Adit Share: Setor de timeshare cresce na América Latina, mas precisa se reinventar para manter expansão

De Porto de Galinhas (PE)*

Adit Share - tendênciasMcPherson, Neto e Rodriguez: tendências no setor

Um painel sobre tendências e perspectivas para o mercado de timeshare no mundo deu prosseguimento à programação do Adit Share, aberto hoje (18), no Enotel Convention & Spa Porto de Galinhas. Participaram do debate Juan Ignácio Rodriguez, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da RCI América Latina; Francisco Costa Neto, CEO do Grupo Rio Quente; e Norman McPherson, diretor de Vendas Corporativas do Legendary Vacation Club.   

Rodriguez abriu o painel mostrando uma série de dados sobre o mercado de férias compartilhadas na América Latina. No total, até o final do ano passado, haviam 1647 empreendimentos em funcionamento na região, 4% a mais do que 2016. Segundo o executivo, esse mercado movimentou US$ 5,6 bilhões, alta de 3% frente a 2016. 

“Se levarmos em consideração que o mercado global fatura US$ 20 bilhões, a América Latina já representa um quarto do movimento mundial”, citou. “Nos últimos cinco anos, o setor cresceu 8%, em média, por ano na América Latina. A noticia boa é que o Brasil cresceu 13% por ano no período”, completou.

Na avaliação de Rodriguez, essa expansão deve continuar. Ainda assim, ele pontuou que é preciso traçar novos caminhos para que isso ocorra. Neste sentido, ele propôs ao público algumas reflexões. “Experiências: todo mundo fala disso no turismo. No nosso setor, isso deve ser oferecido antes, durante e depois da venda. É preciso ter o entendimento que este cliente vai conviver com  a marca nos próximos anos”, comentou. 

Outra reflexão citada pelo executivo foram as possibilidades de prospecção que o mercado brasileiro ainda não explora. “Hoje, 99% das nossas vendas são para brasileiros. No entanto, basta viajar para o Nordeste para ver uma grande quantidade de argentinos, chilenos e paraguaios. Isso é, portanto, uma grande oportunidade”, avalia.

Adit Share: cases do setor

Em sua fala, Neto mostrou o que o Grupo Rio Quente vem fazendo para inovar. “Tivemos números representativos em 2017: R$ 460 milhões de faturamento bruto; 600 mil clientes no parque aquático; perto de R$ 350 milhões em vendas de férias compartilhadas. No entanto, uma transformação contínua é necessária para manter o crescimento”, comentou. 

O CEO do Grupo Rio Quente comentou também a aquisição da Costa do Sauípe. “Neste negócio, acreditamos na chance de mudar. Primeiro, obviamente, a aquisição permite escalar nosso faturamento, mas pensamos que o negócio também pode oferecer mais opções (praia e parque) para nossos clientes”, disse. “Nossa ideia é que isso seja uma plataforma de crescimento futuro, seja para clube de férias compartilhadas ou para os resorts” completou.

Neto também propôs algumas reflexões aos presentes. Para ele, qualquer produto precisa de conexão com o propósito do negócio, e isso passa por entender o cliente. “O que ele quer? Ele é digital? O que ele vai ter de experiência nesse destino? Precisamos entender que o apartamento é simplesmente um meio. Temos que pensar numa entrega ampla. Em nosso negócio, estamos buscando entender tudo para atender aos consumidores do futuro” afirmou.

Adit Share - palestra tendênciasCerca 200 pessoas assistiram à palestra 

Experiência internacional 

Para fechar, McPherson mostrou o que o Legendary Vacation Club vem desenvolvendo no que tange ao relacionamento com os clientes. E, nesse trabalho, a gastronomia é ponto central. “Muitos dos nossos clientes voltam, entre outras coisas, pela sua experiência gastronômica. Valorizamos muito isso, porque impacta bastante na experiência do cliente. Em um cruzeiro, por exemplo, se ele não gosta da comida, ele terá problemas. Nos resorts, certamente da outra vez, ou mesmo ainda naquela viagem, ele busca outro lugar para ficar”, comentou. 

Em relação ao mercado de férias compartilhadas, McPhersom conta que a empresa realiza hoje uma série de ações de relacionamento com os sócios. Entre elas, destaque para a convenção anual. “No passado, a indústria como um todo temia que um cliente conhecesse outros. Pensava-se que eles pudessem comparar seus pacotes”, pontuou. 

“Resolvemos fazer diferente e os resultados têm sido positivos. Criamos experiências exclusivas para eles nesse encontro, bem como fora dele. Isso vem auxiliando na relação. Hoje, os sócios nos dizem que compram mais produtos para que a empresa tenha recursos para continuar oferecendo experiências únicas como temos ofertado a eles”, conclui.

(*) Crédito da foto: Vinicius Medeiros/Hotelier News

(**) O jornalista do Hotelier News viaja a convite da Adit Brasil

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