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Hotelaria paulista perde força e recua em todos indicadores

A hotelaria paulista encerrou junho com perda de desempenho nos principais indicadores operacionais. De acordo com a 72ª edição da Pesquisa de Desempenho da Hotelaria Paulista, divulgada pela ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo), taxa de ocupação, diária média e RevPAR recuaram na comparação com maio, refletindo uma combinação entre enfraquecimento da demanda corporativa e sazonalidade desfavorável para os destinos de praia.

Os resultados reforçam um comportamento já observado em mercados fortemente dependentes do segmento corporativo: após um maio aquecido, impulsionado por eventos e recorde de ocupação na capital paulista, junho apresentou uma desaceleração significativa, enquanto o turismo de lazer não conseguiu compensar essa perda. O início da temporada de inverno favoreceu destinos de serra e interior, mas o desempenho dos litorais foi suficiente para puxar os indicadores estaduais para baixo.

A taxa de ocupação consolidada do estado fechou junho em 53,66%, queda de 10,07% em relação a maio e de 10,64% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o indicador permanece em 56,26%.

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A diária média também perdeu força e ficou em R$ 514,29, retração de 9,33% frente ao mês anterior. Apesar disso, na comparação anual o indicador ainda registra crescimento de 6,16%, sinalizando que parte da estratégia tarifária segue preservada, mesmo diante de uma demanda mais fraca. No acumulado de 2026, a diária média alcança R$ 545,78.

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Já o RevPAR, indicador que combina ocupação e tarifa e traduz com maior precisão a capacidade de geração de receita dos hotéis, caiu para R$ 275,97. A retração foi de 18,46% em relação a maio e de 5,14% frente a junho de 2025. No acumulado do ano, o índice soma R$ 307,57.

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Mercado corporativo perdeu intensidade em junho

Segundo a análise da ABIH-SP, a retração foi mais intensa justamente nas regiões com maior dependência do turismo de negócios. A entidade avalia que parte da demanda corporativa pode ter sido antecipada para maio, mês que registrou recorde anual de ocupação na Capital Paulista. Além disso, fatores como o início das férias escolares, a ausência de grandes feiras e eventos e os impactos do calendário da Copa do Mundo também contribuíram para reduzir a movimentação de viajantes corporativos em junho.

Entre as 12 MRTs (Macrorregiões Turísticas) que responderam ao levantamento, nove registraram queda na taxa de ocupação, enquanto apenas três apresentaram crescimento. Os resultados positivos ficaram concentrados na Capital Expandida, Sudoeste Paulista e Circuito das Águas, impulsionados principalmente pelo feriado de Corpus Christi e pelo início da temporada de inverno.

Em contrapartida, os maiores recuos ocorreram em destinos tradicionalmente ligados ao lazer, como Vale do Rio Grande, Vale do Ribeira, Litoral Norte e Litoral Paulista. O Vale do Paraíba-Serras também apresentou desempenho abaixo do esperado, mesmo com a relevância do feriado prolongado para a região.

Litoral compromete desempenho estadual

Embora alguns destinos de montanha, fazenda e aventura tenham registrado crescimento sazonal, o inverno reduziu significativamente a demanda nos municípios litorâneos, impedindo que o segmento de lazer compensasse a desaceleração corporativa.

Na diária média, oito MRTs registraram queda e apenas quatro apresentaram alta. As retrações mais expressivas foram observadas na Capital Paulista, Capital Expandida, Entradas e Bandeiras Polo Corporativo e Mogiana.

Já os avanços ficaram concentrados no Circuito das Águas e Estâncias, Litoral Norte, Vale do Rio Grande e Tietê Vivo.

No RevPAR, o cenário foi ainda mais concentrado: 10 das 12 MRTs apresentaram retração, enquanto apenas o Circuito das Águas e Estâncias registrou crescimento.

Base de dados passa por atualização

A edição também marca a adoção da nova base estatística da ABIH-SP, atualizada durante o primeiro semestre de 2026. O estudo revisou a quantidade de hotéis, resorts, pousadas e UHs (unidades habitacionais) existentes no estado, além de reorganizar municípios e Macrorregiões Turísticas. Para isso, a entidade utilizou informações provenientes de Cadastur, metabuscadores, Inteligência Artificial, sites de prefeituras, Convention & Visitors Bureaux e outras bases de dados.

Segundo a associação, a atualização amplia a representatividade da pesquisa, embora os números não tenham caráter censitário nem substituam estatísticas oficiais dos municípios.

Nesta edição, participaram 124 empreendimentos, representando 413 municípios, o equivalente a 64,03% das cidades paulistas. A amostra corresponde a 176,4 mil unidades habitacionais, das quais 18,1 mil UHs pertencem aos hotéis respondentes.

Mão de obra continua entre as principais preocupações

Além do desempenho operacional, a pesquisa mostra que o desafio relacionado à contratação de profissionais qualificados permanece presente na percepção dos hotéis. O índice de relação entre funcionários e unidades habitacionais ficou em 0,58, mantendo estabilidade na média histórica de 0,57, embora tenha registrado retração de 3,57% frente a maio e de 3,33% em relação ao início da série histórica, em julho de 2020.

Segundo a ABIH-SP, o setor acompanha com atenção as discussões sobre a nova legislação trabalhista, que poderá exigir adaptações em escalas de trabalho, custos operacionais e modelos de gestão de equipes.

Pressão sobre a rentabilidade

Outro ponto de atenção destacado pela entidade envolve a rentabilidade dos hotéis. O indicador de relação entre despesas e receita apresentou queda de 2,70% em comparação com maio, encerrando o primeiro semestre com média de 67,06%. Na comparação com junho de 2025, a retração foi de 1,10%.

Nos comentários enviados pelos participantes da pesquisa, a ABIH-SP destaca ainda a preocupação crescente com o aumento das comissões praticadas pela Booking, medida que, segundo a entidade, pode pressionar significativamente as margens operacionais de diversas propriedades. A associação afirma que já desenvolve ações em conjunto com a ABIH Nacional para discutir o tema junto à empresa.

Perfil da amostra

Entre os hotéis participantes da pesquisa:

  • 54,04% pertencem ao segmento Midscale;
  • 38,70% são da categoria Econômico;
  • 7,26% atuam no segmento Upscale.

Quanto ao posicionamento principal das propriedades:

  • 69,36% declararam perfil Corporativo;
  • 22,59% atendem tanto lazer quanto corporativo;
  • 8,06% são predominantemente voltadas ao lazer.

A composição da amostra ajuda a explicar por que o enfraquecimento das viagens corporativas teve impacto tão expressivo sobre o desempenho consolidado da hotelaria paulista em junho. Enquanto destinos de inverno conseguiram capturar parte da demanda de lazer, o volume gerado não foi suficiente para compensar a desaceleração dos mercados de negócios e, principalmente, a forte sazonalidade negativa observada nos destinos de litoral.

(*) Crédito da foto: Unsplash

(**) Crédito dos gráficos: Divulgação/ABIH-SP

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