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Mudanças no viajante desafiam hotelaria em 2025

HSMAI Strategy Conference - Hotelaria_Inteligente

A incerteza voltou ao centro das discussões de profissionais de revenue management na hotelaria em 2025. Com padrões de viagem em constante transformação, muitas vezes de forma abrupta, o setor passou a lidar com cancelamentos mais frequentes, janelas de reserva encurtadas e impactos diretos de fatores externos sobre a demanda.

Para Laura Walters, diretora de RM da Dragonfly Strategists, a volatilidade deixou de ser exceção e se tornou traço estrutural. “Mudanças no comportamento do consumidor, incertezas macroeconômicas e variações cambiais reduziram a previsibilidade e tornaram a agilidade um diferencial competitivo”, afirma.

Dados recentes da UNWTO (Organização Mundial do Turismo) mostram que o fluxo global de viagens atingiu aproximadamente 92% dos níveis pré-pandemia em 2024, mas com composição distinta. O mercado registra menos deslocamentos longos e aumento no volume de viagens de curta e média distância, com prazos de planejamento cada vez menores.

Um levantamento da Amadeus Travel Pulse reforça essa tendência. A janela média de reservas no lazer internacional caiu entre 18% e 32%, dependendo do país de origem. O ciclo de decisão mais curto exige que hotéis ajustem estratégias em tempo real, não mais com análises trimestrais, como praticado por parte do mercado antes da pandemia.

Movimentos de demanda

Entre os pontos observados pelos líderes de RM, destacam-se:

  • Recuo em mercados emissores tradicionais: alguns participantes relataram quedas de até 40% em chegadas vindas do Canadá, além de retração de mercados como China, México e Brasil;
  • Volatilidade no doméstico: instabilidade climática, questões políticas e erros de previsão têm encurtado janelas de compra internas;
  • Sensibilidade em grupos e governo: cortes orçamentários e revisões contratuais aumentam o risco de cancelamentos de blocos.

Com esse cenário, análises baseadas no comportamento dos últimos três a cinco anos deixaram de refletir a realidade atual. Modelos de forecast precisam de revisões contínuas e ciclos semanais de atualização.

Inteligência em tempo real

Ferramentas de insights de mercado, como TravelClick Demand360 e STR, deixam de ocupar papel de apoio e passam a integrar a base de tomada de decisão. A agilidade, antes vista como requisito operacional, torna-se estratégia central. Quem adapta mais rápido reage melhor a oscilações repentinas da demanda.

Outra mudança está no foco do consumidor. De acordo com o relatório EY Future Travel 2024, o conceito de value-driven travel supera o de viagens orientadas apenas por orçamento. O hóspede busca preço justo, mas não abre mão da experiência. Com isso, cresce a revisão do mix de canais e a busca por maior transparência tarifária, além de benefícios mais claros na reserva direta.

O ambiente atual da hotelaria exige mais do que prever demanda, requisitando escuta ativa e reação permanente. A vantagem competitiva deixa de estar apenas na capacidade de planejar e passa a se concentrar na habilidade de adaptação.

(*) Crédito da foto: Divulgação/HSMAI Insights

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