Com efeito do Covid-19, receita da Accor cai no 1º trimestre

accor - resultados 1 tri_internaReceita da rede francesa caiu 15,8% no 1º trimestre, somando € 768 milhões  

Como esperado, o impacto do coronavírus já se refletiu nos resultados financeiros da Accor. No primeiro trimestre, a receita global da rede francesa recuou 15,8% frente igual período de 2019, somando € 768 milhões. RevPar global cedeu 25,4% na mesma base de comparação, sendo 62,6% apenas em março. Na América do Sul, a diminuição observada no indicador foi menor (11,2%), mas reflete a “atraso” do início da proliferação da pandemia no continente frente a outras regiões. Um retrato mais fiel dos efeitos do Covid-19 por aqui será mais visível no próximo trimestre.

Ainda em relação ao RevPar, o indicador teve quedas mais expressivas nas regiões Ásia-Pacífico (33,7%) e na Europa (23,2%) e América do Norte (22,2%). Na análise por países, China (-67,7%) registrou a maior variação negativa no trimestre, mas o mercado local já dá sinais positivos de reação. França, onde 75% dos hotéis da companhia foram fechados, apresentou 22,4% de recuo no indicador. Outros países centrais na Europa, muitos deles com implementação do chamado lockdown, também viram o índice cair em dois dígitos, casos de Reino Unido (-22,1%), Alemanha (-24,5%) e Espanha (-29%).

Accor e os hotéis

Para o primeiro trimestre, a Accor estima recuo de € 170 milhões no Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês). O valor reflete o fechamento gradual da maioria de sua carteira de hotéis a partir de março. Segundo a rede francesa, 62% das unidades estão com operações suspensas globalmente até 22 de abril, somando mais de 3,1 mil unidades. Ainda assim, a empresa inaugurou 58 empreendimentos ao longo dos três primeiros meses de 2020, resultado considerado satisfatório diante do momento atual de incertezas econômicas em função da pandemia.

accor - resultados 1 tri_Sebastian BazinBazin passou mensagem positiva ao mercado, destacando a solidez da Accor

Em relação ao Ebtida, a Accor ressaltou que a queda observada no indicador incorpora apenas parcialmente os impactos positivos das medidas adotadas internamente no final de março. De acordo com a rede francesa, efeitos positivos dessas iniciativas serão mais visíveis nos próximos meses. Além disso, a empresa estima que abril e maio tendem a ser os momentos de maior dificuldade em 2020, com taxas de ocupação muito baixas e forte incerteza quanto ao relaxamento do confinamento e lockdown, bem como o ritmo de reabertura de fronteiras.

Por fim, a Accor ressaltou que, mesmo diante desses tempos desafiadores, detém uma posição financeira sólida, com mais de € 2,5 bilhões em liquidez disponível e uma linha de crédito rotativa não utilizada de € 1,2 bilhão. “Hoje, nosso desafio é duplo: gerenciar a emergência e preparar a recuperação. O grupo está em uma posição forte para lidar com a situação atual e estamos tomando medidas agressivas para adaptar nossa organização”, diz Sébastien Bazin, chairman e CEO da Accor, acrescentando que a companhia conseguirá absorver as consequências econômicas dessa crise nos próximos trimestres.

(*) Crédito da capa: Peter Kutuchian/Hotelier News

(**) Crédito das fotos: Divulgação/Accor

Comentários