"A superoferta é muito pior que uma crise", diz Alexandre Gehlen, CEO da Intercity Hotels

Não é só uma questão da crise política, que afetou a economia e, consequente, a ocupação dos hotéis no País, com mais força a partir do segundo semestre de 2015, avançando como uma tsunami para o ano seguinte, quando houve ainda o impeachment presidencial, as delações e prisões de alguns políticos, causando uma insegurança na economia e nos investimentos externos no País. 

No setor hoteleiro, a consequência que nada na raia ao lado da crise e que é invadida por suas marolas é a superoferta de quartos em destinos chaves, que ainda não haviam vivenciado essa intempérie, como é o caso do Rio de Janeiro, que teve um aumento de mais de 50% no número de quartos - cerca de 19 mil -, distribuídos em quase 40 novos empreendimentos na cidade, principalmente na região da Barra da Tijuca.

Outros destinos também foram impactados como Belo Horizonte e Porto Alegre, cidades onde o crescimento da oferta e de suas consequencias cria um dèjá vu

Para Alexandre Gehlen, CEO da Intercity Hotels, o ano de 2017 requer muita cautela nas ações, mas a superoferta é mais preocupante do que a crise. “A superoferta tem um tempo muito maior para diminuir seu impacto no mercado hoteleiro. A crise é passageira, pode durar meses ou alguns anos, mas a superoferta ocasiona prejuízos maiores pois, geralmente, a primeira ação de alguns hoteleiros nesse caso é diminuir tarifas, o que ocasiona um efeito dominó, minguando várias ações dentro de cada empreendimento como manutenção preventiva, treinamento e divulgação, e que levam muito tempo para serem reimplementadas, pois a recuperação das tarifas é morosa”, explca Gehlen para o Hôtelier News.

Um dos exemplos citados pelo executivo é o próprio Rio de Janeiro, onde grandes hotéis internacionais estão cobrando preços inferiores aos praticados outrora (leia antes das Olímpiadas). “Assim como o nosso yoo2, outros hotéis foram inaugurados na zona Sul do Rio. Houve o incremento com cerca de dez mil quartos e a queda de preços se tornou inevitável para a condução do negócio. Felizmente, o yoo2 é um produto diferenciado e único na cidade, o que alivia o momento, mas que é preciso estar atento a qualquer ação, sim, isso é fatídico”, finaliza Gehlen.

O Brasil tem um histórico no mercado internacional bem comprometedor. Depois de vários anos vivenciando uma alta inflação, o Real trouxe um processo de recuperação que refletia num notável crescimento econômico, colocando o País na lista das economias em crescimento Brics (Brasil, Rússia, Índia, China África do Sul e Coréia do Sul). O mercado interno continua na expectativa quanto aos investimentos, abrindo os cofres para ações realmente que julga serem estritamente necessárias. A certeza virá assim que os resultados das ações do governo atual se mostrarem positivas. Quanto tempo irá demorar ninguém sabe.

Sobre as aberturas programadas, Gehlen conta que todo será feito conforme programado. "Estamos com seis inaugurações programadas neste ano e o plano de expansão da Intercity prevê que nosso portfólio alcance a marca de 50 unidades até 2021. Mas até lá, esse números podem mudar, pois temos uma procura muito grande para o desenvolvimento da marca yoo2 e novidades devem surgir em breve. Temos que seguir em frente", finaliza.

Serviço
intercityhotels.com.br

* Crédito da foto: arquivo HN/Aline Costa

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