CNC: 2020 será pior ano em uma década com retração de 5,6% no setor de serviços

CNC - setor de serviçosSetor terciário pode registrar pior desempenho histórico

Com a expansão do coronavírus pelo país, a economia chegou a perdas históricas. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo) estima retração de 5,6% no volume de receitas setor de serviços. Nos últimos três meses, apenas o Turismo registrou prejuízo de R$ 90 bilhões.

Em um período pré-pandemia, as expectativas para este ano eram positivas.  A última previsão otimista da entidade para os serviços em 2020 havia sido em fevereiro, com base nos dados de 2019. Ainda sem os efeitos do novo coronavírus, a projeção naquele momento era de crescimento de 2,1% para o setor.

Divulgados ontem (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os dados de abril da PMS serviram de base para a estimativa. Confirmada a previsão, o setor terciário pode registrar o pior desempenho anual na série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2011.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, mesmo em um cenário de flexibilização da quarentena, o elevado grau de deterioração da conjuntura econômica não possibilita, neste momento, vislumbrar o horizonte de recuperação do setor.

“Além da contração do consumo das famílias, a queda do nível de confiança dos serviços revela certa aversão à retomada dos investimentos diante do elevado grau de ociosidade corrente no setor”, diz Tadros.

Segundo Fabio Bentes, economista da CNC, os reflexos da forte queda na demanda por serviços de alojamento e alimentação já vinham sendo capturados por outros indicadores conjunturais, divulgados antes da PMS de abril, como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

“Diante de tamanha queda na atividade, já há reflexos sobre a empregabilidade nesses setores. De acordo com os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os serviços de alojamento e alimentação foram, proporcionalmente, os que mais destruíram postos de trabalho no bimestre março-abril, entre os 21 subsetores econômicos analisados”, complementa Bentes.

CNC: análise do cenário

Quanto ao volume de receitas do setor de serviços, a PMS constatou redução de 11,7% em abril, em relação a março. Tal resultado foi recorde de queda mensal de faturamento real desde o início dos levantamentos, iniciados há quase dez anos.

Embora todos os grupos de atividades tenham registrado retrações, o resultado mensal foi particularmente influenciado pelas quedas inéditas na prestação de serviços às famílias (-44,1%) e no segmento de transportes, armazenagem e correio (-17,8%). Mais especificamente, os serviços de alimentação e alojamento (-46,5%) e o transporte aéreo (-73,8%) foram os que mais sofreram.

No âmbito das atividades turísticas medidas pela PMS, as quedas chegaram a resultados inéditos em abril. Após recuar 30% em março, o volume de receitas das atividades turísticas caiu 54,5% no mês seguinte.

Em março, quando foi decretada a pandemia da doença, o setor acumulou perda de R$ 13,38 bilhões em relação à média mensal de faturamento nos meses anteriores. A paralisia quase completa do turismo nas semanas seguintes agravou o cenário. Fazendo com que o setor perdesse R$ 36,94 bilhões em abril e R$ 37,47 bilhões em maio, totalizando prejuízos na ordem de R$ 87,79 bilhões.

(*) Crédito da foto: StockSnap/Pixabay

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