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Em live, gestores apontam principais mudanças na hotelaria de luxo

Por Nayara Matteis 16 de setembro de 2020

Não é novidade para ninguém que a maior aposta do setor hoteleiro é o turismo nacional. Apesar de muitos prejuízos, a pandemia também abriu portas e expandiu horizontes. Em live promovida pelo Hotelier News e Grupo R1 encerrada há pouco, gestores apontaram as principais mudanças no segmento de luxo e perspectivas para a retomada.

A transmissão realizada pelo YouTube teve moderação de Vinicius Medeiros, editor-chefe do Hotelier News e a participação especial de Simone Scortaso, diretora da BLTA (Brazilian Luxury Travel Association). Entre os debatedores, marcaram presença Claudia Baumgratz (Comuna do Ibitipoca); Guto Costa Filho (Anavilhanas Jungle Lodge); Michael Nagy (Fairmont Copacabana) e Sergio Augusto Romeiro (Kenoa).

Impulsionados por demandas de lazer, alguns empreendimentos já conseguem atingir o break even, mesmo sem hóspedes internacionais, importante fatia do setor upscale. Em contrapartida, as limitações e restrições de viagens ao exterior direcionam o público de alta renda aos hotéis brasileiros. Segundo a diretora da BLTA, dos 39 meios de hospedagens associados, apenas cinco ainda estão fechados. Diante disso, fica o questionamento, o que mudou

Reaberto em junho, o Kenoa Exclusive Beach Spa & Resort manteve todos os funcionários e está em fase de contratação. Segundo Romeiro, atualmente o empreendimento chega a 90% de ocupação. “Nossa expectativa era grande. Estudamos e desenvolvemos protocolos em quase três meses fechados. Fizemos promoções para movimentar o hotel e hoje estamos com bons resultados”.

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Hoteleiros ainda debateram o impacto dos protocolos na experiência

Live: a falta do internacional

Uma das grandes preocupações da hotelaria de luxo é o buraco deixado pelo turismo internacional. Representando percentuais relevantes, hóspedes estrangeiros agora dão lugar a brasileiros endinheirados. No Anavilhanas pré-pandemia, 70% das UHs eram ocupadas por clientes de outros países. “Agosto especialmente é um mês com alta demanda estrangeira, que agora não existe mais. Nosso hotel é de experiência, e temos o trabalho de introduzir o turista no que é a Amazônia. A pandemia acelerou o processo de divulgação de produtos de natureza de alto padrão, que muitas vezes esquecemos que também existe aqui”, explica Guto.

Segundo Nagy, o Fairmont também enxergou a falta do internacional como oportunidade de capitalizar demandas domésticas. O hotel fluminense chegava a contabilizar 65% de sua ocupação oriunda de turistas estrangeiros. “Desde o início da pandemia nos comunicamos com o nacional de imediato, sempre nos mantendo antenados ao que estava acontecendo lá fora. A Covid-19 trouxe essa demanda que passou a ser interessante, pois se trata de um público qualificado, com conteúdo”.

Comunicação e custos

Nos primeiros meses, vender não soava bem ao mercado, o que levou os hotéis a redesenharem suas estratégias de comunicação. No Comuna Ibitipoca, houve um momento de luto e retração nas redes sociais. “Era chato falar de hotelaria com o mundo como estava. Vivemos um período tenso e optamos por dar uma sumida das mídias até a poeira baixar. Agora que estamos vivendo já o novo normal, está na hora de ser proativo e se dirigir ao público final com uma linguagem diferente. Procuramos ressaltar que não se trata de turismo de massa, mas de qualidade valorizando a experiência”, explica Claudia.

O Kenoa apostou em campanhas agressivas para a retomada, oferecendo 30% de desconto, o que gerou bons resultados ao resort. “Também vivemos esse luto, mas foi necessário para repensar. Tivemos dúvidas sobre os posts e optamos por focar em imagens de praia, que trazem paz e tranquilidade. Em seguida, fizemos uma campanha encerrada em 31 de julho, pois a alta procura foi muito positiva”, destaca Romeiro.

Com tantas mudanças e gastos com protocolos e adaptações, equilibrar a balança é um desafio. O diretor de Marketing do Fairmont garante que a transição foi tranquila, e que o luxo teve menos dificuldades em implementar as medidas. “A hotelaria de luxo já opera com muitos protocolos, incluir mais alguns não foi difícil. Com a pandemia, a experiência ficou ainda mais personalizada, deixamos tudo mais pessoal”.

Sobre o aumento de custos, Claudia afirma que a crise trouxe mais gastos, mas também a chance de rever processos. “Enxugamos muita coisa. Enxergamos oportunidade de melhoria de custos, refizemos nossas operações, abrindo apenas para grupos. Renegociamos contratos com fornecedores, pois o mercado retraiu”.

Para finalizar a live, Simone falou sobre as perspectivas da BLTA para o mercado de luxo a médio e longo prazo. “Tenho plena certeza e consciência que teremos que trabalhar o internacional em breve, e não vai demorar muito. O corporativo ainda vai sofrer por conta de reuniões online, mas o face to face vai permanecer e é necessário”, analisa. “Não dá para esperar vacina, apesar de achar que será um divisor de águas. Acredito que devemos retomar o trabalho no primeiro semestre de 2021, fortalecendo a imagem e relacionamento com parceiros lá fora e, me meados do ano que vem, teremos uma situação mais confortável”.

Para assistir a live na íntegra acesse o link.

(*) Crédito da capa: Divulgação/Anavilhanas Jungle Lodge

(**) Crédito da foto: Reprodução da internet