Complexo marca entrada no nicho de hotéis do grupo Ferrasa

Newton FerratoNewton Carlos Calvo Ferrato, sócio proprietário do grupo Ferrasa (fotos: Filip Calixto)

Acontece ainda esta semana o laçamento oficial do mais novo complexo de hospedagem e lazer do interior de São Paulo. O empreendimento, que pretende recepcionar cerca de 60 mil pessoas mensalmente, promete ser um divisor de águas na hotelaria e no turismo da pequena Olímpia - município de 50 mil habitantes localizado a 430 km da capital paulista - e representa a concretização da transição de mais uma empresa que começou no ramo de incorporação e aos poucos ultrapassa a fronteira da hospitalidade com seu terceiro estabelecimento no ramo. Ocupando cerca de 140 mil m² e com valores de investimento estimados em R$ 130 milhões, a construção tem, em sua parte hoteleira, 484 apartamentos de 40 m², projeta empregar 530 pessoas e sua inauguração deve ocorrer primeiro semestre de 2016. Íntimo do projeto, Newton Carlos Calvo Ferrato, sócio proprietário do grupo Ferrasa - empresa responsável pelo empreendimento -, deixou o calor do interior paulistano e encontrou a reportagem do Hôtelier News para falar sobre a migração do grupo para o segmento hoteleiro e sobre as expectativas acerca do novo negócio da corporação. Por Filip Calixto

Hot BeachO terreno onde será instalado o novo complexo (foto: divulgação)

"O desenvolvimento turístico da cidade de Olímpia começou há cerca de 30 anos com a inauguração do primeiro parque aquático da região, o Thermas dos Laranjais. Foi um estabelecimento que começou a funcionar como local, posteriormente regional, e hoje atinge o Estado todo e até públicos de fora", conta, em tom professoral, o executivo do grupo Ferrasa. A explicação tem como intenção provar que o município interiorano tem a vocação turística como característica. "Esse local levou a cidade à vocação turística e a partir disto foram surgindo vários outros empreendimentos na cidade", completa. "Em 2001, o grupo Ferrasa - que tem 33 anos e sempre trabalhou com áreas públicas, obras privadas e incorporações - começou a construir seu primeiro hotel, o Thermas Park Resort & Spa (inaugurado em 2003). Tendo êxito no negócio, a empresa passou a considerar a hotelaria como um novo nicho de atração de público e começou a apostar em novas investidas", relata. Satisfeita com o desempenho do primeiro empreendimento, a corporação lançou, em meados de 2011, o segundo projeto, o Thermas Aqua Resort Club, que tem previsão de abertura para meados de 2014. "Agora estamos lançando o terceiro meio de hospedagem e um parque aquático. Além disto, atuamos também como agência de viagem - fornecendo pacotes exclusivos para o nosso destino junto ao mercado paulista", acrescenta. Complexo Hot Beach Com os olhos totalmente focados no novo projeto, o grupo Ferrasa dividiu os custos para bancar o complexo em duas partes. O montante de R$ 130 milhões é custeado em partes diferentes por investidores individuais pulverizados e pela própria empresa. "São dois empreendimentos e, desta maneira, optamos pela divisão nos investimentos. A verba para o meio de hospedagem é de R$ 80 milhões, valor oriundo da venda de apartamentos para o mercado de investidores. Já no caso do parque são R$ 50 milhões em aplicações financeiras com recursos da própria empresa", afirma Ferrato. Para ele, a aposta da corporação no segmento de hotéis tem finalidades além do interesse financeiro: pretendem desenvolver a cidade como polo turístico e transformá-la em destino movimentado da região. Abaixo o executivo conta os detalhes do desenvolvimento do grupo no ramo hoteleiro e as etapas para a implantação do novo complexo.

OlimpiaVista da cidade de Olímpia, em São Paulo (foto: olimpia.sp.gov.br)

Hôtelier News: Tendo atuado sempre no mercado do interior paulista, como o grupo Ferrasa enxerga o desenvolvimento do setor turístico nesta região e mais especificamente em Olímpia, onde concentra seus empreendimentos hoteleiros? Newton Carlos Calvo Ferrato: Não somos exatamente especialistas para falar sobre o interior de São Paulo. Somos da área de construção e podemos falar com propriedade de Olímpia, que nesses últimos dez anos teve crescimento significativo e acima das expectativas. Acredito que isto tenha ocorrido por vários motivos: a ascensão da classe média ao turismo de lazer, a falta de opção de investidores para aplicações seguras e rentáveis e a iniciativa de empresários e investidores do município que apostaram em diferentes negócios vinculados ao turismo. Pequenas pousadas, bares, restaurantes e assim vai. Além disso, também é necessário salientar a participação do poder público, que tem investido, ao longo dos anos, na infraestrutura da cidade. Credito a isto este movimento de crescimento de uma cidade de porte pequeno [50 mil habitantes] como Olímpia. HN: O grupo Ferrasa inaugurou sua primeiro unidade hoteleira há exatos dez anos. De lá para cá, como senhor enxerga as mudanças ocorridas no mercado da região? Ferrato: Há dez anos, por exemplo, não imaginávamos ser possível ter três ou quatro empreendimentos do tamanho e do porte dos que temos atualmente. Já existia um turismo ativo, mas a maioria dos visitantes enxergava a cidade como destino de apenas um dia. Era uma visão justa pois a cidade não oferecia hospedagem, somente opções de lazer para o período do dia. Contudo, isto etá mudando. A viabilização do Hot Beach é um exemplo deste novo pensamento. Estamos construindo um parque com grande investimento e no mesmo complexo um meio de hospedagem que demanda maior aplicação financeira ainda. Isto mostra que o aporte em hotelaria tem sido muito mais pesado do que o destinado a locais de diversão. O lazer e sua opções já eram presentes, faltava o empresário privado fazer a parte dele e aumentar as opções de hospedagem para que demanda e oferta ficassem equilibrados. Ainda não há equilíbrio, mas notamos que existe muito espaço para crescer. HN: A inauguração do Hot Beach e a consolidação do grupo Ferrasa no segmento hoteleiro podem incentivar novos investimentos no setor de hospitalidade da cidade? Ferrato: Creio que sim. Principalmente porque com esta inauguração estamos criando condições para que outros empreendimentos hoteleiros nasçam no entorno do parque aquático.

 Thermas Park Resort e SpaO Thermas Park Resort & Spa, primeiro empreendimento do grupo (foto: divulgação)

HN: Sendo assim, o senhor não acha que a empresa corre o risco de espalhar e dividir este público com outros hotéis, perdendo assim seu hóspede? Ferrato: Não temos este receio. Normalmente, o público quando frequenta um local turístico quer hotel e opções de lazer. Se em Olímpia forem construídas outras opções de divertimento, assim como o Hot Beach, quem ganha é o mercado hoteleiro da cidade, que tem mais turistas passando pelo destino. Este cliente vai continuar usufruindo da rede de hospedagem da cidade. Nossa intenção é que a hotelaria continue progredindo e mais viajantes conheçam o município. Hoje o fluxo de visitantes na cidade chega a 1,2 milhão, anualmente. Com o complexo aquático pronto temos a expectativa de receber cerca de 60 mil pessoas mensalmente. Ou seja, isso pode quase dobrar o contingente de turistas do destino nos próximos anos, oferecendo assim possibilidade para que os empresários da hotelaria continuem investindo em opções de lazer. HN: Como o senhor enxerga a elevação no número de estabelecimentos de hospedagem na cidade? Ferrato: Não vemos concorrência. Enxergamos que quanto mais hotéis a cidade reunir, mais os hotéis vão se esforçar para demonstrar qualidade. Com isso, todo mundo vai progredindo. HN: Sobre a demanda de visitantes que a cidade costuma receber, quais são os mecanismos para atrair este turista e de onde ele vem? Ferrato: O visitante que Olímpia recebe vem principalmente de São Paulo e não é uma demanda provocada. Esperamos que ela caia no colo. Não existe nenhuma ação de marketing que chame o público para visitar Olímpia.

Newton FerratoMaria Carolina Pinheiro, gerente de Novos Negócios da RCI - parceira do Hot Beach -, e Newton Ferrato

HN: E esta iniciativa tem que partir de quem? Ferrato: É uma ação que tem que partir dos próprios empresários, a partir do momento que ele tem como receber esta demanda. Até hoje isso não foi feito pois não existe espaço para receber este público, então o pessoal espera que a estrutura esteja pronta para que assim campanhas neste sentido comecem a ser realizadas. HN: Com estas transformações, qual a importância do segmento turístico para o município? Ferrato: Olímpia já teve uma pequena parcela da população trabalhando no turismo e poucas pessoas ganhando sua vida neste setor. Hoje, esta cidade com 50 mil habitantes tem 20% de sua população vivendo do turismo. Este número representa cerca de 10 mil pessoas. HN: Como foi o nascimento e o desenvolvimento da ideia de construir o novo complexo? Ferrato: A ideia de construir o complexo vem de pesquisas realizadas anteriormente com clientes dos nosso primeiro empreendimento. Nessas respostas era frequente reparar observações que falavam acerca da falta de novas opções de diversão na cidade. HN: Como estas respostas foram captadas? Ferrato: Todo hóspede, no ato de check-out, é convidado a responder uma pesquisa na qual ele expressa suas opiniões a respeito do destino e do estabelecimento. Ao longo de dez anos recebemos e avaliamos 144 mil pesquisas, e esta solicitação foi visível. Agora a construção de mais um hotel é oriunda da constatação de que o mercado da cidade está cada vez mais aquecido e do sucesso que tivemos no lançamento do Thermas Aqua Resort Club, o condo-hotel da rede. Após certificada esta possibilidade, a maturação de todo o projeto levou dois anos. Newton Ferrato HN: Por que a escolha de ter os investidores pulverizados como responsáveis pela construção do hotel? Ferrato: No Brasil não há muitas opções de financiamento para a construção de hotéis. A maior parte deles é nesses moldes. Outra alternativa seria angariar recursos junto ao BNDES, o que é uma operação complicada, por vezes morosa. Então a captação por meio de investidores individuais pulverizados tem sido a melhor opção. HN: Os outros hotéis do grupo também foram viabilizados desta forma? Ferrato: O primeiro com  recursos próprios. O segundo já foi desta forma. HN: Quanto ao parque aquático os recursos são da própria empresa. Há uma estimativa para saber quanto tempo o local terá que funcionar até reaver o valor investido na construção? Ferrato: Existe uma taxa de retorno interno, que foi estimada em 6, 7 anos. É um tempo baixo e só é assim pois consideramos uma taxa de ocupação muito boa para o resort. HN: Qual é esta expectativa de média de ocupação e da diária média para o resort? Ferrato: Na primeira unidade hoteleira que tivemos a ocupação média dos primeiros meses foi de 81%. Trabalhamos com um número bem mais baixo para o resort, algo por volta de 70% de ocupação. A diária média deve ficar na casa de R$ 350, R$ 400, dependendo da época do ano. Serviço www.thermasparkhotel.com.br

Comentários