Em live, profissionais debatem a relação entre operadoras e investidores na crise

liveLive está disponível na íntegra no canal do Hotelier News no Youtube

Em novo horário, às 16h, Hotelier News em parceria com o Grupo R1 transmitiu o debate Governanças e Modelos de Negócios Sob Tensão pelo Youtube. O foco do bate-papo que terminou há pouco foi a relação entre operadoras hoteleiras, proprietários e demais atores do setor durante a crise, além de equilíbrio de custos e fluxo de caixa.

Com apresentação de Peter Kutuchian (Hotelier News) e Raffaele Cecere (R1), a conversa foi moderada por Roland Bonadona (Bonadona Hotel Consulting) e Vinicius Medeiros (Hotelier News). Participaram da transmissão Abel Castro (Accor); Marcelo Conde (STX); Rodrigo Reali (HSI); Ricardo Mader (JLL); Raphael Espírito Santo (Veirano Advogados); Maria Carolina Pinheiro (Wyndham), que substituiu Alejandro Moreno e, por fim, Pedro Cypriano (HotelInvest).

Após cada debatedor apresentar o diferencial de sua empresa diante do cenário da pandemia, Bonadona iniciou o bate-papo. “Estamos em uma crise sem precedentes em termos de intensidade, com muitos hotéis fechados que reabrirão com ocupações baixas. Preocupados em reduzir custos, a tensão entre operadoras e proprietários aumenta com a desvalorização dos ativos”.

CEO da STX, Conde afirma que uma das falhas da cadeia como um todo é vislumbrar cenários do pós-crise. “A preocupação é como será lá na frente. Temos investidores com experiência, que acreditam nos modelos de negócios e são tradicionais. Precisamos pensar nos cenários adiante e para isso, precisa haver esforço para ter uma visão clara de mercado, retomada e quais protocolos implementar. O investidor é resiliente e temos que buscar soluções, oportunidades e diminuir o ritmo, mas não vamos parar”. 

Questionado sobre as expectativas para o setor, Reali comenta que o planejamento do day after já está acontecendo e ressalta a importância de trabalhar com empresas especializadas. “Um dos bons motivos de ter pagamentos de royalties é que empresas especializadas em gestão trazem as melhores soluções em nível global, que já sentem como será o dia seguinte em outras regiões. Práticas estão sendo pensadas para tomarmos atitudes mais estruturadas, desenvolvendo boas práticas, pois no pós-crise teremos procedimentos de higiene sendo mais valorizados”. 

Live: operadoras x investidores

Não só o mercado, mas as relações comerciais, em sua maioria, também estão estremecidas. Representante da Accor no debate, Castro explica que o momento é de união e proximidade entre operadoras e investidores. “De certo modo, nunca estivemos tão próximos dos proprietários, em constante conversa. Tomamos algumas atitudes como paralisação do recolhimento do fundo de reservas e autorizamos o gasto para despesas operacionais. Não é algo contratual, mas entendemos que a situação pede isso. Flexibilizamos pagamentos, enquadramos os hotéis em um padrão e reduzimos os custos com TI, RM e vendas em 50% nas unidades fechadas”.

Entretanto, nem sempre as partes entram em acordos sobre qual a melhor saída diante da crise. Sócio da Veirano Advogados, Raphael conta que, no momento, o mercado está em fase de negociações, sem grandes demandas de litígios. “Trabalhamos com operadores, desenvolvedores, proprietários, fundos de investimentos entre outros agentes da cadeia hoteleira. Precisamos estruturar os negócios, não só na parte contratual, mas trabalhista, tributária e litigiosa, que pode vir a acontecer. A pandemia gera um evento de força maior e, uma vez com contrato atingido, as partes hoje não tem apenas a faculdade de negociar, mas o dever”.

Com fluxos de caixa abalados, a principal inquietação dos hoteleiros é: quando e como reabrir? Se uma coisa é certa é que não existe fórmula mágica nem receita que englobe o mercado como um todo. “Depende de hotel para hotel, marca para marca, é difícil falar de números quando cada hotel tem sua realidade. Unidades com gestão de marca, com um bom trabalho de fundo de reservas podem se manter de dois a três meses fechados, pensando num plano de redução de custos. Hoje, dos 35 hotéis que operamos no Brasil, 20% estão paralisados”, destacou Maria Carolina.

Head da JLLH Brasil, em sua fala, Mader conta que ficou surpreso com a reação das redes hoteleiras diante da pandemia e da rápida resposta do segmento em busca de soluções. “Nunca vi as redes tão ativas como agora. Fiquei impressionado como elas se mexeram para tentar resolver o problema a curto prazo. Ter um aliado, uma marca forte é importante, pois trazem expertise que os independentes não encontram. Isso é algo que falou mais alto no momento”.

Participação surpresa na transmissão, Cypriano apresentou algumas soluções que a HotelInvest vem desenvolvendo para auxiliar o setor durante e pós-pandemia, mesmo com um futuro incerto. “O grande desafio hoje é tentar uma sinalização, mesmo com tantas variáveis. Qual a curva, retomada, riscos. Tínhamos uma preocupação inicial de quais desdobramentos expressivos o vírus poderia trazer e, logo em seguida, o mundo derreteu”, disse. “De lá pra cá, temos feito algo na linha de acessar referências para enxergar como vai ser daqui pra frente. O FOHB vem auxiliando na coleta de dados para que a consulta não seja estática, mas periódica e enxergarmos o horizonte de reservas para diferentes tipos de produtos”.

Para conferir a transmissão na íntegra, basta acessar o link (o bate-papo começa às 1:46:46 do vídeo).

(*) Crédito das fotos: reprodução da internet

 

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