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Custos na hotelaria: gestão eficiente faz a diferença

Com margens cada vez mais apertadas e uma concorrência acirrada, o controle de custos operacionais tornou-se um dos maiores desafios para a hotelaria brasileira. Itens como consumo de energia, folha de pagamento, manutenção preventiva e operação de A&B (Alimentos & Bebidas) representam boa parte do orçamento mensal dos empreendimentos — e erros comuns no planejamento ou na execução desses itens podem comprometer seriamente a rentabilidade de um hotel.

Segundo especialistas, a falta de controle detalhado e de dados atualizados ainda é um dos principais problemas. Um dos gargalos mais recorrentes está no consumo de energia elétrica. Hotéis com sistemas de ar-condicionado antigos, iluminação ineficiente ou aquecedores obsoletos tendem a apresentar custos elevados. A boa notícia é que diversas redes têm investido em tecnologias para mudar esse cenário. A Accor, por exemplo, implementou sensores de presença e sistemas de automação em unidades da bandeira ibis e já registrou economia de até 25% na conta de luz.

Outro ponto de atenção é a folha de pagamento. Embora a equipe represente a alma do hotel, erros no dimensionamento de turnos, falta de multifuncionalidade e ausência de indicadores de produtividade podem inflar os custos. Redes como a Atlantica Hospitality International vêm adotando treinamentos cruzados para que colaboradores possam atuar em diferentes funções, aumentando a eficiência sem comprometer a qualidade do serviço.

Em entrevista à reportagem do Hotelier News, Olivier Hick, COO da Accor na divisão Premium, Midscale & Economy no Brasil, destaca que a hotelaria é fortemente impactada pela variação de demanda, que pode mudar drasticamente com a sazonalidade, eventos locais, feriados e até fatores externos inesperados. Isso, segundo ele, exige uma gestão de custos ágil e eficiente para evitar perdas financeiras.

“Além disso, outros custos fixos elevados, como contratos de manutenção, serviços públicos e taxas, continuam impactando os resultados mesmo em períodos de baixa ocupação. Em um mercado marcado por instabilidades políticas e econômicas, como o brasileiro, ainda há variações frequentes no custo de insumos e serviços, o que dificulta o planejamento orçamentário. Recentemente, enfrentamos mudanças tributárias que afetaram diretamente os produtos hoteleiros, somando-se a outros desafios como a alta do custo de energia elétrica, insumo essencial na operação diária dos hotéis”, complementa o executivo.

O assunto será tema da próxima edição do Hotel Trends Orçamentos, promovido pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory. O encontro, que reunirá diversos nomes da hotelaria, será realizado no dia 2 de setembro no Renaissance São Paulo, com o objetivo de discutir as principais dores e desafios do setor. As inscrições estão abertas e podem ser feitas no link.

Desafios

No setor de manutenção, deixar para agir apenas quando há falhas visíveis é um erro comum — e caro. Já no A&B, o controle de desperdícios é crucial. Porções mal definidas, cardápios extensos e falta de padronização nas receitas são falhas frequentes.

Mais do que cortar gastos, o objetivo deve ser garantir uma operação eficiente, sustentável e capaz de manter a competitividade do hotel. Além desses fatores, Hick ressalta que outro ponto que eleva os custos operacionais na hotelaria é a dificuldade de recrutar, treinar e reter talentos, especialmente em um setor que exige mão de obra entregue e atendimento personalizado.

Olivier Hick - 3P
Hick elenca fatores que elevam custos

Segundo ele, é importante destacar que, mesmo após a pandemia, muitos hotéis ainda enfrentam os efeitos da crise sanitária, quando dependeram de subsídios como o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), fundamental para a sobrevivência de muitas operações.

“Com a redução desse incentivo, o desafio de equilibrar custos se intensifica. Diante de todos esses fatores, manter o crescimento do RevPar dos nossos hotéis se torna crucial para sustentar a operação e garantir competitividade no mercado. Isso exige não apenas controle específico de custos, mas também estratégias comerciais e de precificação bem estruturadas, combinadas com a busca constante por eficiência e inovação na gestão.

Previsibilidade é fundamental

Hick endossa que a previsibilidade de custos é um fator crucial na estratégia de gestão, garantindo tomadas de decisão mais estratégicas e evitando surpresas financeiras. Ele acrescenta que é preciso antecipar cada vez mais o orçamento e os custos mensais, bem como a sazonalidade dos hotéis e a dependência de cada região também. “Novamente, os principais custos e desafios operacionais estão relacionados à folha de pagamento, por isso, precisamos encontrar soluções para facilitar o dia a dia das equipes fazendo uso de tecnologia adaptada ao serviço dos nossos hóspedes”, enfatiza.

Assim, salienta o executivo da Accor, o primeiro passo para uma gestão eficiente de custos é um bom planejamento orçamentário, que permita alocar os custos de maneira adequada e fazer uma precificação consistente.

“É primordial ter uma separação de custos fixos e variáveis, além de análise detalhada por centros de custos. Desta forma a atuação para controle fica mais clara e eficaz”, afirma. Além disso, Hick diz que a tecnologia é um grande diferencial neste processo, permitindo uma estratégia mais assertiva.

Por fim, ele relembra a importância para a hotelaria de possuir um fundo de reserva alinhado com as necessidades dos empreendimentos. “A manutenção e reformas são fatores importantes para não termos surpresas com custos elevados e inesperados como estrutura, ar condicionado, elevadores, entre outros. Muita atenção neste ponto”, finaliza.


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O Hotel Trends Orçamentos 2026 é uma realização do Hotelier News, em parceria com a Noctua Advisory. Em sua 4ª edição, o encontro tem como patrocinadores o CVC Corp, Grupo R1, TOTVS, Accor, Atlantica Hospitality International, Climber RMS, Equipotel, EVNT Group, STR, Lighthouse, V4 Company, Anserve, Atrio Hotel Management, Bebook, B2B Reservas, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Hotéis Deville, Hotelaria Brasil, Intercity Hotels, Realgems e Trul Hotéis.

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(*) Crédito das fotos: Divulgação

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