HSMAI Strategy Conference 2017: Economista fala sobre as razões para acreditar no mercado brasileiro em 2018

Dito como ano de incertezas para a maioria dos mercados, 2017 foi de fato um período fora dos padrões. Pelo menos foi isso que apontou Patrícia Palermo, economista e professora da ESPM, numa das palestras do HSMAI Strategy Conference 2017. De acordo com a especialista, três elementos deram o tom do cotidiano econômico na atual temporada. Foram eles: incerteza política; crescimento frágil, lento e fraco; e desinflação, que, apesar de soarem mal, são elementos, que juntos, parecem ter dado resultados positivos para o Brasil. 

Eleita a Economista do Ano do Rio Grande do Sul de 2016, a palestrante ressaltou que apesar dos escândalos, a liderança nacional de Michel Temer deu sinais de que não vai cair, agradando o mercado que respondeu com pouca variação na flutuação da taxa cambial. "A Operação Lava-Jato e as gravações envolvendo o presidente balançaram o governo mas mostraram que ele não vai cair. Isso manteve uma liderança vista com bons olhos, que faz os gosto do mercado econômico e acaba com as incertezas sobre o cenário político".

A demonstração de força do governo com a manutenção mesmo frente às polêmicas, separou os universos de política e economia e fez com que os números e as possibilidades do ano ficassem estáveis.

Sobre o tipo de crescimento que podemos ter, a especialista salientou que não podemos esperar uma recuperação rápida. De acordo com ela, a recuperação vai acontecer de maneira gradativa já que foram oito trimestres consecutivos de queda.

"O fenômeno que encerra o que de fundamental houve no ano foi a desinflação", assinala Patricia. Segundo argumenta ela, a desinflação fez com que principalmente quem permaneceu empregado, tenha tido ganhos reais reverberando na volta do consumo e na queda dos juros.

Tais elementos, segundo a palestrante levam os índices econômicos a apontar para um 2018 de crescimento. "O emprego formal deve aumentar aos poucos e a inflação deve permanecer controlada", diz. 

Somado a isso, outro fato auspicioso é a aprovação da reforma trabalhista que, a médio e longo prazo, deve gerar bons frutos para setores como o da hotelaria. "O setor de vocês emprega muita gente e a folha salarial impacta muito nos custos. A nova legislação trabalhista vai dar flexibilidade e segurança jurídica, sobretudo para mercados com esse caráter sazional".

* Foto de capa: Filip Calixto

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