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Ceará espera retorno da malha aérea e dos eventos para acelerar retomada

Por Camila Gallate 18 de setembro de 2020

Em continuidade à cobertura da retomada da hotelaria pelo Brasil, o Hotelier News ruma ao Nordeste, mais especificamente ao Ceará. O estado, muito dependente de mercados emissores do Sul e Sudeste, além do internacional, assiste a uma retomada lenta. Para acelerá-la, necessita o quanto antes da volta dos eventos e, principalmente, do fortalecimento da malha aérea.

“Enquanto não voltar a malha aérea será muito ruim, muito instável”, comenta o cearense Manoel Linhares, presidente da ABIH Nacional. Diante desse cenário, e assim como muitos outros estados, o Ceará se volta ao turismo regional. Agora, mais do que nunca, a bola da vez é o transporte rodoviário.

Antes da pandemia, o Ceará usufruía de bons indicadores, com a ocupação média passando de 68%. “E, de repente, tudo foi por água abaixo. O Covid-19 foi brutal para economia e devastador para o turismo. No caso da hotelaria, somos diferentes de outros setores. Temos um serviço que não pode ser vendido mais tarde. Cada noite perdida é um prejuízo. Quando você tem queda de 20% é possível suportar, agora 95% a 100% é impossível”, analisa Linhares.

Alguns destinos turísticos do estado, como Jericoacoara e Canoa Quebrada, vêm desfrutando de alguma vantagem. Na capital, o feriado da Independência foi até positivo, com os hotéis registrando ocupação na casa dos 90%. “Em contrapartida, durante a semana não tem quase ninguém”, ressalta Philippe Godefroit, gerente geral do tradicional Gran Marquise Hotel.

Em Fortaleza, hoje, a média de ocupação está muito baixa, de 10% a 15%, revela Godefroit. “Hotéis econômicos, que têm o preço mais barato, tem faixa de ocupação superior chegando, até 25%. Agora, não mais que isso”, assegura. “Fortaleza ainda está sofrendo muito porque a demanda é praticamente local, do Piauí ou de outros estados ao redor. Ainda é um fluxo pequeno. A capital costumava trabalhar com um mercado corporativo que ainda não voltou, está muito tímido”, completa.

Segundo o executivo francês, a esperança para a hotelaria hoje está na volta dos eventos. “Em outubro temos dois casamentos, pequenos devido à situação. Agora, voltamos a operar com todos os protocolos dentro do hotel”, pontua.

Ceará - retomada da hotelaria_Philippe Godefroit

Godefroit: Fortaleza não viu demanda corporativa voltar, afetando a ocupação nos dias de semana

Ceará e a velocidade da retomada

Visando impulsionar a retomada, entidades turísticas pedem auxílio do governo para campanhas de valorização do turismo nacional. “O Brasil é o primeiro país do mundo em belezas naturais e é isso que queremos mostrar. É dar valor ao que temos por aqui”, destaca Linhares. “Muitos brasileiros saem do país e vão ao Caribe, mas as praias do Nordeste são muito mais bonitas que qualquer lugar daquela região”, avalia.

A perspectiva é que, nos próximos meses, as taxas de ocupação recuperem patamares melhores. Um retorno aos índices pré-pandemia, contudo, ainda está mais distante. “O impacto em 2020 foi brutal e a retomada está ocorrendo, mas ainda de maneira tímida e gradual”, adiciona Olivier Hick, COO Midscale e Econômico Accor Brasil. “Para voltar a um patamar aceitável de mercado, acreditamos que vai demorar de 12 a 15 meses, no mínimo”, acrescenta.

A Accor atualmente conta com cinco hotéis reabertos no estado, sendo que todos contam com as certificações de higiene e segurança ALLSAFE. “A procura tem sido boa, acima dos dois dígitos, para o mês de setembro e feriados. Acreditamos que esse cenário reflete o desejo de as pessoas viajarem para locais que estejam mais próximos à natureza e dentro do Brasil, visto que ainda vemos muitas fronteiras fechadas devido à pandemia”, acredita Hick.

Ainda sem posicionamento concreto do governo sobre medidas de estímulo ou campanhas de promoção turística, o Ceará aguarda definições para saber como será o Réveillon. Segundo Linhares, a hotelaria local chegou a patamares de 95% de ocupação no último ano. Para a virada de 2021, contudo, ainda não há nenhuma definição concreta.

Já o Carnaval possui um público oposto do carioca, que busca a folia. “Nesse feriado, costumamos receber clientes que buscam tranquilidade”, revela Godefroit. Para a data, o Gran Marquise organiza pacotes promocionais, mas, segundo o executivo, ainda há muitas incertezas sobre como será o desempenho de vendas. A ver as cenas dos próximos capítulos, mas o Hotelier News segue na torcida!

(*) Crédito da capa: marcelinosmota/Pixabay

(**) Crédito da foto: Divulgação/Gran Marquise Hotel

(***) Crédito da foto: Divulgação/Accor