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Em carta, Câmara de Turismo LGBT repudia declarações do presidente da Embratur

Por Redação 25 de junho de 2020

Câmara de Turismo LGBT - declaraçãoMachado citou que homossexuais querem "impor sua sexualidade"

Em live realizada ontem (24), o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, deu uma declaração polêmicas sobre homossexuais. Ao lado de Damares Alves, ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Neto participou da transmissão via Facebook, quando disse que os gays estão tentando “impor sua sexualidade perante a maioria dos cristãos”, chamando-a de “abominável”. A Câmara de Turismo LGBT respondeu a fala com nota de repúdio em carta aberta.

"Como presidente da agência que promove o turismo brasileiro, qualquer declaração de Gilson Machado terá impacto direto no setor. Além de mostrar desconhecimento sobre a comunidade LGBTI+, suas palavras atacam de forma direta a promoção do turismo LGBTI+ no Brasil e causa regressão em todo o trabalho desenvolvido por entidades como a Câmara LGBT em desenvolver nosso país como um destino acolhedor. Nossa entidade repudia qualquer fala preconceituosa e irresponsável, ainda mais quando parte de uma figura pública ligada ao turismo", declara Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.

O presidente da Embratur fez a declaração ao citar a peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, encenada durante um festival com financiamento público – o que ele chamou de “canalhice”. Mais ainda, Neto alegou não ter “nada contra quem usa seu orifício rugoso infra lombar para fazer sexo”.

Câmara de Turismo LGBT: impacto

A Câmara ressalta que a fala do presidente impactam de forma direta o turismo, um dos setores mais afetados pela pandemia. O texto destaca que “o Turismo LGBT movimentou USD 218 bilhões em 2018, segundo dados da pesquisa LGBT Travel Market promovido anualmente pela Consultoria Out Now/WTM”.

“Ao se posicionar de forma direta contra a comunidade LGBTI+, o presidente da Embratur faz grave ataque aos direitos universais, ao lado da Ministra dos Direitos Humanos que não se posicionou a respeito, e dificulta a entrada de USD 26,8 bilhões na economia brasileira (pesquisa OUT/WTM 2018), colaborando com o desemprego, em um período que o turismo pode contribuir para a saída da crise causada pela pandemia, e minando as relações internacionais brasileiras com países que valorizam a democracia e o fim do preconceito”, diz o documento.

Às vésperas da realização do primeiro evento  de turismo LGBT online do país, LGBT Travel Digital Connecting, a Câmara afirma que o Ministério do Turismo e Embratur “abandonaram o turismo LGBTI+ retirando-o do plano nacional do turismo e não reeditando a cartilha Dicas para atender bem o turista LGBT". A carta ainda afirma que a entidade e o Ministério não cumprem o acordo de cooperação de promoção do turismo LGBT, com validade até junho de 2023.

(*) Crédito da foto: Fábio Rodrigues/Agência Brasil