Entre ataques a adversários, Bolsonaro anuncia medidas de combate ao coronavírus

Coronavírus - coletiva Bolsonaro_capaCúpula do governo com máscaras foi mais uma cena inusitada do governo

Foi uma visão, no mínimo, inusitada. Homens de terno dividindo uma longa mesa, usando máscaras e esperando ordeiramente sua vez de falar. A cena só não reproduzia a votação de algum clube de aposentados por um único motivo. Ao centro da cumprida bancada, que as câmeras de TV mal conseguiam enquadrar, estava o presidente Jair Bolsonaro falando sobre o tema do momento: coronavírus.

Na coletiva, encerrada há pouco em Brasília, cada ministro externou aos jornalistas o que suas respectivas pastas estão fazendo no combate à pandemia. Já Bolsonaro, brigando com sua máscara, limitou-se ao que dele já se esperava: justificou seus atos e falas incompreensíveis e atacou adversários. Antes da conversa, contudo, o presidente despachara oficialmente ao Congresso pedido para que seja reconhecida situação de calamidade pública no Brasil.

Com a medida, o governo federal poderá ampliar os gastos públicos com a pandemia sem a necessidade de cumprir a meta fiscal deste ano. “Externamos nossa preocupação. E estamos tendo todo o apoio por parte da Câmara e do Senado", comentou Bolsonaro, admitindo que isso afetará a arrecadação e as despesas. “A intenção é a garantia da saúde e de emprego para a população brasileira”, completou.

No que tange às companhias aéreas, Paulo Guedes e Tarcísio Freitas, ministros da Economia e da Infraestrutura, respectivamente, destacaram ações que visam preservar o setor. Freitas, citando a queda abrupta de demanda, falou sobre a MP (Medida Provisória) que altera as regras de reembolso de passagens. Com isso, as empresas terão um prazo de até 12 meses para devolução do dinheiro aos consumidores. Há ainda outras medidas que envolvem contribuições fixas e variáveis pagas às administradoras dos terminais aeroportuários.

“Estamos atuando em várias direções. Vamos baixar as tarifas de importação de produtos médicos e hospitalares. Vamos renegociar as dívidas das companhias aéreas, em apoio ao ministro Tarcísio”, disse Guedes. “Estamos também examinando como auxiliar as micro e pequenas empresas no pagamento de uma parcela dos salários dos funcionários, mas só de quem se comprometer a manter os empregos nesse período. Tudo isso vai ser anunciado a cada 48h. Estamos monitorando e vamos falando a medida que a economia necessite”, completou.

Coronavírus - coletiva Bolsonaro_MandettaMandetta fez analogia com o Monte Everest para falar sobre o que virá agora

Combate à epidemia coronavírus 

Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, foi quem mais teve tempo para falar durante a coletiva, juntamente com Bolsonaro e Guedes. Garantindo que o governo estava ciente do que poderia ocorrer, ele fez uma analogia para abordar a situação daqui para frente. “Em todos os países, essa epidemia vem crescendo e, num determinando momento, ela sobe abruptamente. É como se você o sistema de saúde estivesse andando em um caminho e, bem na sua frente, aparece Monte Everest”, comentou.

“Se todos forem tentar subir, muitos não vão aguentar, porque não teremos equipamento e estrutura suficiente para subi-lo. Se conseguirmos ter uma montanha não tão inclinada, essa caminhada pode ser bem menos pesarosa. Neste momento, estamos no pé desse monte e o tamanho dele depende diretamente do comportamento das pessoas. É preciso ter foco no cuidado com suas famílias, em especial com os idosos”, destacou Mandetta, que acrescentou: “Vejo o Brasil com alguns pontos positivos. Entre eles, o fato do SUS (Sistema Único de Saúde) estar presente em todos os municípios brasileiros. Não tenho uma única cidadezinha, uma comunidade quilombola ou indígena que não tenha o SUS. Podemos ter dificuldades? Sim, mas o sistema de saúde estará ao lado dos 215 milhões de brasileiros”, completou.

Entre as medidas a serem implementadas, Mandetta confirmou que o governo deve anunciar a regulamentação da telemedicina. Argumentando que a população é jovem, o ministro acredita que o serviço atenderá bem à boa parte das pessoas, que vão necessitar muito mais de orientação sobre o coronavírus do que propriamente uma ida ao hospital. A medida deve ser regulamentada ainda esta semana, garantiu.

(*) Crédito da capa: Pedro Ladeira/Folhapress

(**) Crédito das fotos: reprodução de TV

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