Classificação por estrelas no Brasil: o fim está próximo?

ClassificaçãoDiscussão sobre classificação integra pauta da Lei Geral do Turismo

A classificação de hotéis pelo sistema de estrelas parece estar com com os dias contados no Brasil. Pelo menos na avaliação do MTur (Ministério do Turismo), responsável pelo SBClass (Sistema Brasileiro de Classificação dos Meios de Hospedagem). Na avaliação da pasta, o formato não atende mais à demanda dos consumidores, que vêm encontrando na internet outras fontes de avaliação.

A julgar os últimos passos do MTur, o recente anúncio da pasta sobre o tema caminha para a não mais utilização do ranqueamento com estrelas. O SBClass, por exemplo, não é mais emitido e regularizado pela pasta no mercado doméstico desde 2016. Nesse cenário, portanto, a alteração implicaria na mudança de papel do ministério, que atuaria mais como orientador do que classificador dos empreendimentos.

“Os programas e projetos desenvolvidos pelo MTur são constantemente avaliados. Neste processo, entendemos que o SBClass já não mais atendia às expectativas do consumidor e nem dos meios de hospedagem, que hoje tem interlocução direta por meio das ferramentas digitais. Assim, decidimos por uma reestruturação para adequar o sistema à nova realidade do mercado”, explica Vinicius Lummertz, ministro do Turismo, por meio de nota.
 
Hoje, a reestruturação não está completa. O fim da classificação, portanto, não é definitivo – está suspensa no momento. A pasta, mesmo tendo pouca adesão à busca pela classificação por estrelas desde 2016, ainda não bateu o martelo. Na verdade, a discussão sobre o assunto é pauta dentro da revisão da Lei Geral do Turismo, em avaliação no Congresso, informa a assessoria de imprensa do MTur. O Hotelier News conversou também com dirigentes de entidade e executivos do mercado para repercutir o tema. Veja o que eles pensam.

Classificação por estrelas

Para Alexandre Sampaio, presidente da FBHA (Federação Brasileira de Hospitalidade e Alimentação), a avaliação do MTur é correta. “Numa realidade em que temos as ferramentas de ranqueamento do Google, sites e blogs, é desnecessário o MTur se preocupar com a classificação dos hotéis", avalia.

Para ele, as mídias sociais facilitam o trabalho do órgão público. Mais do que isso, auxilia de maneira mais fidedigna o hóspede na escolha do meio de hospedagem. “Acho que o impacto será maior para hotéis independentes”, acredita.  

Alexandre Gehlen, presidente do FOBH (Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil) e da Intercity Hotéis, concorda com a avaliação de Sampaio e vai mais a fundo na explicação. “Hoje, ao criar diferentes marcas e segmentar seus hotéis a partir delas, as redes hoteleiras já cumprem essa função de classificar seus empreendimentos”, explica. “Os hotéis independentes, ao contrário, muitas vezes se valem da classificação por estrelas”, pondera.   

Por outro lado, há quem não veja necessidade de extinguir a utilização da SBClass. Manoel Linhares, presidente da ABIH-Nacional (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), acredita que a classificação, em todos os âmbitos, é importante para o negócio.

"Seja ela na internet ou por meio do MTur, precisamos desse reconhecimento. Dessa forma, não vejo razão para que ambas avaliações (estrelas e internet) não possam coexistir e reforçar ainda mais os hotéis", salienta.

Classificação por estrelas - Trícia NevesTrícia: internet tem avaliações atualizadas sobre os hotéis

O papel da internet

Trícia Neves, sócia da consultoria Mapie, acredita que, de fato, a internet assumiu o papel do MTur. “Vejo a classificação por estrelas como desnecessária no mundo de hoje. Isso está ligado dois fatores: disponibilidade de informações e mudança de comportamento do consumidor, que está mais empoderado a partir dessas informações”, explica.

Segundo Trícia, os consumidores efetivamente valorizam muito mais a opinião de outros clientes. “Ele pode encontrar informações de hóspedes com hábitos parecidos com o dele, o que é muito difícil de ocorrer em um guia. Exemplo: se estou viajando a trabalho, vou procurar reviews de pessoas preocupadas com a velocidade da internet. Consigo me enxergar melhor nessas avalições”, avalia. “Além disso, são informações muito mais atuais, o que confere maior assertividade”, completa.

Ainda assim, a sócia da Mapie pondera sobre a confiabilidade das informações, mas ressalta os esforços dos sites especializados. “É claro que sempre tem a filha do dono do hotel que coloca uma avaliação maravilhosa. Ou mesmo o concorrente, que entra só para criticar. Ainda assim, vemos que os sites de reviews vêm a cada dia trabalhando na confiabilidade dessas informações”, finaliza.

(*) Crédito da capa: PatternPictures/Pixabay

(***) Crédito da foto: Emerson de Souza/Mapie

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