No LACTE 21, o painel Entre check-ins e emoções: o que realmente importa na jornada? colocou o viajante corporativo no centro do debate. A proposta foi analisar os pontos de contato que marcam a experiência de uma viagem a trabalho — dos processos operacionais às percepções subjetivas — e discutir como políticas mais personalizadas podem impactar diretamente a produtividade e os resultados das empresas.
A conversa reuniu Damiane Titton, analista de Viagens Corporativas da MBRF; Trícia Neves, cofundadora e managing partner da Mapie; Laysla Candido, gestora de Viagens Corporativas da Aprende Brasil Educação; Leandro Ceccato, cofundador e CEO da Tripee; a gestora de Viagens da Sensedia; Rafael Moura, gestor de Viagens na Elecnor do Brasil; Joyce Negrelli Carrieri Macieri, conselheira da Alagev; Peterson Prado, vice-presidente da Onfly; Carolina Oliveira, head de Marketing Corporate da Onfly; e Sueane Gomes Guimarães, gestora de Viagens da RHI Magnesita.
Ao longo do painel, ficou evidente que a jornada do viajante vai muito além da emissão de bilhetes e do controle de custos. Trata-se de compreender expectativas, antecipar necessidades e estruturar processos que reduzam fricções ao longo do caminho. Nesse cenário, a política de viagens deixa de ser apenas normativa e passa a assumir um papel estratégico na experiência do colaborador.
Insights
Carolina destacou que um dos maiores desafios dos gestores está em encontrar equilíbrio nas estratégias, considerando as diferentes demandas dos viajantes. “Quando pensamos nesse relacionamento, é fundamental nos colocarmos no lugar do viajante para compreender suas principais dores. Os processos precisam ser organizados e bem estruturados”, afirmou.
Na sequência, a executiva reforçou que o gestor atua como elo entre empresa e colaborador, com a responsabilidade de transformar demandas em soluções personalizadas. “Hoje, o viajante busca autonomia e quer se sentir compreendido dentro da política de viagens”, completou.
Em diálogo com Trícia, Prado aprofundou a discussão sobre experiência. Para a executiva da Mapie, é necessário enxergar o viajante dentro de um ecossistema cuidadosamente desenhado, em que princípios, cultura organizacional e objetivos de negócio moldam cada etapa da jornada.

“Experiência é permitir que ele cumpra seu propósito representando a empresa. Quando falamos em anywhere office, estamos tratando de pessoas que trabalham de qualquer lugar. Ao expandir a ‘casa’ desses profissionais, o escritório pode ser substituído por um hotel, um evento ou outro espaço de trabalho”, explicou.
A partir dessa perspectiva, o papel do gestor de viagens ganha amplitude. Segundo Trícia, o profissional precisa dialogar com áreas como RH e compliance para assegurar não apenas conformidade, mas bem-estar e eficiência. “É preciso cuidar da emoção, do conforto e da praticidade. Não podemos nos limitar à política de reembolso”, reforçou.
O debate também evidenciou que decisões aparentemente operacionais — como escolha de fornecedores, canais de atendimento ou flexibilização de regras — têm impacto direto no engajamento do viajante e, consequentemente, na performance da viagem. Quando há alinhamento entre estratégia corporativa e experiência individual, os resultados tendem a ser mais consistentes.
Ao final, o painel reforçou que a gestão de viagens corporativas vive um momento de transformação. Mais do que controlar custos, o desafio é desenhar jornadas que conciliem eficiência, autonomia e cuidado. Em um ambiente de trabalho cada vez mais descentralizado, entender as emoções por trás dos check-ins pode ser o diferencial para viagens mais produtivas e estratégicas.
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News












