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Dados desorganizados desafiam uso da IA no turismo

A relação do turismo com a internet começou em 1995, quando surgiram os primeiros serviços de reservas online, como PC Travel e Internet Travel Network (mais tarde GetThere). Pouco depois, gigantes como Expedia e Travelocity abriram caminho para o acesso direto dos consumidores, impulsionando o sonho de um mercado digital aberto e transparente. A realidade, no entanto, mostrou-se bem mais complexa, aponta o Phocuswire.

Três décadas depois, o setor enfrenta um novo desafio. A Cloudflare — uma das principais guardiãs da infraestrutura da web — anunciou que bloqueará todos os rastreadores de IA (Inteligência Artificial), impedindo que bots coletem dados indiscriminadamente para alimentar modelos generativos. A medida acende um alerta para a indústria de viagens: até que ponto os dados disponíveis são confiáveis e organizados para o consumo de máquinas?

Nos anos 1990, as páginas eram criadas para humanos, não para algoritmos. Tarifas, disponibilidade e serviços eram exibidos de forma fragmentada, com estruturas despadronizadas entre companhias aéreas, hotéis e agências. Com a chegada da IA, este cenário se agravou. Bots interpretam mal os dados, classificam informações de forma incorreta e geram resultados imprecisos — sobrecarregando a infraestrutura das empresas e elevando a fragmentação, frustrando os consumidores.

Reflexos no Brasil

No mercado brasileiro, a situação não é diferente. Hotéis independentes e até redes maiores ainda dependem de sistemas fragmentados de distribuição e enfrentam dificuldades na integração de tarifas e inventário. Além disso, a ausência de padrões globais claros dificulta a competitividade frente a grandes OTAs.

Para o viajante brasileiro, isso se traduz em pesquisas longas, informações conflitantes e, muitas vezes, preços pouco transparentes. Para as empresas, significa custos crescentes com tecnologia e dependência de intermediários.

O futuro em disputa

A decisão da Cloudflare pode ser vista como um divisor de águas. Se por um lado protege o conteúdo proprietário das empresas, por outro evidencia a falta de governança global sobre como compartilhar dados de forma ética e eficiente.

O turismo, um dos primeiros setores de valor comercial na internet, agora se vê diante de uma encruzilhada: ou cria padrões sólidos para a era da IA, ou continuará refém de uma base frágil, marcada pela opacidade e pela desconfiança. A pergunta que fica é: quem vai liderar esse movimento?

(*) Crédito da foto: Freepik

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