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Certificações em ESG para a hotelaria de luxo: um ato de cuidado

O turismo de luxo no Brasil está passando por uma transformação profunda: deixou de ser apenas sinônimo de exclusividade e sofisticação para se tornar uma força ativa de regeneração. Cada vez mais, viajantes de alto padrão buscam experiências que não apenas encantem, mas que devolvam à natureza e às comunidades parte da riqueza gerada pela própria viagem. Nesse movimento, os empreendimentos hoteleiros assumem um papel fundamental ao incorporar práticas que geram impacto socioambiental positivo e fortalecem a relação entre visitantes, território e cultura. 

No Brasil, essa visão ganha força graças à diversidade exuberante de nossos biomas e à possibilidade real de construir modelos de hospitalidade que regenerem ecossistemas e ampliem oportunidades para populações locais. Hotéis que investem em energia limpa, programas de conservação, manejo responsável de recursos naturais e capacitação comunitária não estão apenas atendendo a uma tendência global: estão redefinindo o luxo como um ato de cuidado. Comprar de pequenos produtores, formar jovens da região, restaurar áreas degradadas ou proteger espécies ameaçadas ampliam o alcance do turismo e o transformam em ferramenta de desenvolvimento. 

Incorporar práticas de ESG é uma estratégia de sobrevivência quando o turismo de alto padrão requer a preservação de ativos naturais e culturais para existir. Porém, estas boas práticas exigem credibilidade. Quando apenas embelezam uma campanha de marketing, podem comprometer a reputação de marcas consagradas. Comprovar se aquilo que é dito está realmente sendo executado é essencial, e tem sido terreno fértil para o extenso universo das certificações em ESG. 

Há alguns anos a BLTA vem discutindo ESG de maneira consistente. Existem diversos tipos de certificações e nem todas possuem o mesmo nível de rigor. Apesar dos desafios, as certificações são ferramentas capazes de alinhar propósito, operação e resultados. O processo exige engajamento de todos os stakeholders e, a longo prazo, traz eficiência operacional e redução de custos. Não é um caminho simples, e nem para os imediatistas. 

Ao organizar encontros anuais desde 2023 para tratar destes caminhos, em 2025 a associação assumiu o compromisso de ter 100% de seus membros certificados em ESG até o final de 2028. Com a boa intenção vem a responsabilidade, e entendemos que para atingir esta meta precisamos trabalhar apoiando uns aos outros compartilhando dores, aprendizados e acertos para que os avanços sejam mais seguros e evitem desgastes desnecessários. 

Ao adotar as certificações em ESG com seriedade, o turismo poderá se orgulhar quando o ato de promover viagens deixará de ser uma oportunidade de transformação pessoal e passará a ser um ato de cuidado com o ambiente, com as pessoas e com suas histórias. Mais do que preservar, pretendemos garantir um legado para as futuras gerações.

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Camilla Barretto tem mais de 25 anos de experiência em hotelaria de luxo, varejo, treinamento e consultoria, possui formação em Direito pela PUC-SP e Hotelaria pelo Senac-SP. Atuou em empresas como Vail Resorts, InterContinental Hotels Group, Hotel Emiliano, St. Marche e Barracuda Hotel & Villas. Foi sócio da Mandarina Consultoria e, desde 2024, é CEO da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), contribuindo para fortalecer o posicionamento do Brasil no mercado global de turismo de luxo.

(*) Crédito da foto: arquivo pessoal do autor

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