A taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto ficou em 5,6%, repetindo o menor patamar da série histórica da Pnad Contínua. No mesmo período de 2024, o índice estava em 6,6%. Os dados foram divulgados hoje (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O maior percentual já registrado foi de 14,9%, alcançado durante a pandemia de covid-19, nos trimestres móveis até setembro de 2020 e março de 2021.
O Brasil tinha, no fim de agosto, 6,1 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente já observado, o que representa 605 mil pessoas a menos em relação ao trimestre até maio. Já o número de ocupados chegou a 102,4 milhões, e o nível da ocupação ficou em 58,1%, também recorde. O total de empregados com carteira assinada alcançou 39,1 milhões, após aumento de 1,2 milhão em comparação a 2024.
Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, a redução no desemprego foi impulsionada por contratações temporárias no setor público de educação. “A educação pré-escolar e fundamental fazem contratações ao longo do primeiro semestre. São trabalhadores sem carteira, com contratos temporários”, explica.
Em contrapartida, houve queda no número de empregados domésticos, com 174 mil a menos em relação a maio. Para Kratochwill, a movimentação pode refletir um mercado de trabalho aquecido. “As pessoas deixam de fazer serviço doméstico e migram para outros tipos de serviço.”
Informalidade e renda
A taxa de informalidade atingiu 38%, levemente acima dos 37,8% registrados no trimestre anterior. O avanço está ligado ao crescimento do trabalho por conta própria sem CNPJ, que chegou a 19,1 milhões de pessoas, alta de 1,9% em relação a maio.
O rendimento médio ficou em R$ 3.488, estável frente ao trimestre anterior e com aumento real de 3,3% em comparação a 2024. O valor se aproxima do recorde histórico, de R$ 3.490, no fim de junho. A massa de rendimento chegou a R$ 352,6 bilhões, com crescimento de 1,4% sobre maio e de 5,4% ante igual período do ano passado.
Para Kratochwill, os números confirmam a força do mercado. “O mercado de trabalho está, de fato, aquecido, com níveis recordes de baixa de desocupação e alta de ocupação. Sinais que mostram o mercado de trabalho forte, bom para o trabalhador.”
Juros altos e efeitos na economia
Apesar da melhora, o resultado acontece em cenário de política monetária restritiva. A Selic está em 15% ao ano, maior nível desde 2006 (15,25%). Juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos produtivos e atuam como freio na atividade econômica, ainda que contribuam para controlar a inflação.
A divulgação da Pnad aconteceu um dia após o balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, que mede apenas vagas com carteira assinada. Em agosto, o saldo foi positivo em 147,3 mil postos formais. No acumulado de 12 meses, o número chega a 1,4 milhão de empregos criados.
(*) Crédito da foto: reprodução















