FOHB: com incertezas no ar, junho perde força como mês da retomada

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Pouco mais de uma semana após o primeiro estudo, o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) ampliou a amostra e colheu um pouco mais de pessimismo – ou seria de realidade? Sim, depois de medir um percentual de 63% de hotéis com atividades temporariamente suspensas no país, a entidade viu o indicador avançar 4 pontos percentuais. Além disso, com a base de respondentes maior, percebeu que junho, embora continue como o mês eleito pela maioria como o da retomada, perdeu um pouco força.

Com a imprevisibilidade do cenário sobre a virtual demanda futura no curto prazo, 17% hoteleiros consultados já depositam suas fichas em julho como o mês da reabertura, contra 8% no estudo anterior. Além disso, outros 4% afirmaram ainda não ter previsão para retomar as atividades, resposta que não havia na pesquisa anterior. Meta de 21% e 24% dos respondentes no estudo anterior, respectivamente, abril (19%) e maio (21%) também perderam força.

A leitura que o Hotelier News faz dos dados coletados pelo FOHB é que ainda há muita incertezas no ar. Apenas quando o avanço da pandemia estiver mais sob controle é que será possível ter uma visão mais precisa do início da retomada. E, de fato, com a continuidade da politização do debate sobre o relaxamento ou não do confinamento, a população ainda não tem clara na cabeça uma questão vital para a retomada da demanda turística: confiança de que tudo isso vai passar. Até lá, uma coisa é certa: reabrir por reabrir tem pouco sentido prático e, principalmente, financeiro.

FOHB: mais dados

Na 2ª edição do estudo Oferta de Disponibilidade Hoteleira, o FOHB ouviu uma base maior de respondentes. Ao todo, 838 hotéis (135 mil UHs) de 61 redes em 207 municípios brasileiros participaram da enquete. Como na amostra anterior, mas dessa vez com 90%, o Sul do país permanence como a região com o maior percentual de unidades temporariamente fechadas. Já entre as cidades, decreto municipais ou estaduais ainda obrigam hoteleiros a manterem as operações paralisadas. Caso de Florianópolis, que apresentou 100% dos empreendimentos consultados com atividades paralisadas.

Alguns municípios tentam reverter decisões dos governos. Maringá (PR) é um exemplo. Em ação capitaneada pelo Maringá e Região Convention & Visitors Bureau, o trade local entrou como liminar na Justiça para poder retomar as operações, entendendo que a hotelaria é uma atividade essencial. Fica aqui de novo a colocação: tudo indica que reabrir sem clareza da demanda é um caminho mais tortuoso para a planejada retomada, podendo drenar ainda mais o caixa dos estabelecimentos.

O estudo do FOHB traz ainda outros dados, que podem ser conferidos nos gráficos abaixo:

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(*) Crédito da capa: Peter Kutuchian/Hotelier News

(*) Crédito dos gráficos: FOHB

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