De acordo com dados da Zoho Corporation, o setor de tecnologia lidera a digitalização no Brasil, com um índice de maturidade digital de 65,8, classificado no Nível 3 avançado. Em seguida, os segmentos de governo e financeiro operam no Nível 3 inicial, enquanto setores como saúde, educação, varejo e manufatura encontram-se no Nível 2 avançado. Já a hotelaria e a logística permanecem no Nível 2 inicial, principalmente devido a desafios relacionados à segurança da informação, colaboração entre equipes e integração de processos no ambiente de trabalho.
Falando especificamente da hotelaria, o setor tem trabalhado, globalmente, a inserção de novos recursos em suas estratégias para acelerar o processo de transformação digital. Em relatório publicado recentemente, a Canary Technologies aponta que maioria dos hoteleiros acredita que o impacto da IA (Inteligência Artificial) será mais sentido neste ano. Desta forma, redes importantes, como Marriott International, estão adotando o recurso a fim de otimizar a jornada dos hóspedes e aprimorar os serviços.
No mercado brasileiro, um player que tem se destacado neste processo é o Grupo Mabu. No ano passado, a companhia destacou a transformação digital como um dos pilares de seu crescimento. O volume de quartos vendidos pelo site da rede teve salto de 28% em relação ao ano anterior, superando a meta anual em 54%. Além disso, a diária média das reservas foi 113% maior que o previsto, enquanto a receita digital aumentou em 43%, representando 45% do faturamento total.
Outros dados
Voltando à pesquisa da Zoho Corporation, intitulada Tendências na Transformação Digital do Ambiente de Trabalho 2025, o levantamento, realizado com 4,9 mil profissionais de diversos países, o Brasil atingiu um índice de maturidade digital de 62,5, posicionando-se no Nível 3, que compreende empresas com processos digitais bem estruturados e alinhados aos objetivos organizacionais. Esse patamar está ligeiramente acima da média global (62,3), mas ainda atrás de regiões como Oriente Médio e África (64,6) e Ásia-Pacífico (63,2), aponta o portal RH Pra Você.
Embora algumas empresas tenham avançado na digitalização de processos, 41% das companhias brasileiras ainda operam no Nível 2, ou seja, encontram-se em fase de padronização na implementação de tecnologias. Esse cenário reforça os desafios na adoção de ferramentas digitais e segurança cibernética.
“Os dados indicam que o Brasil tem grande potencial para avançar na transformação digital, mas ainda enfrenta obstáculos importantes, especialmente na integração de ferramentas colaborativas e na definição de protocolos de segurança eficazes”, afirma Fernanda Bordini, gerente de Marketing da unidade de negócios de colaboração e produtividade da Zoho Brasil. “A modernização das ferramentas no ambiente corporativo é essencial para que organizações de todos os tamanhos evoluam e ofereçam melhores experiências aos funcionários”.
Avanço da força de trabalho digital
No que diz respeito à adaptação dos profissionais às novas tecnologias, 28% dos trabalhadores brasileiros já operam nos níveis mais avançados de maturidade digital, resultado superior à média global. No entanto, 51% ainda estão em transição para o Nível 3, enquanto 21% permanecem no Nível 2.
O estudo também analisou os diferentes modelos de trabalho e seu impacto na maturidade digital. O formato remoto e híbrido apresentou índice de digitalização de 62,5%, enquanto o presencial registrou 59,7%, refletindo a dependência de processos manuais e menor eficiência na colaboração. Como consequência, 22% dos profissionais que trabalham presencialmente consideram sua experiência no ambiente de trabalho negativa.
A pesquisa destacou ainda que empresas de grande porte, especialmente aquelas com mais de 50 mil funcionários, adotam ferramentas digitais em maior escala. Já pequenas e médias empresas ainda dependem significativamente de processos manuais e comunicação via e-mail para gestão de tarefas.
Desafios e oportunidades
Apesar dos avanços, a pesquisa aponta que atingir níveis superiores de maturidade digital ainda será um desafio de longo prazo no Brasil. A transição do Nível 2 para o Nível 3 pode levar de três a cinco anos, com um investimento estimado entre US$ 250 mil e US$ 500 mil anuais para empresas com 1.000 funcionários.
Para alcançar o Nível 4 — estágio em que as companhias conseguem otimizar processos interdepartamentais e adotar ferramentas robustas — o tempo estimado é de até 10 anos. O custo dessa transformação pode variar entre US$ 500 a US$ 1 mil anuais por funcionário.
Além dos investimentos financeiros, a resistência à mudança por parte dos colaboradores e a necessidade de treinamento contínuo são obstáculos que dificultam a digitalização plena do ambiente de trabalho.
Outro grande desafio identificado é a segurança cibernética. O levantamento revela que apenas 16% das empresas no Brasil utilizam alertas avançados para e-mails suspeitos, enquanto 41% não possuem mecanismos eficazes para identificar e relatar ameaças digitais. Além disso, apenas 27% das companhias fazem uso de ferramentas de gestão de senhas, o que aumenta a vulnerabilidade às ameaças cibernéticas. Diversas redes hoteleiras, inclusive, foram vítimas de ataques cibernéticos nos últimos anos.
Por outro lado, a pesquisa aponta oportunidades significativas para empresas que investem na modernização de seus processos. Organizações que realizam uma reestruturação completa de suas ferramentas digitais alcançam índices de maturidade acima de 71 pontos, impactando positivamente a experiência dos colaboradores.
A automação de fluxos de trabalho, a implementação de soluções especializadas e o aprimoramento da colaboração entre equipes são fatores essenciais para impulsionar o crescimento sustentável e a eficiência operacional.
“As empresas brasileiras têm uma grande oportunidade para acelerar sua transformação digital. Com ferramentas acessíveis e eficientes, é possível otimizar processos, fortalecer a segurança e criar um ambiente de trabalho mais produtivo”, conclui Fernanda. “Superar as barreiras apontadas no estudo exige não apenas disposição para inovar, mas também soluções integradas que eliminem a ideia equivocada de que digitalização sempre implica altos custos”, finaliza.
(*) Crédito da foto: Freepik












