A tradicionalidade libanesa do Maksoud Plaza, na capital paulistana

Henry Maksoud Neto, diretor do Maksoud Plaza (fotos: Thais Queiroz)

Localizado a uma quadra da avenida Paulista, centro financeiro, cultural e turístico de São Paulo, o Maksoud Plaza mantém, há 33 anos, a formalidade de um hotel que figura entre os preferidos de importantes nomes nacionais e internacionais. O empreendimento leva o nome da família que o administra, no entanto, contraria os pensamentos negativos a respeito deste tipo de empresa. Em resumo, pode-se dizer que Henry Maksoud, filho de libaneses, nascido em 1929 no Mato Grosso e patriarca do clã, tem um currículo atípico: além de empresário do ramo hoteleiro, é engenheiro civil e eletricista. Foi dono da revista Visão e da empresa de engenharia Hidroservice, além de ter exercido o cargo de presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo. De 1988 até o começo dos anos de 1990, comandou o programa na Henry Maksoud e você, na TV Bandeirantes. É autor e diretor da peça teatral Emoções que o tempo não apaga - Uma crônica musical, em cartaz há seis anos no Teatro Maksoud Plaza, além de ter assinado inúmeras publicações, que não caberiam neste espaço se listadas. A partir dele, outros ramos da família seguiram carreiras em áreas de exatas, como engenharia, direito e medicina. Hoje, um dos diretores do empreendimento é Henry Maksoud Neto, formado em Economia e pós-graduado em Administração. A reportagem do Hôtelier News conversou com o executivo, entre outros pontos, sobre o lendário hotel cinco estrelas e sobre os projetos de expansão da família no ramo. “Somos muito unidos, e nossa tradição está em cada canto deste hotel. Temos orgulho disso”, diz.

Por Thais Queiroz

A entrada do hotel

Após a reforma que teve início em meados do último ano, pode-se dizer que o Maksoud é um meio de hospedagem completamente renovado. Por outro lado, apesar da modernização dos ambientes, a tradicionalidade continua sendo via de regra.

O local, que nas décadas de 1980 e 1990 acomodou importantes celebridades e políticos, apresenta números grandiosos: 416 apartamentos – sendo 45 suítes – distribuídos em 22 andares, dois andares com 38 salas para eventos, heliponto para até quatro helicópteros, quatro restaurantes e cinco bares, teatro para 420 convidados. “Temos que investir o tempo todo para manter o padrão de estrutura”, conta Henry Maksoud Neto, sobre o patrimônio que recebeu cerca de R$ 5 milhões em investimentos no último retrofit. Questionado sobre os números do empreendimento, ele revela dados comuns na hotelaria paulistana voltada para o segmento de negócios: ocupação média de 60% durante a semana e de 40% entre sexta e domingo. Para este ano, a ideia da administração é incrementar o faturamento total em 5%. “O ano passado foi um dos melhores para a hotelaria. Já este primeiro semestre foi difícil para o mercado em geral, mas mesmo assim conseguimos equiparar os resultados ao mesmo período em 2011, a diferença é que os resultados de crescimento não serão tão expressivos”, diz. O economista, de traços fortes e sérios, é cauteloso ao ceder informações. Mas a expressão inicial desaparece de seu semblante quando o assunto é a família: há cerca de um mês Maksoud Neto divide o tempo entre o trabalho e os mimos com a esposa e a filha recém-nascida, a segunda do casal.

A sala de espera para hóspedes que utilizam o heliponto

Quatro elementos A fachada é um dos símbolos que marcam o hotel. Nela, apesar de não ser explícito, estão as cores que definem os elementos da natureza – fogo, água, terra e ar – e que são também um dos lemas do Maksoud. Em 1979, quando o empresário Henry Maksoud viu seu projeto hoteleiro concretizado, as instalações já contavam com traços que visavam a sustentabilidade ambiental. Naquele tempo, o assunto ainda era pouco falado. Hoje a sustentabilidade caiu no gosto das pessoas e do comércio: um empreendimento que levanta tal bandeira tende a ter mais clientes que o restante. Desde então, o hotel conta com sistemas que permitem o uso de energias renováveis, por exemplo. Obviamente, em 33 anos mudanças foram feitas para a atualização do uso destes recursos. O hóspede que utiliza hoje os serviços do Maksoud pode, desde sua abertura, tomar água potável diretamente das torneiras; o lobby conta com controle sobre a umidade e sobre a temperatura, o que deixa o ambiente sempre com clima mais ameno; na parte que contempla o estacionamento e a entrada estão reunidos mais de 2 mil m² de espécies de vegetação atlântica e árvores de grande porte, mantidas sob cuidados e monitoramento diário.

No que cabe aos funcionários, todos são orientados a utilizar somente produtos biodegradáveis para limpeza, segundo o porta-voz. Em dias de alta ocupação, por exemplo, mais de três toneladas diárias de roupas chegam a passar pela lavanderia. O uso de produtos naturais influencia tanto na qualidade da lavagem quanto na durabilidade das peças - além de não agredir o meio ambiente.

Para a limpeza de determinadas áreas há o sistema de reaproveitamento das águas cinzas e de chuva, provenientes da captação de água do heliponto do hotel e da cobertura do Terraço Bonair, que faz parte da área de eventos.

Caso seja necessário realizar reparos hidráulicos e elétricos nos apartamentos, o concerto pode ser feito através de um painel na parte externa da acomodação, sem que o hóspede seja incomodado.

A vista do lobby para quem está no último andar do empreendimento

Cinco estrelas As reformas, os conceitos e serviços renderam, no início de setembro, a classificação oficial de hotel cinco estrelas.

A certificação foi concedida pelo SBClass (Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem), programa do MTur (Ministério do Turismo) que tem como intuito ajustar a estrutura e o serviço dos meios de hospedagem a padrões internacionais que respaldem hóspedes e turistas.

Segundo Henry Neto, equipes técnicas do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas) estiveram no local durante três dias para a inspeção de todos os ambientes comuns, assim como as áreas administrativas e de serviços. Entre os 164 itens avaliados estão qualidade de serviços prestados, qualidade da infraestrutura de instalações e equipamentos e variáveis e fatores relacionados com o desenvolvimento sustentável - tais como conceitos ambientais, relações com a sociedade e satisfação do usuário.

Para o executivo, as cinco estrelas – que serão oficialmente estampadas na fachada do Maksoud - deverão dar mais visibilidade e atrair turistas, de lazer e negócios, que até então vinham a São Paulo e optavam sempre por hotéis de redes internacionais.

Uma das diversas salas de eventos

Momentos de crise Apesar deste tempo profícuo, nem tudo foram flores para os proprietários do Maksoud Plaza. No final do ano passado uma denúncia por dívidas trabalhistas levou o hotel a leilão. Em 1999, o projeto de um novo empreendimento em Manaus foi embargado pela Justiça por suspeita de irregularidades nas obras.

Em novembro último, o imóvel, avaliado em R$ 140 milhões, foi arrematado por R$ 70 milhões, pelos responsáveis pela Júlio Simões Logística. O valor correspondeu ao lance mínimo, já que a empresa foi a única interessada na compra. À época, a assessoria de imprensa do Maksoud Plaza garantiu ao Hôtelier News que as dívidas são referentes a casos da década de 1990, quando funcionários processaram a Hidroservice, holding proprietária do hotel, por falta e atraso de pagamentos. Por fim, o leilão foi cancelado, mediante à validação do pagamento retroativo. As atividades do hotel foram mantidas normalmente durante o trâmite. Questionado sobre o assunto, o diretor é direto ao dizer que o tema foi e ainda é tratado com total naturalidade dentro do empreendimento. Porém, ele dá poucos detalhes. Maksoud Manaus Esta será a segunda unidade hoteleira do grupo. Seguindo os padrões de grandiosidade do hotel em São Paulo, este pretende ser um dos maiores meios de hospedagem da região da capital amazonense. Aprovado em 1987 pela extinta Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), o projeto hoteleiro prevê 153 mil m² de área construída em Ponta Negra. À época, o órgão financiaria parte do investimento total, previsto em R$ 400 milhões. Em meados de 1999 as obras foram paralisadas por conta de denúncias – por parte da CGU (Controladoria Geral da União) de irregularidades na aplicação de recursos públicos. A investigação foi feita pela Procuradoria da República no Amazonas, Mato Grosso e Pará. No final do ano passado a investigação foi concluída, e o terreno liberado para a continuação das obras. O diretor destaca que a construção foi reativada no início deste ano. Por estar localizado às margens do Rio Negro – onde o nível da água é modificado conforme o regime de chuvas -, foram necessários estudos aprofundados de hidrologia. “Tivemos que mudar toda a estrutura prevista”, diz. Em vez do concreto, o hotel será levantado por uma estrutura metálica, que atende aos conceitos mais modernos da construção civil. Tanto os estudos de solo quando o projeto de construção foram feitos pelo empresário Henry Maksoud. O empreendimento, que deverá iniciar as operações pouco antes da Copa de 2014, terá 150 apartamentos, estrutura completa de lazer e um espaço para convenções do mesmo porte que o Maksoud em São Paulo: serão cerca de 38 salas reservadas para eventos. Maksoud Neto concorda com a opinião, meio que unânime entre os hoteleiros, de que a Copa será uma ponte para levar às cidades-sede e aos centros de treinamento novos turistas e eventos. Porém, nesta unidade, o executivo diz que o foco é atrair visitantes interessados no ecoturismo. “Escolhemos Manaus porque é um lugar exótico, único no mundo. Lá existem recursos e atividades que, se melhor divulgadas, atrairão pessoas do mundo todo, inclusive o brasileiro que ainda não descobriu o destino”. Serviço www.maksoud.com.br

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