A IA (inteligência artificial) deixou de ser apenas uma tendência emergente para se tornar um elemento central na estratégia de negócios da hotelaria. No entanto, o setor vive um momento de transição e, enquanto a adoção da tecnologia já é ampla, ainda existe o desafio de transformar iniciativas primárias em resultados consistentes a longo prazo. A constatação é do Relatório Anual de Tendências para Proprietários, divulgado pela Wyndham Hotels & Resorts.
Segundo o levantamento, a hotelaria atingiu um ponto de inflexão em relação ao uso da IA, com proprietários e incorporadores buscando maior clareza sobre como escalar essas soluções e extrair retorno financeiro sustentável. Contudo, o cenário ainda reflete otimismo em relação ao futuro do setor, mesmo diante da pressão envolvendo aumento de custos, incerteza econômica e maior complexidade operacional.
Nesse contexto, cresce a demanda por marcas consolidadas que ofereçam direcionamento estratégico, tecnologia validada e parcerias de longo prazo, especialmente à medida que a IA ocupa um papel estrutural nas operações hoteleiras.
“A IA está remodelando rapidamente o setor hoteleiro, criando novas oportunidades e, ao mesmo tempo, adicionando camadas de complexidade. Após anos de investimentos iniciais em tecnologia, estamos posicionados para apoiar os hoteleiros na aplicação prática da IA, convertendo inovação em eficiência operacional, aumento de receita e resultados mais robustos”, afirma Scott Strickland, diretor Comercial da Wyndham Hotels & Resorts.
Capilaridade
De acordo com o relatório, 98% dos proprietários afirmam já ter iniciado algum nível de adoção de IA em seus negócios, o que confirma que a tecnologia já faz parte da realidade do setor. Apesar disso, apenas 32% dizem tê-la integrada à maior parte das operações. Ao mesmo tempo, 73% reconhecem que gostariam de avançar mais, mas se sentem sobrecarregados ou sem saber por onde começar.
Entre aqueles que já utilizam IA, os principais ganhos aparecem na eficiência operacional, citada por 64% dos respondentes. O restante da lista conta com eficiência energética (54%) e otimização de receitas (53%), áreas com impacto direto na rentabilidade dos empreendimentos.
O levantamento também aponta oportunidades ainda pouco exploradas. Para 2026, 61% dos hoteleiros esperam ampliar o uso da IA no planejamento de construção, com aplicações que vão desde apoio em licenças até questões de zoneamento. A otimização de receita aparece em segundo lugar, mencionada por 30% dos entrevistados.
Marcas protagonistas
Com o avanço da tecnologia e a crescente complexidade da operação no segmento, os proprietários recorrem às marcas como parceiras estratégicas na escolha, integração e suporte de soluções baseadas em IA. No total, quase nove em 10 hoteleiros (89%) consideram benéfico contar com uma marca nesse processo, enquanto 34% classificam esse apoio como essencial.
Ainda assim, persistem barreiras relevantes à ampliação do uso da IA. As principais preocupações estão relacionadas à privacidade e segurança dos dados, apontadas por 46% dos respondentes, seguidas pelos custos de investimento em ferramentas de IA (42%) e dificuldade de integração com sistemas legados (40%).
O relatório também mostra cautela em relação à autonomia das decisões. Apenas 40% dos hoteleiros se dizem confortáveis com a IA tomando decisões operacionais sem supervisão humana, enquanto 57% afirmam que a presença humana ainda é indispensável para se sentirem seguros.
Otimismo e expansão
Apesar dos desafios, o sentimento em relação ao futuro da hotelaria permanece positivo. Nove em cada 10 hoteleiros se dizem otimistas para 2026, percentual que sobe para 95% quando o horizonte analisado é de cinco anos.
A expansão segue no radar, com 79% dos entrevistados planejando a ampliação de seus portfólios até 2031, número semelhante ao registrado no relatório anterior. Além disso, 97% afirmam estar abertos a ingressar em uma nova marca ou trocar de bandeira, caso surja a oportunidade adequada.
A fidelização também aparece como um pilar estratégico. Para 65% dos hoteleiros, contar com um programa de fidelidade robusto é fundamental para o sucesso do negócio, enquanto custos operacionais, escassez de talentos e aumento da concorrência figuram entre os principais desafios.
Quando o tema é investimento de capital, 24% dos proprietários pretendem priorizar a ampliação do quadro de funcionários em 2026. Outros 20% indicam melhorias nas propriedades e em vendas e marketing, 19% apontam investimentos em tecnologia e 17% citam a modernização de comodidades.
O estudo foi realizado com centenas de proprietários de hotéis e desenvolvedores imobiliários nos Estados Unidos, Canadá e Caribe, abrangendo diferentes perfis de empreendimentos, marcas e operadores — não restritos à Wyndham.
(*) Crédito da foto: Freepik













