber Defense Index) da MIT Technology Review. Como o setor de viagens está entre os que mais atraem cibercriminosos, os hoteleiros não podem negligenciar a importância da segurança digital.

“Assim como a segurança pública, na rua, é um problema enorme no Brasil, no digital também é”, pontua André Miceli, CEO da MIT Tech Review Brasil. “O Brasil está sempre no topo dos rankings de número de ataques. Em phishing, especificamente, nós somos os mais atacados”, continua. A prática consiste na comunicação fraudulenta, por mensagens, sites ou e-mails, visando induzir o usuário a compartilhar informações confidenciais, como senhas de banco ou números de cartão de crédito.

“Ainda não há no Brasil uma política de estado que privilegie ou mesmo dê atenção a esse tipo de problema”, acrescenta Miceli. Um dos poucos órgãos engajados nessa discussão e na criação de ferramentas e regras para mitigar as fraudes digitais é o BC (Banco Central), visto que o órgão é responsável pela implementação do Pix, que também entrou no arsenal dos cibercriminosos.

Critérios da pesquisa

Com dados do Data Center Map, Oxford e ONU (Organização das Nações Unidas) e respostas de executivos de empresas, o levantamento contou com 16 indicadores. Eles incluem critérios de infraestrutura e tecnologia, recursos e regulamentação, capacidade organizacional e financiamento público. Austrália, Holanda e Coreia do Sul são os países com os melhores ambientes digitais, enquanto o Brasil se encontra na 18ª posição.

Quando se trata de avanço regulatório, o Brasil ocupa a penúltima posição, à frente apenas da Turquia. “Só em agosto, a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), órgão de segurança cibernética no Brasil, realizou sua primeira consulta para moldar sua nova agenda regulatória”, diz o relatório. “A falta de uma regulamentação-base em muitos países está ligada aos níveis crescentes de ataques cibernéticos.”

Investimentos e prejuízos

Diante disso, a cibersegurança tem sido prioridade em grandes investimentos. Segundo a consultoria Gartner, os gastos globais passaram de US$ 172 bilhões em 2020, com expectativa de crescimento anual de 11%, chegando a US$ 267,3 bilhões até 2026. Dados da Cybersecurity Ventures mostram que os prejuízos dos ataques devem alcançar o mesmo patamar de valor em menos de uma década.

No turismo, setor em que os cibercriminosos estão cada vez mais criativos, muitas empresas já sofreram grandes perdas em função do vazamento de dados. Em menos de quatro anos, a Marriott International sofreu três violações de dados, que juntas somam prejuízos na casa das centenas de milhões de dólares. Além disso, a Choice Hotels também teve os dados de 700 mil clientes roubados em 2019 e o IHG, que notificou um ataque hacker recentemente, também sofreu uma violação de dados que afetou seus franqueados nos EUA.

De certa forma, o processo de digitalização forçado pela pandemia também impulsionou os ataques cibernéticos, que cresceram em torno de 900% em 2021, com prejuízos em torno de US$ 288 bilhões. De acordo com a empresa de software de segurança digital ESET, o trabalho remoto foi uma medida de urgência, que pela falta de precedentes não contava com estrutura adequada de segurança digital dentro das companhias.

“Onde tem alvo, tem crime. A gente precisa lembrar que esse problema tem a ver também com a cultura da empresa”, avalia Miceli. “No Brasil, por exemplo, os grandes alvos de ciberataques são as PMEs. São companhias com menos treinamento para funcionários e mesmo infraestrutura para atender. O simples fato de orientar a não clicar em links externos pode ajudar”, finaliza.

(*) Crédito da foto: Sigmund/Unsplash

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