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Ela já começou, mas qual a intensidade da retomada?

Por Vinicius Medeiros 16 de julho de 2020

Quando tudo começou, era muito difícil prever como seriam as semanas seguintes, quiçá os próximos meses. Passado o auge da crise provocada pelo coronavírus, o mercado hoteleiro começa a sair da inércia – e na verdade esse movimento já começou. Hotéis em Gramado (RS), por exemplo, reabriram ainda em maio. Parte da hotelaria independente nem fechou, mas, no geral, a procura pelos consumidores aumenta a cada dia, embora siga baixa, com picos nos finais de semana. Agora, qual o tamanho dessa demanda? É para ficar animado? Podemos efetivamente falar em retomada?

Com ajuda de um pool de empresas parceiras, o Hotelier News apresenta um retrato da demanda nos últimos meses. Gentilmente, Asksuite, Foco Multimídia, HSystem e Pmweb abriram informações para essa reportagem. Ao todo, foi mapeado o volume de reservas de algo próximo a 2,5 mil hotéis no país, bem como de consultas e cotações na base de propriedades da plataforma de chatbot da startup catarinense. Antes que todos se animem, um spoiler é necessário: em função da análise mensal dos números, as bases de comparação são baixas.

“Dessa forma, o leitor verá crescimentos bastante expressivos no volume total de reservas de um mês para o outro, o que pode gerar um otimismo enganoso. De qualquer forma, o movimento já começou, isso é inegável”, observa Vinicius Medeiros, editor-chefe do Hotelier News. “A boa notícia é que há um viés de alta na procura dos clientes, o que era previsível a partir do momento que os hotéis reabrissem seus canais de vendas, mas houve uma intensidade até certo ponto surpreendente. A ruim é que as baixas ocupações persistem, o que pressiona o caixa dos meios de hospedagem. Por fim, ainda é prematuro prever como a demanda vai se comportar, mas é certo que os índices de expansão não seguirão nesses patamares”, completa.

Com de 1,1 mil hotéis clientes no país, a Asksuite integra com alguns dos principais motores de reservas do mercado e forneceu dois tipos de informações: consultas e cotações nos chatbots dos clientes. Como pode ser visto no gráfico abaixo, há uma queda abrupta de março para abril (-67,5%) no primeiro indicador e, já no mês seguinte, começa uma reação, que ganha corpo em junho. Os 317 mil atendimentos desse mês ainda estão longe do patamar de março, que já foi afetado pelos primeiros efeitos da pandemia, mas já é um começo, certo?

Retomada - sinais_dados Asksuite

“Os dados relacionados às cotações, que tem elevada margem de conversão em reservas, também foram positivos. De maio para junho, por exemplo, a alta observada foi de 77%”, revela Rodrigo Teixeira, CEO da Asksuite. “A pandemia deve acelerar a migração das compras de hospedagem para o ambiente digital e, principalmente, mobile. Acredito que os canais de atendimento por mensagens podem ser propulsores das reservas diretas nos próximos anos. Veja o WhatsApp, o crescimento enorme do Telegram, chats de site, inbox do Instagram…”, acrescenta.

Retomada nos motores de reservas

A Pmweb compartilhou com o Hotelier News dados do Let’s Book, além de informações sobre o volume de consultas aos sites dos clientes da agência. Segundo Michelle Timm, Strategic Consulting da empresa, a partir da segunda metade de abril foi identificado crescimento de 23% na intenção de viagem frente ao mês anterior, representado pelo avanço no total de visitas aos sites. “O cenário era de crescimento gradual em usuários e consultas, sem avanço da efetivação das reservas, o que fez a taxa de conversão permanecer estável até maio”, destaca.

Michelle observa que, no início de junho, com alguns hotéis reabertos e com clientes early adopters aderindo à estratégia de vendas de voucher por meio do Let’s Book Experiências, houve pico no total de conversões de 260% na comparação com igual período do mês anterior. “Na última quinzena de junho, observamos pela primeira vez o volume de visitas em patamares superiores ao período pré-pandemia. Com as reaberturas acontecendo de acordo com fatores externos, a venda de diárias deve acompanhar esse fluxo. Já a venda de vouchers, se mostra eficiente tanto para o viajante, quanto para o hotel, uma vez que quebra a barreira de incertezas, garante flexibilidade e gera antecipação de caixa”, acrescenta.

Com uma base de hotéis independentes – sendo 60% pousadas – distribuída por Nordeste, Sul e Sudeste, a Foco Multimídia viu um movimento semelhante em seu channel manager. Com um tombo forte no total de reservas de março para abril (-76,5%), a empresa baiana já passou a ver reação em maio, ainda que tímida (+17,5%). “Em junho, a demanda ganhou mais corpo, com alta de 63,2% no total de reservas que passaram pelo nosso sistema, na comparação mensal”, revela Leonardo Silveira, sócio e diretor Comercial da Foco.

“Agora, o que mais nos chamou atenção é que também fizemos um comparativo anual e coletamos indicadores interessantes. Por exemplo, o total de reservas de maio representou 39% do total efetuado em igual período de 2019. Em junho, esse percentual subiu para 49% e, nos primeiros dias de julho, já estava em 54%, devendo fechar o mês próximo ou pouco acima de 60%. Então, se houver um crescimento mínimo de 5% mensal até o final do ano, estamos falando de algo próximo a 85% do movimentado no ano anterior, o que é muito positivo. Ou seja, acredito que a recuperação está começando mais cedo do que o mercado como um todo esperava no início da pandemia”, avalia.

Assim como todas as demais empresas, a HSystem (veja o gráfico abaixo) também viu uma retomada a partir de maio. No entanto, diferentemente da Pmweb e Foco Multimídia, os níveis totais de reservas que passaram pelo channel manager da companhia ainda estão bem abaixo de fevereiro – mês ainda sem efeito da pandemia. “Ainda assim, os resultados nos surpreenderam bastante. Talvez seja mesmo uma demanda reprimida gerada, talvez, pela incredulidade das pessoas em relação ao Covid-19. Fato é que aparentemente o final do mundo não vai ser tão rápido quanto esperávamos”, brinca Diego Corrêa, CMO da HSystem.

Retomada - sinais_dados HSystem

Para o executivo da empresa catarinense, que tem sua base de clientes formada por pequenos hotéis independentes de perfil midscale e pousadas de praia, o mercado deve entrar em um período de estabilização daqui para frente. “Acho que a retomada será em níveis próximos à mediana dos meses desde que começou a pandemia. Embora os protocolos de segurança divulgados ajudem muito a dar segurança do consumidor, acredito que sua confiança em viajar aumentará gradualmente, até porque não há notícia nova sobre o assunto. De qualquer forma, ficamos surpresos com os números”, finaliza.

(*) Crédito da capa: Peter Kutuchian/Hotelier News

(**) Artes por Luiz Vendramini