Eduy Azevedo: uma trajetória dos dois lados do balcão

eduy azevedoAzevedo: precisamos aumentar o leque de parceiros para reagir às crises

Apaixonado por esportes, Eduy Azevedo, atual diretor de Hotelaria do Mabu Hotéis & Resorts, alçou voos muito além do que sua formação em Educação Física o permitia imaginar. Através da área escolhida, o profissional adentrou no mercado hoteleiro, conheceu o mundo em diferentes nuances e mergulhou de cabeça nas oportunidades que apareceram no meio do caminho.

Em 1987, o profissional fez uma entrevista despretensiosa no recém-aberto Club Med Rio das Pedras, no Rio de Janeiro. Foi nesta época que conheceu Janick Daudet, hoje presidente nacional da rede de resorts, que atuava em sua primeira temporada como chefe de Village. 

“O Club Med é uma referência quando falamos em resorts. Ali, muitos colaboradores começaram suas carreiras através do esporte, pois abre brechas para galgar novos espaços”, explica. No ano seguinte, Azevedo foi transferido para a unidade de Itaparica (BA) da rede, onde surgiram as primeiras oportunidades de atuar fora do Brasil.

Com passagens por países como Israel e Tunísia, o atual diretor geral da Mabu viveu períodos intensos como monitor e chefe de vela da rede. “Fui sem ter ideia de como seria e me apaixonei. De seis em seis meses estava em Paris, na sede do Club Med, pois era preciso trocar de village obrigatoriamente. Quando me perguntavam meu destino desejado, disse que era Israel”, relembra.

Em 1989, Azevedo atuava no Village Arsive, situado em ruínas a 2 quilômetros de Rosh Hanikra, fronteira com o Líbano. “O país estava em guerra com os palestinos. Presenciei um ataque, escutei disparos”, conta. Passados seis meses, o executivo foi novamente transferido, desta vez para Eilat, também em Israel. “Estávamos na fronteira da Jordânia, Arábia Saudita e Egito. Tínhamos a autorização para velejar até a metade da península. Foi uma experiência marcante em um dos lugares mais bonitos que já conheci”.

Eduy Azevedo: terras brasileiras

De volta ao Brasil, em 1995, o profissional foi para o Transamerica Ilha de Comandatuba (BA), como gerente de Lazer e Eventos, onde permaneceu por volta de dois anos. Ainda na Bahia, foi colaborador do antigo Hotel Praia do Froet, atual Tivoli Ecoresort Praia do Forte, também na área de Lazer e Esportes.

Já no Blue Tree Hotels, Azevedo passou a integrar o time do Blue Tree Cabo Santo Agostinho (PE), atual Vila Galé. “O hotel tinha uma grande infraestrutura de lazer e a praia era incrível. Robert Fichtner me chamou para um projeto como gerente geral de Trainee. Fiz MBA em Gestão Hoteleira e me preparei”. 

Foi em um hotel executivo da rede de Chieko Aoki que o ele atuou pela primeira vez como gerente geral em um empreendimento corporativo. “Fiquei por pouco tempo e recebi um convite para trabalhar no Thermas Água Ativa, como diretor Comercial, migrando da área de operações. Montei escritórios de vendas em Curitiba e Maringá e mudamos o conceito do resort”. O Thermas passou a se chamar Aguativa Golf Resort, após um retrofit e construção de um campo de golfe.

Em busca de novos desafios, Azevedo foi para a Costa do Sauípe (BA). “Lá, conheci o Alexandre Zubaran e, por ter grande experiência no exterior, fui encarregado de vender o empreendimento e o destino para operadores internacionais”. 

Mais tarde, ele seria chamado para integrar a equipe da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), detentora do negócio, como responsável pelos eventos sociais do resort baiano. Na época, o empreendimento passava por processos de mudanças e, as unidades Sofitel, operadas pela Accor, deixaram de existir. “Criei a SHR Sauípe Hotéis e Resorts, absorvendo todos os funcionários da Accor. Os colaboradores eram demitidos em uma sala e admitidos em outra”, conta. 

Depois, com a saída dos hotéis da Marriott,a proposta foi fazer uma gestão unificada. “Discutimos e decidimos construir uma gestão única. Montei um time e absorvi a Marriott, unificando as quatro unidades”. Desta forma, Azevedo assumiu também as pousadas administradas pela rede Pestana Hotels & Resorts, localizadas dentro da Costa do Sauípe.

Ao deixar o resort, se mudou para o outro lado do país, em Santa Catarina. Lá, auxiliou na implantação da segunda fase do IL Campanário Vilaggio Resort, ao lado de Péricles Druck, onde foi gerente geral por um ano.

“Fui para o BHG (Brazil Hospitality Group) conhecer o lado da hotelaria executiva. Atuei como superintendente, administrando hotéis em Salvador, Recife, Natal”, conta. “É uma operação completamente diferente dos resorts. Foi muito bacana viver essa experiência”.

Do outro lado do balcão

Da hotelaria, Azevedo conheceu o outro lado da moeda. Na CVC, foi responsável por produtos em todo o país, de Norte ao Sul, exceto o Nordeste. “No segmento nacional, precisávamos faturar mais de R$ 14 milhões por dia. Dormia e acordava pensando em números”, relembra.

No período em que trabalhou na operadora, o profissional viu a CVC se transformar em CVC Corp, hoje detentora de seis empresas como Rextur Advance, Trend Viagens, Visual Turismo e Submarino Viagens.

Novo desafio

Há nove meses no Mabu, Azevedo retorna às raízes no segmento de resorts. “Foz era uma das minhas regiões na CVC e, por isso, já conhecia a rede, mas busquei entender o projeto como um todo”, afirma. “Vi uma possibilidade de crescer, tenho uma grande bagagem tanto de eventos quanto comercial”.

O grupo vive um momento otimista com o sucesso do Blue Park e a abertura da Praia termal. “É um destino que bomba na alta e baixa temporada. Com toda a estrutura do Park, coloca o Mabu como um grande empreendimento”, afirma.

Investindo no setor de multipropriedade, Azevedo acredita que o segmento é o futuro do mercado hoteleiro. “O fracionado é a bola da vez, pois ajuda o setor a crescer. A dificuldade é a entrega, pois os construtores não são hoteleiros. Este é um problema que não teremos, pois quem está construindo nossos blocos são do ramo”.

Sobre o mercado hoteleiro brasileiro, o gerente afirma que muitas mudanças precisam ser feitas e novos players precisam se integrar ao setor. “Necessitamos de uma boa companhia aérea com valor justo e dar segurança para as pessoas viajarem. O lance é trabalhar com mercados primários e secundários, cada um de maneira diferente, abrir o leque de parceiros para reagirmos a momentos ruins”. 

(*) Crédito das fotos: Peter Kutuchian/Hotelier News

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