Abav estima incremento de 20% em viagens com financiamentos

 
 

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) tem sua missão definida em diferentes objetivos, mas seu principal foco é a representação dos interesses dos agentes de todo o país. Para tanto promove congressos, exposições de turismo e conferências que contribuem para o desenvolvimento do setor.

 

Criada em 1953 e atualmente presidida por Carlos Alberto Amorim Ferreira, o Kaká, a instituição busca realizar outras atividades, como defender a indústria do turismo como um todo, colaborando com os poderes públicos no estudo e solução dos problemas do mercado, e promover, por meio do Iccabav, a valorização e o treinamento de recursos humanos.
 
As mais de 3 mil empresas associadas, responsáveis por 80% do movimento do mercado nacional - incluindo emissão de passagens aéreas, reservas de hospedagens, transporte turístico terrestre, locação de automóveis, operação de pacotes e cruzeiros marítimos, entre outros - fornecem oferta de produtos e serviços turísticos com impacto em 52 setores econômicos. No da aviação comercial, por exemplo, mais de 80% dos bilhetes aéreos para vôos domésticos e internacionais são vendidos por agências de viagens. Os produtos turísticos, em grande parte, chegam ao consumidor por meio de milhares de lojas, que prestam atendimento presencial ou virtual a milhões de pessoas, sejam físicas ou jurídicas. 


Carlos Amorim Ferreira, o Kaká, assumiu a presidência da
entidade no ano de 2007 e ocupará o cargo até 2009
(fotos: divulgação)

No Brasil, as agências mantêm cerca de 35 mil empregos diretos e mais de 100 mil indiretos. Composta por um Conselho Nacional, que é eleito democraticamente e tem sede em São Paulo, a entidade de representação máxima do setor está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal com as 27 unidades que formam o Sistema Abav

 

Balanço de 2007 

No ano passado, por conta da queda do dólar e da ampliação de freqüências, houve aumento de 15% na procura por viagens internacionais. Nova York, Orlando e Buenos Aires foram os destinos mais desejados pelos brasileiros que viajaram ao exterior nas férias de final de ano. A Europa também apresentou demanda aquecida. Dentre os destinos considerados exóticos os mais solicitados foram Dubai, Ásia, Egito, Ilhas do Mediterrâneo, África e Nova Zelândia.

 

Quando o assunto é brasileiro viajando internamente, o Nordeste liderou o ranking dos locais mais visitados. Porto Seguro, Fortaleza, Natal, Maceió e Porto de Galinhas se destacam nos cinco primeiros lugares, seguidos por Costa do Sauípe, Salvador, Gramado, Recife e Rio de Janeiro.

 

No mercado doméstico as vendas apresentaram aumento de 7,9% em relação ao ano passado. Esse crescimento se deve ao aquecimento da economia e, conseqüentemente, à maior movimentação do mercado corporativo.
 

O turismo rodoviário no eixo Rio-São Paulo, especialmente devido à qualidade das estradas, teve aumento de 15% na procura. Já o segmento de cruzeiros marítimos apresenta crescimento médio de 30% ao ano desde 2003.

 

O tempo de permanência dos visitantes e o gasto médio no Brasil também registram incremento. Dados do final de 2007 indicaram entrada recorde de divisas em moedas estrangeiras (US$ 4,9 bilhões).

 

Entretanto, o ano de 2007 poderia ter sido muito melhor se não fosse a crise aérea, principalmente quando o assunto é mercado doméstico. E o internacional ainda possui alguns gargalos. Para quem quer viajar para os Estados Unidos existe o problema para a retirada dos vistos, que foi minimizado com o acordo entre o consulado e a Abav-RJ, mas não resolvido. A demanda está muito grande e a demora para conseguir o agendamento da entrevista prejudica o turismo exportativo para o local. 

 

Perspectivas

A tendência é de um ano melhor para a atividade turística, já que a economia está aquecida e o caos aéreo começa a se normalizar. Mais opções de vôos internacionais estão surgindo, o que deve normalizar a oferta e a demanda, que está desequilibrada desde a saída da Varig do mercado. Com as diversas opções de financiamento é esperado que os mercados doméstico e internacional apresentem aumento de 15 a 20% neste ano.

Entretanto, problemas como a demora para a emissão do passaporte brasileiro, assim como para agendamento de vistos para os EUA, podem atrapalhar este crescimento.

 

Pesquisa recente realizada pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com a Embratur mostra que 30,5% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos meses. Este índice é 12,9% maior que o apresentado em janeiro de 2007, quando 27% das pessoas que vivem no país demonstraram esse interesse.

 

Dos que apresentaram o desejo de viajar, 82,2% devem visitar destinos turísticos nacionais, percentual 5,4% superior ao ano anterior, quando foi registrado 78%. Os brasileiros que afirmaram ter intenção de sair do país equivalem ao percentual de janeiro de 2007, quando 15% dos pesquisados responderam que pretendiam fazer uma viagem internacional.

 

O meio de transporte usado preferencialmente será o automóvel (42%), que somado ao ônibus (12,4%), confirma o propósito de visitas a destinos nacionais. Contudo, a intenção de utilização do avião é expressiva, com 40,3%, o que significa aumento de 10,4%  em relação ao mesmo período de 2007.
 
 
Kaka revela aumento de 20% das delegações
para a Feira das Américas 2008

 

A equipe do Hôtelier News entrevistou o atual presidente da Abav Nacional para conhecer os projetos atuais e futuros, além da expectativa para a Feira das Américas 2008, que será realizada no Rio de Janeiro na semana que vem, entre os dias 22 e 25.

 

A entidade entende que o turismo é um vetor econômico capaz de desempenhar papel relevante no atual cenário sócio-ambiental e de promoção do intercâmbio cultural no planeta.
 
Por Rhaiane Sodré
 
Hôtelier News: Como chegou ao cargo de presidente da Abav Nacional?
Kaká: Me preparei muito para isso e esperei por dois anos para ser presidente da Abav Nacional em prol da união da instituição. No segundo mandato de Tasso Gadzanis, de 2003 a 2005, fui convidado para assumir a vice-presidência e o caminho natural seria que eu assumisse a entidade em 2005. Com a renúncia do Tasso em 2004, o João Martins ficou no lugar.

Na época concordei em aguardar um outro mandato com o objetivo de fortalecer a união da entidade. Com calma, esperei minha hora. Me preparei ao longo dos anos que estive à frente da Abav-RJ como vice-presidente, e depois como presidente, e também enquanto fui vice-presidente da Abav Nacional. Estou sempre atendo às mudanças e à movimentação do setor.

HN: Qual foi o primeiro desafio encontrado ao assumir?
Kaká: O primeiro e principal desafio foi integrar todas as Abavs estaduais e do Distrito Federal, fazer com que entendam que somos uma Associação Brasileira de Agências de Viagens e que devemos lutar juntos em prol do bem comum.
 
HN:
O que a hotelaria representa para a entidade?
Kaká: A hotelaria, assim como outros fornecedores ligados à cadeia produtiva do turismo, é importante para os agentes, já que ajuda a aumentar a margem de lucro destes.

HN: Como está o turismo no Brasil perante este momento econômico turbulento pelo qual o país passa?
Kaká: Mesmo com a crise econômica mundial, o cenário para o turismo está favorável. A economia está aquecida, houve expansão das ofertas de vôos, o poder aquisitivo do consumidor aumentou, aproximadamente 7 milhões de pessoas migraram para a classe média e contamos com diversas opções de financiamento.

HN: O que poderia ser feito para melhorar a atividade turística?
Kaká: Muita coisa. Mas o mais urgente é investir na infra-estrutura aeroportuária, portuária e rodoviária para comportar a expansão do setor no Brasil. Isso sem falar em capacitação do receptivo, sinalização turística adequada e maior promoção dos estados e municípios.



HN: Quais ações estão sendo realizadas pela Abav para contribuir com o mercado?
Kaká: É vital que as agências de viagens passem por uma transformação na gestão de seus negócios, que busquem capacitação, qualificação e novos conhecimentos. Para proporcionar isso, estamos investindo em cursos. Temos o Proagência, uma parceria da Abav Nacional com o Sebrae Nacional, que percorre todo o Brasil ensinando novas estratégias de gestão.


Ainda contamos com os cursos presenciais do Iccabav, oferecidos pelas Abavs estaduais e DF e os cursos de EAD (Ensino à Distância), disponíveis pelo portal Abav. Além disso, temos trabalhado junto aos parlamentares do Congresso Nacional para conseguir nossos pleitos.

HN: Quais agências mais comercializam?
Kaká: Isso é relativo. Depende da região onde ela se encontra.

HN: Qual cidade possui mais associados? É esta que tem maior representação de comercialização?
Kaká: São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades que possuem mais associados. E a primeira tem maior representação de comercialização.

HN:
O que a Abav pretende colocar em prática ao longo de 2009?

Kaká: Ampliar os acordos já firmados com as companhias aéreas nacionais para as internacionais; aprovar o projeto de lei que regulamenta a profissão do agente de viagens no Congresso, assim como o que regulamenta a atividade das agências de viagens; fomentar campanhas de incentivo para os agentes; e oferecer e investir cada vez mais em cursos e na capacitação do profissional.

HN: Quais as expectativas para a edição deste ano da Feira das Américas?
Kaká: Esperamos que o encontro receba 25 mil profissionais. Com relação às delegações, já registramos aumento de 20%.

O Congresso Abav e a Feira das Américas, um dos maiores e mais completos eventos de turismo da América Latina, representam uma oportunidade ímpar de fomentar novos negócios e debater temas importantes para o setor.

Na feira, o agente está em contato direto com uma ampla e diversificada rede de profissionais, empresas, entidades e destinos turísticos do mundo todo. É um ambiente propício para gerar negócios. Já no congresso, que este ano tem como tema central Turismo: os negócios mudaram. E você?, ele
tem a possibilidade de se reciclar e aperfeiçoar, adquirir novos conhecimentos, ficar por dentro das tendências e trocar experiências.

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