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Hubber Clemente: Woke ou anti-woke: qual a escolha da hotelaria brasileira sobre diversidade e inclusão?

O ano de 2025 começa extremamente desafiador para a diversidade e inclusão, devido principalmente ao posicionamento do atual presidente dos Estados Unidos, publicamente contrário às ações dessa causa, inclusive encerrando programas federais como um de seus primeiros decretos ao assumir o mandato. Influenciadas (e se aproveitando também) desse fato, grandes multinacionais americanas encerraram ou paralisaram suas iniciativas sobre diversidade e inclusão. Além disso, o fundador/CEO das maiores redes sociais do mundo encerrou o programa interno de DEI, eliminou as checagens de notícias falsas e liberou postagens que podem ser preconceituosas, ofensivas ou similares. Tudo isso aconteceu no primeiro mês do ano.

O termo woke é usado para definir pessoas que “despertam” e adquirem consciência das questões relativas à justiça social e racial, derivando para “stay woke“, no sentido de estarem sempre atentas e despertas em relação a essas causas, com apoio e participação ativa em prol da inclusão, diversidade e equidade. O anti-woke é quem se opõe, resiste ou é crítico às ideias e ações propostas pelo movimento woke, argumentando que são apenas pautas ideológicas, exageradas e que promovem reparações sociais desnecessárias. Alguns, publicamente, apoiam o “stop woke” nos governos e no ambiente corporativo. É importante ressaltar que, principalmente no último ano, houve uma queda nas ações e investimentos em ESG e nas iniciativas focadas em diversidade e inclusão.

Diante desses fatos, pergunto: qual será a escolha da hotelaria brasileira em relação a essa causa? Reforço que, salvo exceções, ainda não temos grandes ações sobre diversidade e inclusão no setor no país. Muitas vezes, há confusão entre ações de “solidariedade” e impacto/inclusão social propostos pelo ESG, ou são realizadas ações superficiais e repetitivas, sem a devida evolução. No entanto, existem grandes oportunidades para implementar excelentes iniciativas sobre essa pauta na hotelaria nacional, principalmente devido à alta capacidade e necessidade de empregabilidade no setor. Em contrapartida, as minorias sociais são as que mais precisam de oportunidades profissionais. Mas, sem iniciativas públicas sobre diversidade e inclusão, dificilmente esses profissionais terão interesse em ingressar ou fazer carreira na hotelaria.

Não classificaria a maioria da hotelaria brasileira como anti-woke, mas, mesmo quando essas iniciativas estavam em alta, grande parte do setor sempre se manteve “neutra”, em uma certa omissão conveniente, com declarações de que sempre foi “diversa” e aceitava todos sem discriminação. O problema é onde e como esses “todos” trabalham na hotelaria: geralmente ocupando cargos na base, com baixa remuneração, gestões problemáticas e ambientes profissionais ruins, o que gera evasão e desinteresse. Portanto, será realmente necessário um posicionamento público dos investimentos e ações focadas em diversidade e inclusão, pois agora a sociedade estará atenta a quem verdadeiramente tem um propósito e a quem apenas pratica “diversity washing“.

Com certeza, teremos uma excelente oportunidade de tornar o Brasil um destino atrativo para turistas dos grupos de diversidade e inclusão que estarão inseguros em viajar para países e destinos anti-woke. Mas, reforço: essas ações de diversidade e inclusão precisam ser públicas e reais, pois, cada vez mais, os viajantes decidem suas viagens com base na recomendação de influenciadores digitais pertencentes aos seus grupos, levando em consideração a representatividade e a segurança que esses conteúdos transmitem. É até “cansativo” repetir, mas investir em diversidade e inclusão no turismo tem um ROI (Retorno sobre Investimento) praticamente imediato.

Será que, mesmo diante dessas excelentes oportunidades, a hotelaria brasileira continuará com ações “tímidas”, limitadas aos meses de conscientização? Ou finalmente aproveitará o momento para concretizar a diversidade e inclusão que há tanto tempo são deixadas para “depois”? Como digo algumas vezes em palestras: “Por que deixar para amanhã a diversidade e inclusão que você pode realizar hoje?” Continuo sem resposta, mas tenho uma “esperança realista” de que este ano pode ser diferente. Isso será ótimo para todos nós, principalmente para aqueles que desejam ver e viver uma hotelaria e hospitalidade verdadeiramente para todos no Brasil.

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Hubber Clemente é fundador da startup Afroturismo HUB, focada na inclusão e diversidade racial no turismo, atuando a mais de três anos com o tema. Hoteleiro , com mais de 25 anos de carreira no setor, com atuação profissional na Accor, Blue Tree Hotels , Maksoud Plaza, Decolar e outras grandes empresas do turismo, hospitalidade. Especialista em vendas e marketing, com formações em Gestão de Viagens e Eventos Corporativos, Big Data, Design Thinking, Diversidade & Inclusão e LinkedIn Creator Acelerado.

(*) Crédito da foto: Arquivo Pessoal

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