Conheça Guilhermina Biazzon, hostess no Fairmont Copacabana

Guilhermina - hostess Fairmont CopacabanaGuilhermina quer crescer no setor para realizar o sonho de viver na Europa

Posições firmes, personalidade, determinação e jeito para lidar bem com clientes. Hostess do Spirit Copa desde a abertura do Fairmont Copacabana, em agosto de 2019, Guilhermina Biazzon sabe bem o que quer. Na vida, pretende continuar vivendo sua identidade na planitude, até porque ela sabe muito bem quem é. Na carreira, quer prosseguir sua trajetória na hotelaria, estudar cinema e um dia morar na Europa.

Então, vamos começar pela carreira. Com a palavra, a própria Guilhermina. “Aceitei esse desafio profissional, em outra cidade, em outro segmento, por entender que a hotelaria pode me ajudar a alcançá-los”, explica a paulistana nascida no bairro de Aricanduva, de 26 anos. “Gosto de pessoas, de lidar com elas. Mais ainda, acho que faço isso muito bem. Quero crescer na área e atingir esses sonhos”, completa.

Formada como barista pela Coffee Lab, ela trabalhou no próprio estabelecimento por dois anos e meio. Na premiada cafeteria paulistana, localizada na Vila Madalena, começou na função para qual estudou, mas rapidamente cresceu, atuando em diferentes posições, incluindo gerenciais. “Foi meu primeiro emprego como Guilhermina. Ali mostrei meu potencial como profissional e fui reconhecida. De todos os cargos que trabalhei lá, um dos que mais curti foi justamente de hostess”, revela.

Até que um dia... até que um dia a hotelaria cruzou sua vida. No ano passado, em companhia do mixologista Tai Barbin, Letícia Villar percorria cafeterias em São Paulo para pesquisar o conceito que iria explorar no então futuro COA Café & Co. “Ela gostou de mim e perguntou: ‘Tem vontade de trabalhar em um hotel cinco estrelas no Rio?’ Aceitei na hora”, relembra Guilhermina, referindo-se a Letícia, ex-gerente de A&B (Alimentos & Bebidas) do Fairmont Copacabana (veja In Loco Especial).

“Cheguei em 15 de julho, antes da abertura. Participei de toda implantação do hotel e foi uma experiência incrível”, comenta Guilhermina. “Desde o começo, a Letícia me estimulou a ir além de apenas receber os clientes no Spirit Copa. E, de fato, hoje sou quase uma RP (Relações Públicas) do bar, indo de mesa em mesa conversando com os clientes e fazendo-os ficar bem à vontade”, brinca.

Guilhermina - hostess Fairmont Copacabana_Spirit CopaGuilhermina atua desde sua chegada no já bastante badalado Spirit Copa

Guilhermina Biazzon: vida fora do trabalho

Moradora da Glória, bairro da Zona Sul carioca, Guilhermina se diz ligeiramente desapontada com a vida na Cidade Maravilhosa. Ela revela que já passou alguns apertos, por isso se vê mais segura em São Paulo. “É uma das cidades que mais matou transexuais no mundo em 2018”, comenta, referindo-se ao Rio. “Infelizmente, ainda há muito preconceito. Até por ser nascida lá, sabia onde era mais seguro andar na capital paulista. Aqui ainda estou aprendendo.”

De fato, nessa sociedade conservadora e pouco afeita à diversidade, Guilhermina tem que ficar esperta. Lamentavelmente, é bom ressaltar. Até porque ela chama atenção. Alta e esbelta, sempre bem vestida, com longos cabelos pretos e marcantes olhos negros, ela se diz plena, seja com sua identidade ou com seu corpo.

“A violência e o preconceito fazem com que muitos transexuais tenham essa necessidade de mudar seu corpo e de se encaixar nos padrões estéticos aceitos pela sociedade. Sou muito feliz comigo mesma”, afirma Guilhermina, que não pensa em fazer cirurgias. “Homem ou mulher, gênero... tudo isso é uma grande performance, uma construção. Na natureza é macho e fêmea”, completa.

Com uma firmeza surpreendente para alguém de sua idade, Guilhermina ressalta que desde jovem sabia exatamente qual era sua identidade. “Minha percepção de ser trans apareceu rápido, até porque quase ninguém me notava como homem. Com 13 anos isso já acontecia”, relembra. “Por isso, para mim, é muito importante ter identidade e imagem trans”, acrescenta.

Bacana saber que, assim como outros empreendimentos hoteleiros no país, há aceitação e acolhimento aos transexuais na hotelaria. Com uma clara política pró-diversidade de gênero, a Accor dá um belo exemplo, desenvolvendo uma série de ações para o público LGBTQ. Que continue assim para que mais e mais Guilherminas se insiram no setor. Até porque, ela é muito boa no que faz. Siga em frente e nunca desista dos seus sonhos!

(*) Crédito das fotos: Vinicius Medeiros/Hotelier News

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