Governo Bolsonaro retira incentivo ao turismo LGBT do Plano Nacional de Turismo

* Matéria atualizada às 18h20 em 17/05

Turismo LGBT- incentivo

Em abril deste ano, o presidente Jair Bolsonaro afirmou durante café da manhã com jornalistas que “o Brasil não poderia ser o país do turismo gay”. Reafirmando o posicionamento do governo,  decreto do Plano Nacional de Turismo de 2018-2022 foi aprovado sem incentivos ao turismo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). 

Esse segmento, que representa 10% dos turistas globais, movimentam cerca de 15% do faturamento de toda indústria de viagens, de acordo com dados do plano original elaborado na gestão de Max Beltrão, ex-ministro do Turismo. Entre as estratégias do texto anterior, estavam “sensibilizar o setor para a inclusão de pessoas idosas e do público LGBT no turismo”. No decreto aprovado, apenas os idosos estão contemplados. Procurado pela reportagem do Hotelier News, o Ministério do Turismo não confirmou nem desmentiu a retitrada do incentivo. No comunicado enviado, a pasta deu uma resposta bastante genérica.

"O Plano Nacional de Turismo tem o objetivo expresso de 'estimular o desenvolvimento do turismo para que seja acessível a todos', alcançando as metas estabelecidas pelo documento. Entre elas, estão a geração de 2 milhões de empregos, a inclusão de 40 milhões de brasileiros no mercado doméstico de viagens e a promoção de um salto de 6,6 milhões para 12 milhões de turistas internacionais. Os números do turismo nacional são, também de forma ampla, resultados conquistados pelo setor como um todo e impactam positivamente todos os brasileiros, sem distinção de cor, classe, gênero, credo ou preferências sexuais.  Hoje, a indústria de Viagens representa 8,1% do PIB nacional e emprega 7,3% dos trabalhadores no país."

Turismo LGBT: dados

Segundo estudo divulgado pelo WTM-London (World Travel Market), em 2018, os gastos de turistas da comunidade LGBT no mundo atingem US$ 218 bilhões anuais. De acordo com a Out Now, só no Brasil os números chegam a US$ 26,8 bilhões. O montante coloca o país no segundo lugar da lista, perdendo apenas para os Estados Unidos, com US$ 63,1 bilhões. 

O levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que cerca de 20 milhões de pessoas se declaram homossexuais no país. Ou seja, com a alteração do texto, o setor pode ser potencialmente prejudicado.

(*) Crédito da foto: gagnonm1993/Pixabay

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