Brasil e Espanha se unem contra exploração sexual infantil

 
 
Representantes governamentais, entidades internacionais e líderes sindicais do Brasil e Espanha assinaram nesta terça-feira (30), em Madri, um documento em que se comprometem a contribuir e realizar ações de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes nos dois países.

“As crianças exploradas são filhos e filhas da classe trabalhadora. Nós, sindicalistas, não podemos fechar os olhos para isso”, afirmou Denise Motta, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Brasil (CUT).

Com o documento, os governos e organismos sindicalistas se comprometeram a realizar ações de conscientização dos trabalhadores sobre as consequências da exploração sexual e a importância de garantir os direitos de crianças e adolescentes. Além disso, o acordo também prevê o intercâmbio de informações e experiências, buscando ações conjuntas de prevenção e enfrentamento da prática criminosa.

Segundo Horácio Díaz Del Barco, subdiretor de Cooperação e Competitividade Turística do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo da Espanha, uma das principais ações é a divulgação do Código de Ética da Organização Mundial do Turismo (OMT) nos equipamentos turísticos, em especial, os hotéis. “Nos próximos meses, iremos sensibilizar 30 mil funcionários da rede Sol Meliá em todo o mundo, resultado de uma parceria com o Unicef. É uma conquista”, afirmou. O subdiretor também destacou que o governo espanhol promove a campanha de sensibilização No hay escusas (Não há desculpas) e participa de fóruns e feiras, a fim de mobilizar o setor. A próxima será a Feira Internacional de Turismo de Berlim, em março.
 
Elisabeth Bahia, coordenadora-geral do programa Turismo Sustentável e Infância (TSI), do Ministério do Turismo (MTur), considera que a discussão do tema junto à esfera trabalhista é um grande avanço. “A violência contra a criança e o adolescente, em todas as suas formas, não é apenas um problema social ou de justiça, é um problema que envolve todos os segmentos e classes sociais. Os números precisam diminuir”, disse.

Programa Turismo Sustentável e Infância (TSI)
Por meio do projeto Inclusão Social com Capacitação Profissional, o TSI formou, desde 2008, 2,4 mil jovens em cursos profissionalizantes de turismo, como recepcionista, bartender e monitor.

“Nós realizamos parcerias com secretarias de turismo, associações e Ongs e selecionamos jovens em situação de vulnerabilidade social. Ajudando-os a ingressar no mercado de trabalho, contribuímos para que eles não sejam explorados”, afirmou Elisabeth.
 
Durante os cursos, que têm duração de cinco meses, em média, “os alunos têm disciplinas sobre empreendedorismo, sexualidade, gravidez precoce, cidadania, dentre outros. Além do acompanhamento de psicólogos e pedagogos”, acrescentou.
Desde sua criação, o TSI também formou 853 multiplicadores nas 27 unidades da federação. Os multiplicadores são pessoas aptas a disseminar conhecimento, por meio de palestras e seminários, com intuito de aumentar a sensibilização sobre o tema no país.

Ainda segundo o documento assinado, as entidades se comprometeram a reunir-se novamente daqui a dois anos para avaliar a continuidade das ações. Entre as entidades representadas, estiveram: Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Ministério do Turismo (MTur), Conselho Nacional do SESI, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederácion Sindical de Comisiones Obreras (CCOO), Unión General de Trabajadores (UGT), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Mundial do Turismo (OMT) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
(Redação)

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