A hotelaria brasileira iniciou 2026 com um desempenho consistente e disseminado entre regiões, categorias e principais praças analisadas pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). Os dados de janeiro mostram um movimento de crescimento combinado de ocupação (2,1%), diária média (8,3%) e RevPAR (10,5%), indicando não apenas maior demanda, mas, principalmente, avanço relevante na capacidade de precificação do setor.
Os dados integram a 222ª edição do InFOHB, informativo mensal desenvolvido pelo FOHB, com base em amostra de 570 hotéis de redes associadas, responsáveis por 88,2 mil unidades habitacionais disponíveis.
O principal vetor de expansão da hotelaria em janeiro foi a diária média, que cresceu acima da ocupação tanto no consolidado nacional quanto na maioria das regiões e categorias. Esse descolamento explica o avanço mais expressivo do RevPAR, indicador que combina volume e preço.
Desempenho regional
Regionalmente, o Nordeste foi o grande destaque do mês. A região registrou alta de 3,4% na ocupação, 15,7% na diária média e 19,2% no RevPAR — o melhor resultado entre todas as regiões. O desempenho reforça a força das praças de lazer no início do ano, período tradicionalmente impulsionado pela alta temporada.
O Centro-Oeste também apresentou resultado sólido, com crescimento equilibrado: 2,9% em ocupação, 7,4% em diária média e 10,5% em RevPAR. Já o Sudeste avançou 2,4% em ocupação, 7,9% em tarifa e 10,4% em RevPAR, mantendo ritmo estável em um mercado mais maduro e com forte presença do segmento corporativo.
No Sul, o crescimento foi mais moderado, mas ainda positivo: 2% em ocupação, 4,5% em diária média e 6,5% em RevPAR. A única região com desempenho negativo foi o Norte, que apresentou queda de 5,6% na ocupação e retração de 4,4% no RevPAR, apesar do leve avanço de 1,2% na diária média. O dado sugere pressão de demanda que não foi totalmente compensada por ajustes tarifários.
Avanço disseminado entre categorias
O crescimento também foi observado em todas as categorias hoteleiras. No segmento econômico, a ocupação subiu 3,6%, a diária média 5,6% e o RevPAR 9,4%, mostrando recuperação consistente baseada em ganho de volume.
O midscale apresentou alta mais moderada de ocupação (0,3%), mas forte expansão de tarifa (10,8%), o que levou o RevPAR a crescer 11,2% — o maior entre as categorias.
Já o upscale avançou 1,4% em ocupação, 9,4% em diária média e 11% em RevPAR, indicando um ambiente favorável à recomposição de preços também no segmento de maior padrão.
Praças: lazer em destaque
Entre os 15 municípios analisados, o desempenho reforça a predominância das praças de lazer em janeiro. Na ocupação, cinco cidades registraram retração: Rio de Janeiro (-4,7%), Fortaleza (-0,2%), Brasília (-3,6%), Florianópolis (-6,1%) e Belém (12,3%). As demais tiveram crescimento, com variações entre 1,2% em Manaus e 7,4% em Curitiba e Porto Alegre.

Em diária média, apenas Belo Horizonte (-1,2%) e Belém (-0,6%) apresentaram queda. Recife liderou com alta de 17,1%, seguida por Rio de Janeiro (16,4%), Brasília (15,7%), Salvador (14,8%), Vitória (14,3%), Fortaleza (12,3%), Porto Alegre (11,1%) e Campinas (10,5%).

No RevPAR, apenas Florianópolis (-3,1%) e Belém (-12,8%) tiveram desempenho negativo. Recife foi novamente o principal destaque, com crescimento de 25,5%, seguido por Porto Alegre (19,3%), Salvador (18%), Vitória e Campinas (16,7%) e Curitiba (16,4%).

(*) Crédito da capa: Hotelier News
(**) Crédito das imagens: Divulgação/FOHB












